Alunos da UFRRJ exige da Reitoria do Campus que tome uma atitude mais contundente em defesa das mulheres

Comitê de Autodefesa das Mulheres – UFRRJ

 Carta publicada no
Pórtico da UFRRJ Seropédica
 http://now-events.net/br/page/2721218

REPUDIAMOS VEEMENTEMENTE TODOS OS ATOS DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER QUE TEM SE REPETIDO, SISTEMATICAMENTE, NA UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, em Seropédica. Esta instituição, que surge para educar os homens, somente, no início do século XX, traz até hoje vestígios de uma estrutura patriarcal, machista e, muitas vezes, misógina. Até hoje prevalece a divisão de vagas no alojamento estudantil por sexo, com número muito menor de vagas para estudantes do sexo feminino. A própria publicidade em torno das festas da Rural, organizada por estudantes, muitas vezes reforça a imagem da mulher como objeto sexual. Esta estrutura viciada facilita a reprodução de atitudes machistas, homofóbicas e transfóbicas. Recentemente a faixa de uma das chapas candidatas ao Centro Acadêmico de Agronomia foi arrancada e colocada em seu lugar um varal de calcinhas, em uma violenta manifestação de misoginia e machismo. As mulheres querem ocupar seus espaços, mas na Rural há pouco espaço para elas.

Exigimos respeito às mulheres, sejam elas estudantes, técnicas administrativas, professoras, trabalhadoras terceirizadas ou moradoras de Seropédica. A mulher pobre e negra é a principal vítima dessa violência, por isso nossa luta contra o machismo é também uma luta contra o racismo.
A política interna de segurança se baseia em estereótipos, o que resulta, cotidianamente, em práticas discriminatórias em relação a estudantes [email protected] e [email protected]/[email protected] da cidade de Seropédica. Não é esta segurança que queremos! A segurança que aborda estudantes negros e negras e não impede os atos de violência contra a mulher, mas que a aconselha a vestir-se “de forma adequada”. Não queremos a polícia que culpa a vítima pela violência sofrida!
Exigimos uma INFRAESTRUTURA SEGURA: iluminação eficiente e com manutenção constante, controle da vegetação para impedir “zonas cegas”, transporte interno gratuito e frequente para evitar longos deslocamentos, principalmente à noite.
Exigimos também que a administração central tome as medidas cabíveis sempre que for informada de um ato de violência contra a mulher. O argumento do desconhecimento é falacioso, já que vítimas relatam que levaram ao conhecimento da Direção de Instituto e à própria Reitoria e nada, absolutamente nada foi feito. A violência sexual contra a mulher é uma realidade na UFRRJ, a ponto de ter virado rotina. A negação desses fatos é um estímulo e não uma forma de enfrentamento do problema.
Estudantes sofrem abuso sexual e tentativa de estupro dentro do campus e NADA ACONTECE. Chega de invisibilidade!
Como não há, na instituição, nenhum tipo de política para acolhimento das vítimas, os registros dos atos de violência tendem a ser sub-representados. Muitas vítimas enfrentam sozinhas e caladas a violência, por medo, fragilidade ou por ser público que nenhum ato anterior já foi apurado pelas instâncias responsáveis na UFRRJ.

Por tudo isso, EXIGIMOS O FIM DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NA UFRRJ E SEROPÉDICA.
Exigimos que a Reitoria assuma o problema da violência sexual contra a mulher no campus como uma realidade a ser enfrentada, tomando as seguintes medidas de forma imediata:

1) ampliação e manutenção constante da iluminação no campus;
2) transporte interno, frequente e gratuito;
3) melhoria da zeladoria do campus, capina e controle da vegetação;
4) estrutura para pronto atendimento ao registro e denúncia dos atos de violência sexual;
5) política de acolhimento à vítima.

As mulheres estão assumindo o protagonismo de sua defesa, atuando de forma coletiva no Comitê de Autodefesa das Mulheres – UFRRJ. Esta ação é fundamental, mas insuficiente frente à infraestrutura atual do campus, que é mais do que propícia para que mulheres sejam agredidas e/ou violentadas em seu ambiente de estudo ou trabalho.
Só com a implementação imediata de tais medidas, aliada à ampliação do protagonismo das mulheres na defesa dos seus direitos e dos seus corpos, poderemos ter um ambiente de estudo e trabalho seguro para as mulheres. É essa a segurança que queremos! E não a ampliação da política repressiva que temos hoje, que afasta a comunidade de Seropédica da Universidade, reproduz discriminações com base em estereótipos e não tem eficácia frente ao problema da violência contra as mulheres (prova disso é que a existência dessa estrutura não tem impedido, na prática, que tais atos de violência aconteçam no interior do campus).
CHEGA DE VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES NA UFRRJ E SEROPÉDICA!
CHEGA DE MACHISMO e MISOGINIA!
Combater o machismo, o racismo, a homofobia e a transfobia é uma tarefa de [email protected], todos os dias, na Rural

Carta publicada na integra: http://now-events.net/br/page/2721218

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