Sérgio Cabral passa mal na cadeia ao saber que filho é alvo de operação da PF

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José Eduardo Cabral é um dos procurados da Operação Smoke Free, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF)

Preso no Batalhão Especial Prisional (BEP), o ex-governador Sérgio Cabral teve que ser atendido na enfermaria da unidade de saúde da cadeia após saber que seu filho José Eduardo Neves Cabral é um dos procurados da Operação Smoke Free, deflagrada nesta quarta-feira pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF), contra uma organização criminosa armada e especializada na venda ilegal de cigarros. De acordo com a Polícia Militar, o estado de saúde de Sérgio Cabral é estável.

José Eduardo Cabral é um dos alvos de mandado de prisão desta ação. Ele é dono de uma produtora de eventos, feiras e shows, a ZC Entretenimento. Ao todo, são 27 mandados de prisão e 50 de busca e apreensão. Entre os alvos está Adilson Coutinho de Oliveira Filho, o Adilsinho, que já esteve na mira da PF e do MP do Rio no ano passado, na Operação Fumus. Ele é considerado foragido na ação desta quarta ao não ser encontrado.

Segundo a Polícia Federal, 12 pessoas foram presas na ação. Dos 27 mandados de prisão, 15 deles são contra PMs de seis batalhões (4º BPM, 15º BPM, 24º BPM, 28º BPM, 33º BPM e BPVE.), dois bombeiros e um agente federal. As equipes estão em endereços da capital e da Baixada Fluminense. Além das prisões, foram apreendidos cerca de cerca de R$ 400 mil reais, em espécie, milhares de cigarros clandestinos, veículos de luxo, joias, mídias, celulares, computadores e documentos diversos.

Ex-governador do Rio está preso desde 2016

Sérgio Cabral está preso desde 17 de novembro de 2016, alvo da Operação Lava-Jato. De lá para cá, ele já passou por quatro presídios e, atualmente, está no  Batalhão Especial Prisional  (BEP) da Polícia Militar, em Niterói.

No início do mês, o ex-governador do Rio conseguiu  na  5ª Câmara Criminal do TJ-RJ a revogação de dois mandados de prisão preventiva que pesavam contra ele no Tribunal de Justiça do Estado (TJ-RJ). Com isto, ele fica sem pendências nesta instância. De qualquer forma, ele seguirá preso porque ainda tem uma condenação imposta pelo ex-juiz Sérgio Moro (União), no âmbito da Operação Lava-Jato, cuja validade segue em análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Prestes a completar seis anos na cadeia, Cabral segue como o único preso em regime fechado pela Operação Lava-Jato. Ele já foi alvo de cinco mandados de prisão preventiva. Quatro deles foram revogados, sendo que dois foram convertidos em prisão domiciliar com monitoramento eletrônico.

Com isso, resta apenas uma ordem de prisão em vigor contra o ex-governador, esta expedida pelo então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro. A 2ª Turma do STF analisa o pedido de anulação dessa condenação de Cabral e da ordem de prisão preventiva relacionada ao caso. O relator, Edson Fachin, votou pela manutenção da prisão. O ministro Ricardo Lewandowski divergiu. O julgamento foi interrompido por pedido de vista do ministro André Mendonça.

Também faltam os votos dos ministros Gilmar Mendes e Nunes Marques. Cabral já foi condenado em 24 ações penais, sendo 23 decorrentes de desdobramentos da Lava-Jato e outra relacionada ao uso de helicópteros do governo do Rio para viagens pessoais. No total, as penas impostas a ele chegam a 436 anos e nove meses de prisão.

Ao GLOBO, o advogado Rafael Kullmann, que representa José Eduardo Cabral, informou que não pode se manifestar sobre o mandado de prisão pois ainda não teve acesso ao processo.

Já o advogado Ricardo Braga, que defende Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, informou que seu cliente nega envolvimento com o comércio ilegal de cigarros e com todos os demais delitos a ele imputados e aguarda a liberação do acesso aos autos para se manifestar sobre a operação da Polícia Federal.

Fonte: Folha de Pernanbuco