Grupo de extensão da UFRRJ trabalha com foco na conscientização de crianças e adolescentes sobre temas da cultura negra
O Núcleo Universitário Negro (NUN) da Rural é um movimento que busca conscientizar as pessoas sobre temas sociais e raciais dentro da Universidade e, também, nas escolas públicas de Seropédica. Ele é um dos muitos projetos de extensão da UFRRJ e tem 15 alunos na sua organização. Mas possui cerca de 100 participantes ao todo, que estão sob a coordenação de Thalisson Carvalho, estudante de Ciências Sociais. A orientação geral do projeto é da professora Luena Pereira, do mesmo curso.
Além de propor discussões constantes sobre o racismo, estendendo os debates para outras perspectivas e lugares, o Núcleo leva para as escolas de ensino fundamental e médio de Seropédica as conversas sobre temas político-sociais, divulgação da cultura negra e, principalmente, a conscientização sobre as opressões sofridas pela população negra em diferentes ambientes. O movimento tem a característica social de acolher tanto os universitários, quanto os estudantes das escolas que se sentem longe desse debate.
Com o propósito de abordar a discussão sobre as relações raciais no Brasil, o coletivo, sob a perspectiva de um ambiente antirracista, busca trazer a influência da cultura negra na formação cultural do Brasil em diversos aspectos da sociedade. Para isso, o movimento mostra como o assunto foi estudado ao longo dos anos e o compara com fatos atuais.
Em visita a uma escola de ensino fundamental, em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, o Núcleo apresentou uma palestra sobre a importância do mês da consciência negra, além de reforçar os feitos de Zumbi dos Palmares em favor da sociedade brasileira.
Para tornar essa experiência didática e divertida para as crianças, o movimento usa brincadeiras de origem indígena e africana, além de vídeos interativos para mostrar a similaridade entre as brincadeiras ancestrais e aquelas que fazem parte do cotidiano das crianças. O objetivo principal dessas atividades é mostrar como as relações raciais brasileiras estão ligadas com a cultura que chegou muito antes deles e ainda persiste no Brasil. Exemplos dessa formação cultural são a brincadeira de peteca e a tradicional feijoada.
Em uma escola no bairro de Senador Camará, também na Zona Oeste do Rio, o Núcleo teve como público adolescentes que estavam prestes a fazer o vestibular. Como os alunos já possuíam um entendimento maior sobre as questões apresentadas pelo NUN, a ideia proposta pelo coletivo foi potencializar esse conhecimento por meio de aulas e conversas, para depois transformar esse ambiente de aprendizado em jogos interativos como escape room (brincadeira temática, com tempo limitado para a solução de enigmas) dando uma ênfase maior ao debate sobre o racismo ambiental.
Para Thalisson Carvalho, aluno da Rural que participa da coordenação do projeto, estar à frente de uma proposta como esta lhe dá esperança.
– Eu me sinto assim porque quando fazemos as atividades, conseguimos ver que no nosso cotidiano temos esse debate e, a partir disso, os jovens e as crianças acabam se tornando mais conscientes com o que está acontecendo em volta deles, em nossa realidade social. E acabamos levando para essas crianças o que é a luta antirracista e como pensar o combate ao racismo na sociedade – explicou ele.
Apesar de toda sua luta dentro da Universidade e do apoio das pró-reitorias de Extensão e de Assuntos Estudantis, o Núcleo Universitário Negro ainda sente que precisa de mais visibilidade dentro da Rural. No entanto, a própria Reitoria também tem apoiado as demandas do coletivo.
O objetivo do movimento é ajudar na construção de uma sociedade mais igualitária. Pensando e compartilhando a importância que a cultura negra tem para a sociedade brasileira, além de mobilizar e conscientizar aqueles que estão no entorno da Universidade. Para mais informações entre em contato no Instagram pelo @nunufrrj.
Texto: João Vítor Madruga (estudante de Jornalismo sob supervisão da professora Cristiane Venancio)


