Luto na Cultura Brasileira: Morre Miguel Proença, Pianista e Embaixador da Arte Nacional
24 de agosto de 2025
Miguel Proença nasceu no Rio Grande do Sul em 1939Reprodução/Redes Sociais

Miguel Proença nasceu no Rio Grande do Sul em 1939
Reprodução/Redes Sociais

O Brasil perdeu um de seus nomes mais importantes da música e da gestão cultural. O pianista brasileiro de renome internacional, Miguel Proença, faleceu na última sexta-feira (22), aos 86 anos. O músico estava internado desde junho no Hospital São Vicente, na Gávea, Rio de Janeiro, e a causa da morte foi falência múltipla de órgãos.

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Além de sua brilhante carreira no piano, Miguel Proença deixou um legado significativo na administração pública, tendo ocupado cargos como presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte), secretário de Cultura do Município do Rio de Janeiro, diretor da Sala Cecília Meireles e da Escola de Música Villa-Lobos.

O Legado de um Músico e Intelectual

Nascido como Miguel Ângelo Oronoz Proença em Quaraí, Rio Grande do Sul, em 1939, o artista notabilizou-se por seu amplo repertório como pianista de concerto, atuando como solista e camerista no Brasil e no exterior. Sua paixão pelo legado nacional o tornou um dos maiores divulgadores dos compositores brasileiros do passado.

Um estudioso dedicado, Proença possuía doutorado pela Escola Superior de Música de Hannover e foi professor em importantes instituições, como a UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e a Universidade de Música de Karlsruhe, na Alemanha. Sua influência se estendeu à formação de novos talentos: entre 1995 e 1998, em parceria com a Capes, ele proporcionou bolsas de estudo para brasileiros em países como Rússia, Japão e em diversas regiões da Europa.

A Visão do Crítico e a Resposta do Artista

Em 1972, uma reportagem de um crítico musical do Estadão reconheceu o talento e a técnica de Proença, mas apontou uma suposta falta de “consciente e mais convicta auto-afirmação” em sua interpretação. Um juízo que, nas cinco décadas seguintes, foi completamente superado pelo amadurecimento e sucesso do artista.

Memórias de Colegas e Amigos

A morte de Proença gerou grande comoção entre seus colegas da área cultural. A produtora Gloria Guerra destacou seu papel na divulgação musical:

“Foi o maior divulgador dos compositores brasileiros, com aproximadamente 30 gravações. Na sua casa conheci Nelson Freire, Maria Lucia Godoy, Edino Krieger, Mindinha, Villa Lobos, Bidu Sayão, e tantos outros.”

– Gloria Guerra, produtora

O cantor Márcio Gomes lamentou a perda de um amigo e incentivador:

“Miguel foi uma das pessoas mais queridas que já conheci, respirava arte. Foi sempre um amigo fiel, incentivador! Sua carreira foi brilhante como pianista clássico, mas amava a música popular. Suas gargalhadas estão presentes no coração de quem o conheceu. Você deixará muita saudade!”

– Márcio Gomes, cantor

A Carreira na Gestão Cultural e a Polêmica na Funarte

Na década de 1980, Miguel Proença ganhou destaque político ao ser nomeado Secretário de Cultura do Rio (1983 a 1988). Na época, já era diretor da Escola de Música Villa-Lobos.

Seu desejo de incentivar a arte vinha de longa data. Em 1979, ele já defendia projetos, como o da Sala Guiomar Novaes (mantida pelo Instituto Nacional da Música), que visavam “aumentar a faixa do público, o mercado de trabalho para o artista nacional e estimular o compositor brasileiro”.

Em 2019, Proença assumiu a presidência da Funarte, entidade responsável pelo fomento às artes no país. Convidado pelo então ministro Osmar Terra, Proença buscou implementar a visão de integrar artistas regionais e aproximar a juventude da arte. Um de seus projetos ambiciosos era o **”Cine Paradiso – Guerra ao Tablet”**, que visava exibir “os mais belos filmes para jovens, para aproximá-los da arte, afastando-os um pouco do excesso de uso dos celulares e outros dispositivos digitais”.

Sua gestão na Funarte foi breve. Ele foi exonerado em novembro de 2019, e, posteriormente, revelou que sua defesa pública da atriz Fernanda Montenegro foi determinante para sua saída. Na ocasião, Montenegro havia sido ofendida por um diretor do Centro de Artes Cênicas da própria Funarte.

Em entrevista, Proença justificou sua ação:

“Não pensei em política, pensei em mandar um abraço a uma amiga. O que fazer com pessoas que não entendem esse relacionamento com outros artistas e querem impor uma maneira de salvar o mundo através só da religião?”

– Miguel Proença

E concluiu, resumindo sua filosofia de vida e arte: “Minha religião é agradar o público.”

Fonte: O Dia

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