Caminhões estacionados em Seropédica – Marcelo Theobald / Agência O Globo
POR MARCOS NUNES (Jornal O Globo)

RIO – Na parte traseira dos caminhões estacionados às margens da Rodovia Presidente Dutra, em Seropédica, frases escritas em para-choques traduziam o sentimento de motoristas que estão há mais de uma semana à beira da estrada. Na carreta dirigida por Alfredo Baby, de 40 anos, por exemplo, o recado era claro: “Para quem tem fé, a vida não termina aqui!”. Paranaense da cidade de União da Vitória, ele diz que a mensagem é a mais atual possível para o momento vivido pela categoria.

— A carreta já veio assim, com esta frase na bandana (para-choque). Eu gosto. É a nossa realidade atual, da nossa luta. Não é fácil ficar aqui. A gente sente saudade de casa e da família. Se eu fosse trocar o que está escrito, colocaria “Caminhoneiros unidos nunca serão vencidos” — disse Alfredo.

Cristiano Lemes, de 25 anos, amigo de Alfredo e também paranaense, não tem frase na traseira de sua carreta. Mas disse gostar da mensagem no veículo dirigido por seu conterrâneo.

— É a verdade do momento.

O motorista Paulo Sérgio Ferreira, de 42 anos, devoto de Nossa Senhora Aparecida, tem na cabine uma miniatura da santa no vidro dianteiro. No para-choque, a frase “Obrigado, Senhor”.

— Estou aqui há oito dias. Se tivesse que escolher uma frase nova, colocaria: “Força, povo!”. Simboliza bastante o que está acontecendo — disse.

No local, as carretas foram estacionadas em dois terrenos baldios e um posto de gasolina. Para o caminhoneiro Marcos dos Santos, de 45 anos, as frases de para-choque refletem as a dificuldades da categoria:

— Se alguém passar mal, nós não temos médico. No caminhão, tenho uma mensagem religiosa, mas, se fosse escolher uma frase para mostrar o que estamos vivendo, colocaria “Ainda dá tempo de acreditar”.

O paulista Cláudio Ribeiro, de 24 anos, estava carregando uma grande carga de gesso quando parou no bloqueio. No para-choque da carreta dirigida por ele, uma frase resume o que está sentindo:

— “Laços que nos unem” é bem parecido com o meu momento.

Fonte: Jornal O Globo