Parlamentar, preso na quarta-feira, teria recolhido R$ 9 milhões em comunidade para trocar por dólares para uma organização criminosa. Prisão preventiva foi mantida em audiência de custódia.

TH Joias, preso nesta quarta (3)
O deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Joias, é investigado por usar o mandato para benefício de uma facção criminosa, conforme aponta a Polícia Federal. O parlamentar teria recolhido R$ 9 milhões em espécie em uma comunidade do Rio de Janeiro para converter em dólares para o grupo criminoso. A informação foi revelada a partir de documentos da investigação.
A conversão de moedas é uma das formas de lavagem de dinheiro pela qual ele é investigado. Outras atividades ilícitas no foco da investigação incluem organização criminosa, tráfico internacional de armas e drogas, e corrupção ativa e passiva.
Prisão mantida e transferência
Em audiência de custódia realizada nesta quinta-feira (4), a prisão preventiva de TH Joias foi mantida. A mesma decisão foi aplicada a Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, ex-assessor do deputado, e Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como Índio, traficante envolvido no esquema.
De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), TH Joias foi transferido para a Penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira (Bangu 8). Já seus comparsas estão na Penitenciária Laércio da Costa Pellegrino (Bangu 1).
O Tribunal Regional Federal (TRF) da 2ª Região (Rio e Espírito Santo) determinou que os acusados sejam levados para uma unidade prisional federal. A medida também se estende a Luciano Martiniano da Silva, conhecido como Pezão, um traficante foragido que também é mencionado na investigação.
Perda do cargo e imunidade parlamentar
Ainda na quarta-feira (3), poucas horas depois da prisão, o deputado foi destituído da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A saída ocorreu após o governador Cláudio Castro (PL) exonerar Rafael Picciani (MDB) do cargo de secretário estadual de Esporte e Lazer, permitindo que ele reassumisse sua cadeira na Alerj.
Essa medida evita a abertura de um processo de cassação contra TH Joias. Com a perda do cargo, ele também perdeu o foro privilegiado e a imunidade parlamentar, que restringem prisões a casos de flagrante ou crimes inafiançáveis. Com isso, o processo judicial contra ele pode seguir seu curso normal no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ).
Em nota, o governador Castro afirmou que o retorno de Picciani já estava previsto, mas foi antecipado devido à prisão de TH Joias.
Detalhes da Operação
A prisão de TH Joias ocorreu na manhã de quarta-feira, na Barra da Tijuca, em uma operação conjunta da Polícia Civil, Polícia Federal e Ministério Público do Rio (MPRJ). As investigações apontam para movimentações financeiras suspeitas envolvendo empresas do deputado, com alertas de diversas instituições financeiras.
Além da lavagem de dinheiro, o parlamentar também é suspeito de intermediar a compra e venda de entorpecentes, fuzis e equipamentos antidrones, que seriam enviados a comunidades controladas pela facção criminosa.
O secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi, ressaltou a gravidade da situação em comunicado oficial.
“Estamos diante de uma investigação que comprova a infiltração direta do crime organizado dentro do parlamento fluminense. O deputado eleito para representar a sociedade colocou seu mandato a serviço da maior facção criminosa do Rio de Janeiro. A ‘Operação Bandeirante’ é mais uma demonstração de que não haverá blindagem política para criminosos: seja traficante armado na favela ou de terno na Assembleia, a resposta do Estado será a mesma.”
A reportagem buscou contato com a defesa de TH Joias, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para manifestações.
Fonte: O Dia


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