Quintino Gomes Freire fala sobre a briga de Cláudio Castro e Marcelo Freixo e o circo político que Freixo tentou fazer da tragédia de Petrópolis

Na quinta-feira, 18/2, o deputado federal e pré-candidato ao Governo do Rio, Marcelo Freixo (PSB), resolveu criticar o governador Cláudio Castro (PL) pela sua atuação em Petrópolis. Acabou sendo chamado por Castro de oportunista e “Zé do Caixão” da política, e foi fartamente dito que quer fazer politicagem em cima do sangue e da tragédia. Depois disso, Freixo acabou dizendo que era hora de união.

Nesse meio tempo, confundiu o direito de propriedade chamado enfiteuse com imposto, ao apresentar um patético projeto de lei para acabar com a “taxa” paga por habitantes de parte de Petrópolis a alguns integrantes da família Orleans e Bragança. Confundiu direito de propriedade com direitos dinásticos. Apesar de professor de história, demonstrou não saber a origem da cobrança e que ela não tem nenhuma relação com a monarquia, e sim com o direito civil, esquecendo que cerca de 60 outras famílias no Brasil têm direito aos foros e laudêmios, além de Hospitais, Municípios, Estados e a própria União Federal. Um dos maiores especialistas em mercado imobiliário do Rio, nosso colunista Claudio André de Castro, fez um artigo primoroso – e simples de entender – explicando a verdade sobre foro e laudêmio em Petrópolis.

Nesta briga e neste verdadeiro aproveitamento político da tragédia – uma verdadeira cortina de fumaça, Freixo não criticou sequer uma única vez o controverso político petropolitano Rubens Bontempo, do mesmo partido, e atual prefeito da cidade. Não que devesse sê-lo; o político assumiu recentemente o atual mandato – nada menos que o quarto – após um longo périplo no Judiciário. Convenhamos; se depois de fazer qualquer coisa pela quarta vez a gente não aprende, melhor mudar o business, não acham?

Freixo saiu menor nesta briga: não só a perdeu, mas mostrou que na sua campanha vale tudo, até se aproveitar de tragédia; tiro, porrada e bomba; vale meter na confusão até quem não reina no Brasil há 133 anos, mas convenientemente deixando de fora quem ficou sentado na cadeira por 12 anos assistindo bovinamente a cidade ser tomada por favelas e crescimento desordenado. Aliás, tomara que seja só assistindo.

O homem que queria resolver a segurança pública do Rio com iluminação pública tem, porém uma certa simpatia da mídia. Sua ‘bomba de efeito moral’ gerou quizumba da boa na internet, com diversos influencers se atirando com fúria sobre Bertrand de Orleans e Bragança, que sequer recebe um centavo do direito de propriedade das terras compradas por seu tataravô de um sargento em 1800 e dom João Charuto. Na internet, atacar sempre dá certo. E Bontempo segue todo catito, com a passada de pano do pré-candidato.

Enquanto isso, Castro está de coletinho Laranja, acompanhando de perto o desastroso cenário da cidade imperial, e já encaminhou um projeto de crédito para comerciantes de Petrópolis: a idéia é liberar 200 milhões de reais para ajudar. Isso além de outras iniciativas humanitárias, apesar de alguns deslizes como a tosca história de que o Corpo de Bombeiros não teria luvas e ferramentas pra tocar os resgates. Ninguém sabe direito o que vem sendo feito com a inconstitucional e absurda cobrança da taxa se incêndio – proibida pelo Supremo – mas isso é outra história.

Creio, realmente, que a esquerda tem nomes bem melhores e muito mais competitivos para o Governo do Estado. No PSol tem Tarcísio Motta, no PSB Alessandro Molon e no PT a Tainá de Paula. Mas Freixo? Continuará sendo quem é e sempre a melhor escolha para os outros candidatos enfrentarem no segundo turno. De quem mais Crivella ganharia? Fica aquele clima engraçado, políticos torcendo pra enfrentar no segundo turno aquele que todo mundo sabe que vai perder. Uma espécie de Celso Russomano do Rio.

Fonte: Diário do Rio