Garotinho diz que Lula é bilionário e, mesmo assim, pede para o povo não votar em rico
29 de julho de 2025

Ex-governador acusa presidente de incoerência e diz que programas sociais do Governo Federal viraram estilo de vida.

Na artilharia do pré-candidato ao governo estadual, Anthony Garotinho, que na primeira parte desta entrevista atacou o governador Claudio Castro e o prefeito Eduardo Paes, sobrou munição ainda para um bombardeio sobre o presidente Lula. Disse que o petista é contraditório ao pedir para o povo não votar em rico e ao mesmo tempo declarar ao TSE um patrimônio superior a R$ 7 milhões.

Responsabilizou o PT pelo desgaste dos programas sociais, quando muitos beneficiários passaram a adotá-los como estilo de vida. Lembrou que Lula foi eleito defendendo uma Frente Ampla, mas que governa com petistas sectários. Ao final, após criticar a atuação da esquerda no mundo e no Brasil, demonstrou ter saudade de Leonel Brizola, líder trabalhista que também foi governador do Rio e morreu em 2004.

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DIÁRIO DO RIO: Mesmo sem o apoio da Família Bolsonaro, o senhor disse que virá candidato. Será como uma espécie de “Terceira Via” para quebrar esta polarização entre petistas e bolsonaristas que vem desde 2014?

Garotinho: Vou me colocar como alguém que está preparado para governar e negociar a dívida do Estado, porque é público até para quem não gosta de mim, que a melhor negociação até hoje quem fez fui eu. Em 1999, quando o presidente era o FHC, e o ministro da Fazenda era o Malan. Eu saneei as contas públicas. Depois, em 2000 e 2001 começaram a aparecer as minhas realizações, com Delegacia Legal, estradas por todo o estado, sede do Bope, batalhão da PM em Copacabana, galeria de esgoto na Lagoa Rodrigo de Freitas, emissário de Ipanema. Enfim, tudo que realizei em todo o Estado. Primeiro eu tive que sanear o estado. Sem dinheiro não existe bom administrador.

DDR: Pretende reeditar os programas populares a preços simbólicos de sua gestão, como Restaurante Popular, Farmácia Popular e Hotel Popular?

Garotinho: Os programas sociais, hoje, caíram numa situação muito ruim devido uma mentalidade que foi criada. O programa social é transitório. A pessoa passa por ele, usufrui dele, mas não pode viver desses programas. Só em casos especiais. Hoje, o que você tem, muito por culpa do Governo Federal, é que as pessoas fizeram dos programas estilo de vida. O melhor programa é a carteira de trabalho assinada.

DDR: Qual a avaliação que o senhor faz da gestão do presidente Lula?

Garotinho: O Lula foi eleito defendendo uma Frente Ampla, mas tá fazendo um governo petista. Os postos estratégicos do governo estão ocupados por petistas sectários. Isso faz com que o Brasil tenha uma política externa totalmente errada, que se alia ao Irã, que passa mão na cabeça do Ortega, na Nicaragua, de Maduro, na Venezuela e faz com que briguemos com as maiores potencias do mundo. Um equívoco total. Vai levar o país, de novo, a um atraso econômico imenso.
Além disso, o governo Lula parece que não entendeu o que aconteceu nos governos dele próprio. Temos escândalos proporcionais ao Petrolão, ao Mensalão, até o Aposentadodão do INSS. É um escândalo.
O Lula foi em Osasco na sexta-feira passada (25/jul), e disse que o pobre no Brasil precisa de parar de votar em candidato rico. Seria como colocar a raposa para cuidar do galinheiro. E se já é rico, é porque já roubou, disse ele. Ocorre que o Lula declarou ao TSE um patrimônio superior a R$ 7 milhões. É bilionário.

DDR: Então, na campanha, com o Lula o senhor será Garotinho Malvadeza e não Garotinho Todo Ternura?

Garotinho: Não é isso. Eu fiz campanha para o Lula várias vezes. Votei nele a pedido do Brizola, em 89, no segundo turno. Depois na chapa Lula/Brizola. Fui o coordenador da campanha. Em 2002, quando eu quase ultrapassei o José Serra, no segundo turno eu o apoiei de novo. Agora chega. Durante 20 anos ele teve a oportunidade de tirar o Brasil das mãos do capital financeiro e continua entregando o país para os bancos. Vamos pagar de juros este ano R$ 1,1 trilhão. Isso é impossível. É mais do que vamos gastar em Saúde, Educação e programas sociais. Como um país deste vai pra frente. E é o Partido dos Trabalhadores que permite uma situação como esta.

DDR: Sua carreira política nasceu no berço do principal partido de esquerda na época, o PT e, logo depois, o senhor migrou para as hostes do brizolismo, militando, inclusive, na Juventude Socialista. Depois passou pelo PSB, PMDB, PR e agora se lança pré-candidato pelo Republicanos, legenda de perfil conservador e aliada ao Bolsonarismo. Praticamente fez o pêndulo da extrema esquerda (PT da época) à extrema direita. Seguiu o lema do ‘aos 20, incendiário, aos 40, bombeiro’ ou foi oportunismo eleitoral?

