A história da UFRRJ se confunde com a história da Agronomia no Brasil. Trata- se de uma escola projetada para ser referência no ensino agronômico no país, que constitui um patrimônio cultural devido às características arquitetônicas de seus principais edifícios, com seu estilo neocolonial, em especial do edifício-sede, dos azulejos portugueses de Maria Helena Vieira da Silva, do mobiliário desenhado por Joaquim Tenreiro, dos projetos arquitetônicos elaborados por Eugenio de Proença Sigaud e do paisagismo exuberante de Reynaldo Dierberger.

Sigaud foi engenheiro agrônomo, arquiteto e artista plástico. Formou-se ao lado de Quirino Campofiorito (pai de Ítalo Campofiorito), Milton Dacosta, Joaquim Tenreiro e José Pancetti, o Núcleo Bernardelli, que significou uma renovação na arte carioca, democratizando e renovando o seu ensino. Movimento de oposição ao conservadorismo reinante na Escola Nacional de Belas Artes – ENBA, o grupo propôs, entre outras iniciativas, a democratização do ensino técnico e o acesso livre aos salões de arte. Reynaldo Dierberger foi um dos dois filhos do alemão Johann Dierberger (1859-1931), fundado r das Organizações Dierbeger, firma especializada na produção e comercialização de plantas frutíferas, hortícolas e ornamentais, bem como a elaboração de jardins, fundada em 1893 na cida de de São Paulo. Na década de 40 Reynaldo funda sua própria firma, a DierbergerArquitectura Paisagística Ltda. (1940-1947). (ENOKIBARA, 2016).

O local descrito para as instalações da ESAMV, primeiro nome dado a Universidade Rural, foi a antiga Fazenda Imperial de Santa Cruz, parte atual do município de Seropédica – RJ. Mas os primeiros estudos feitos no local demonstraram um lugar inapropriado e sem condições de higiene e sobrevivência. Grillo (1938, apud OTRANTO, 2005, p. 73-74) apontou três motivos para a não ocupação do local. O primeiro era a distância, que dificultaria a locomoção discente, docente e administrativa. O segundo apontava para as ruínas do edifício da fazenda, não sendo possível seu aproveitamento. E o terceiro referia-se ao solo, que não era fértil.

A fazenda de Santa Cruz pertencia originalmente aos jesuítas e tornou-se a maior produtora de gêneros alimentícios para o abastecimento da cidade do Rio de Janeiro, até que em 1759 estes foram expulsos do território brasileiro e todas as suas propriedades, incluindo a Fazenda, passaram a pertencer à Coroa portuguesa. (MORAES, 2017, p. 7).

A construção do novo campus foi um desafio para a Comissão de obras do CNEPA. Numa época em que a pobreza, a distância e a malária prevaleciam na região, sua missão era organizar e montar uma estrutura capaz de atender aos trabalhadores e fornecedores que por ali passavam ou moravam.

Então, em lugar considerado inabitável, triste, úmido, onde a pobreza e a miséria eram concorrentes, surgiu uma nova expectativa para essa população carente, fatores decisivos na educação da população mais simples e modesta, transformando a fisionomia da população, libertos da malária deprimente. Surge, então, uma nova baixada fluminense. (RUMBELAPAGER, 2005, p.34).

A inauguração do campus foi destaque na impressa, como pode ver-se no artigo publicado no jornal Diário de Notícias:

Ao chegar-se ao km 47, avista-se um conjunto de construções novas, em estilo colonial, disseminadas por diversas colunas de pequena elevação. O grupo de estabelecimentos de ensino de que compõe a Universidade Rural fica à esquerda.  Assim, praticamente, acham-se lado a lado o ensino e a experimentação (COSTA, 1994, p.9, apud OTRANTO, 2005, p. 81).

A transferência para o novo campus só foi realizada em 1948. A desvinculação da UR do CNEPA só iria ocorrer em 1960, pelo Decreto n. 48.644, enquanto a mudança do Ministério da Agricultura para o Ministério da Educação só iria ocorrer anos mais tarde, em 1967, pelo Decreto n. 60.731. A denominação atual, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, foi oficialmente adotada nesse decreto.

Por: Jéssica C. Gomes Lacerda

Conservadora e restauradora do Laboratório de Conservação de Documentos – LabDoc da UFRRJ.

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