Curso de Serviço Social promove debate sobre mês da luta antimanicomial

O Dia da Luta Antimanicomial é comemorado em 18 de maio há 30 anos. Desde então, o número de manicômios tem diminuído e de os centros psicossociais, aumentado. Contudo, a luta por uma sociedade sem manicômios ainda está em curso.

Palestrantes. À esquerda, os professores da UFRRJ Rachel Gouveia e Rafael Maul; à direita, a estudante Juliana Agostinho (Foto: Thaís Chaves)

A reforma psiquiátrica brasileira passa por um processo de transformação e pretende modificar o sistema de tratamento da saúde mental, eliminando a internação compulsória. Esse modelo seria substituído por uma rede de serviços que inclui os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), espaços de convivência e cultura, com oficinas de geração de renda e residências terapêuticas, entre outras atividades.

De acordo com dados de 2008 da Associação Brasileira de Psiquiatria, 23 milhões dos brasileiros possuem algum tipo de transtorno mental; e pelo menos cinco milhões sofrem com casos graves e persistentes, como esquizofrenia e transtorno bipolar. Apesar da política de saúde mental priorizar problemas mais graves, as doenças mais comuns nos atendimentos são a depressão, a ansiedade e o transtorno de ajustamento. Em todo o mundo, mais de 400 milhões de pessoas são afetadas por distúrbios mentais ou comportamentais.

Segundo o Ministério da Saúde, o número de cobertura dos Caps deve ser de uma unidade para cada grupo de 100 mil habitantes. O antigo modelo de manicômios do Brasil seria substituído pela rede de serviços de atenção psicossociais. A proposta da reforma psiquiátrica é a desativação dos manicômios, para que aqueles que sofrem de transtornos mentais possam viver livremente na sociedade.

O curso de Serviço Social da UFRRJ promoveu, em 25 de maio, uma discussão sobre o tema ‘Projetos societários, reforma psiquiátrica brasileira e luta antimanicomial’. Os palestrantes foram Rafael Maul, historiador e professor da Licenciatura em Ciências Agrícolas (UFRRJ); Rachel Gouveia, professora adjunta de Serviço Social (UFRRJ) e militante do Movimento Nacional de Luta antimanicomial (MNLA); e Juliana Agostinho, aluna de Serviço Social da Universidade Federal Fluminense (UFF).

O professor Rafael Maul ressaltou as recentes repressões e violências por parte do Estado e destacou a luta antimanicomial no conjunto de grupos e movimentos que estão mobilizados para a construção de um Estado democrático e de direito. Também traçou uma linha do tempo pontuando os complexos elementos da construção da democracia no Brasil.

A luta antimanicomial é a bandeira dos movimentos militantes que buscam construir um novo campo que não tem mais a psiquiatria como saber central.

Rachel Gouveia, professora de Serviço Social (UFRRJ)

Há 12 anos participando do MNLA, a professora Rachel Gouveia discutiu movimentos históricos que são refletidos ainda hoje, como as questões entre políticas públicas e saúde mental. “Precisamos saber que as políticas de saúde mental são politicas públicas que foram instituídas nos anos 90, e a luta antimanicomial é a bandeira dos movimentos militantes que buscam construir um novo campo que não tem mais a psiquiatria como saber central”, explicou a professora.

Por fim, Juliana Agostinho contribui com suas experiências de estágio e trabalhos na área de Saúde Mental. A estudante é favorável ao movimento que luta pelo fim dos manicômios. Para ela, ser assistente social não significa, apenas, ser militante, mas é preciso aprender cada vez mais para assim poder intervir nos espaços em que são colocados como profissionais.

Referências

Rural Semanal – Ano XXIV – nº 07 – 5 a 11 de junho de 2017

Texto: Taís Chaves

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