Usuário pagará pedágio por 33 anos para descer em pista segura na Serra das Araras, na Dutra
13 de abril de 2024

Concessionária promete iniciar obra da descida da Serra das Araras, na rodovia Presidente Dutra,  após décadas de concessão

A concessionária promete iniciar a implantação do novo traçado da Serra das Araras, na Via Dutra (BR-116), no estado do Rio de Janeiro, nos próximos dias.

O conjunto de intervenções, segundo a atual concessionária, que pertence ao mesmo grupo CCR que administra a rodovia mais importante do país, desde 1995, e informa que os investimentos serão de R$ 1,5 bilhão.

As obras serão feitas pela concessionária responsável pela Via Dutra e Rio-Santos e vão readequar o atual traçado da pista de subida (sentido São Paulo), transformando-a na nova pista de descida (sentido Rio de Janeiro).

Em paralelo, uma nova pista de subida será construída. As novas vias da Serra das Araras contarão com quatro faixas por sentido, além do acostamento e uma faixa de segurança, garantindo mais segurança viária e conforto aos clientes e trazendo mais fluidez ao trânsito.

O trecho da Serra das Araras, projetado na década de 1940, enfrenta o desafio de se adaptar ao grande volume de tráfego que circula diariamente por ali. Hoje, cerca de 390 mil veículos circulam pelos dois sentidos mensalmente, dos quais 36% deles veículos de carga.

Juntos, eles transportam mais da metade do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que dá uma dimensão da importância logística das Serra das Araras para o transporte de cargas no País.

Ao executar essas intervenções, atendemos a um pedido antigo de quem transita pela Via Dutra. O novo traçado vai elevar o patamar de excelência da rodovia para uma outra categoria“, afirma Eduardo Camargo, presidente da CCR Rodovias.

Não confundir pedido antigo com obrigação contratual

Cabe esclarecer que não se trata de pedido antigo. A nova pista de descida da Serra das Araras fazia parte do contrato da concessão da NovaDutra e nunca foi executada. As explicações para não cumprir o previsto em contrato foram muitas, e o portal Estradas.com.br acompanhou, mas não ficou convencido. Portanto, não se trata de pedido mas, obrigação contratual do grupo CCR.

Atualmente, são duas faixas para descer a Serra das Araras, sem acostamento e com largura limitada para as carretas que passam no trecho, algumas com 30 metros. Com isso, os motoristas são obrigados a ceder espaço para que os caminhões consigam fazer as curvas. É uma situação de alto risco, inaceitável numa rodovia que liga as duas cidades mais importantes do país.

Para o coordenador do SOS Estradas, Rodolfo Rizzotto, é preciso ver para crer. “A Dutra é, na origem, uma concessão cheia de contradições. O contrato original informava que eram 407 km e sempre foram 402 km. Depois que a concessionária assumiu, na época a NovaDutra, do mesmo grupo atual, a rodovia ‘encolheu’ e voltou aos 402 km. Nós sempre defendemos e continuamos acreditando que a concessão é o melhor caminho, mas transformar em ‘pedido antigo’, como pontuou o executivo da empresa, é abusar da paciência dos usuários que pagarão pedágio de 1996 até 2029 na expectativa de que essa descida apareça de fato. Por enquanto, só no papel e nas notícias.

Usuário pagará pedágio por 33 anos para descer em pista segura na Serra das Araras, na Dutra
TRECHO PERIGOSO: A falta de espaço para caminhões (sem acostamento) contribui para sinistros recorrentes, na Serra das Araras, como o da fato, em agosto de 2022, quando uma carreta pegou fogo, e provocou congestionamento de 19 km. Foto: Divulgação/PRF

Obras vão demorar mais de 4 anos para trechos que somam 18 km

Depois de concluída, serão oitos faixas – quatro para cada sentido –, além dos acostamentos, um em cada sentido. Isso permitirá aumentar a velocidade de circulação de 40km/h para 80km/h, na descida como da Serra. A concessionária estima que irá reduzir em 25% o tempo de percurso na pista de subida, sentido São Paulo, e em 50% na pista de descida, sentido capital fluminense.

Nada que irá impactar significativamente no tempo de viagem, afinal são 9 km. Por outro lado, reduzirá os sinistros (acidentes) que provocam tragédias e grandes retenções do tráfego.

As obras devem durar 52 meses, portanto, 4 anos e 4 meses. A previsão da concessionária é de entregar a nova pista de subida em 2028. Já a pista de descida deverá ser concluída em 2029. A descida da Serra das Araras, por exemplo, tem 9 quilômetros, equivalente à subida. Portanto, serão mais de 4 anos para 18 km.

Os usuários vivem na expectativa dessa obra, desde 1995, e pagam pedágio na concessão, desde 1996, mas só poderão usufruir da nova descida da Serra das Araras após pagarem pedágio por 33 anos, já que a concessionária estima entregar a obra em 2029. Isso se o contrato for cumprido e o cronograma da obra confirmado.

Importante lembrar que a Via Dutra foi inaugurada, ainda com pista simples na maior parte do trecho, em 1951, e estava totalmente duplicada, inclusive com a nova pista de subida, em 1968.

Portanto, os governos daquele período, sem a tecnologia e equipamentos de hoje, conseguiram duplicar praticamente toda a rodovia mais importante do país sem pedágio, em 17 anos. Enquanto, os usuários vão esperar, pelo menos até 2029, para descerem com um mínimo de segurança.

Índia deve finalizar 1.387 km de rodovia com 8 pistas em menos de 6 anos

Para que os usuários da Dutra tenham uma ideia, na Índia, foi iniciada a construção da rodovia Delhi-Mumbai Expressway, em 2019, com mais de 1.300 km de extensão e de 8 a 12 faixas de rolamento.

A previsão de inauguração de toda extensão é para o início de 2025. Serão menos de 6 anos de obras, embora inicialmente prevista a construção para cinco anos. Segundo a imprensa da Índia, mais de 900 km já estão prontos.

É importante destacar que essas obras contam com recursos privados e públicos que permitem grandes operações, o que não acontece no mercado brasileiro, onde a iniciativa privada enfrenta resistência e precisa lidar com pouco profissionalismo no setor público. Entretanto, esse tipo de obra demonstra como o Brasil está atrasado em termos de infraestrutura.

Os interessados podem conhecer o projeto da Índia no vídeo abaixo:

 

Por: Estradas

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