Garotinho: Eu fiquei 18 anos no PDT. Comecei a disputar eleição em 82 mas, antes disso, já fazia uma militância política muito forte na clandestinidade em organizações de esquerda. Estudei muito e fui evoluindo.
Confesso a você, que na minha maturidade, vejo que os extremos de um lado ou de outro, levam a situações que trazem problemas para o povo. Por exemplo, aquilo que podemos considerar estrema direita no mundo. Hitler matou 10 milhões de pessoas, sendo 6 milhões de judeus, além de ciganos, negros, completando 10 milhões. Em compensação, na esquerda, Stalin na Rússia matou 60 milhões. Sem incluir khmer Vermelho, no Camboja, execuções em Cuba, Coréia do Norte. Então, o melhor para o mundo é a democracia real, onde você tem imprensa livre, direito de opinião assegurado, onde você respeita a liberdade religiosa e econômica.
O que ocorreu é que a esquerda envelheceu. Eu lamento muito que aquela utopia tenha se esgotado em boa parte do mundo. Nós vimos que após a queda do muro de Berlim não havia ninguém querendo passar do lado ocidental para o oriental. Só o contrário. Então, eu me comporto de acordo com as minhas convicções. Hoje eu sou um trabalhista porque compreendo que o trabalhismo foi o único sistema político que teve a capacidade de conciliar o desenvolvimento com a justiça social. Protegeu o trabalhador e fez o país crescer.
Durante aproximadamente 30 anos, de 1930 até 1960, o Brasil cresceu a uma média de 7% ao ano graças a criação da Petrobras, Eletrobras, Vale, do BNDES e das conquistas trabalhistas do presidente Getúlio Vargas. Se você me perguntar hoje se sou de esquerda ou de direita, eu digo que o mundo não se resume a isso. O mundo tem outras doutrinas. Eu sou trabalhista, sou liberal e sou conservador. Então, a minha opção, neste quadro político que estamos vivendo hoje é esta, não compactuo com este tipo de radicalismo que não faz bem nem ao capital e nem ao trabalho.

DDR: Sendo candidato do campo conservador, o senhor pretende abraçar discursos no campo dos costumes e da moralidade, temas agradáveis aos ouvidos dos bolsonaristas e evangélicos, ou não dará destaque a isso na tentativa de conquistar um naco dos eleitores de centro e centro-esquerda?

Garotinho: Eu posso citar as minhas opiniões no campo dos costumes, mas o foco principal será nos problemas do estado. Como sair da crise financeira, como vencer a violência, melhorar a educação, voltar a crescer. Tenho uma frase famosa. “Todo mundo que tem posição, tem oposição”.

DDR: O carro chefe desta campanha será a área de Segurança. O senhor já tem uma proposta neste setor, como no combate ao crescimento do Comando Vermelho e das milícias e da atuação de policiais da ativa nos grupos de milicianos?

Garotinho: A política de segurança requer prevenção, modernização do aparelho policial e repressão qualificada. Retomar políticas para os jovens, os maiores atingidos, como vítimas e atores. Vou promover o retorno do treinamento das forças policiais, que foi abandonado. Eu que criei o ISP (Instituto de Segurança Pública), o programa de polícias integradas, as Delegacias Legais, sede do Bope, aparelho de interceptação de ligações. Fazer com que as forças policiais voltem a trabalhar com eficiência, inteligência e força proporcional.

DDR: Esta aliança com Washington Reis existe desde quando?

Garotinho: Eu o conheci quando era governador. Ele foi ao Palácio Guanabara reivindicar professores da Faetec para os centros sociais que tinha em Caxias. Aí fomos nos aproximando. Na eleição de 2004 para prefeito de Caxias, o Zito lançou o ex-presidente da Câmara, Laury Villar, como seu sucessor. Eu queria derrotar o Zito porque ele fazia uma coisa muito feia. Eu fazia obras em Caxias, como asfaltar ruas nos bairros. Ele vinha e pintava os meios-fios de amarelo (marca da sua administração), tirava as minhas placas e colocava as dele. Até falei com ele. Pode colocar as suas placas, mas não tire as minhas, é muito feio. Tivemos outros desentendimentos e passei a querer derrota-lo. Ele era muito forte no município. Ninguém queria enfrenta-lo. Eu convenci o Washington Reis a vir candidato. Fomos pro segundo turno e o derrotamos e, desde então, nos tornamos grandes amigos.
Outra campanha que destaco foi a de 2002. Todas as candidaturas colocadas tinham apoio das máquinas do poder. A Solange Amaral tinha apoio da máquina da Prefeitura. O Jorge Roberto Silveira, super bem avaliado, tinha a máquina de Niterói e a Benedita da Silva, a máquina do Governo do Estado. E nós não tínhamos máquina nenhuma porque estávamos fora do governo. Eu havia renunciado para disputar a Presidência. Fomos com a força do povo e vencemos o pleito no Estado.

DDR: Neste pleito o senhor teve o apoio do Brizola.

Garotinho: Ele não tinha máquina…

DDR: …mas tinha voto.

Garotinho: O PDT neste momento estava passando por um momento muito difícil porque, no segundo mandato do Brizola (1991/1994) ele sofreu um cerco muito grande da mídia, especialmente das Organizações Globo. Ele sofreu um cerco econômico muito grande do Governo Federal, que temia que ele chegasse à Presidência da República. Ele com toda certeza, se fosse presidente, o Brasil não estaria como está hoje. Ele tinha uma visão de estadista e era respeitado internacionalmente. Com Brizola hoje, o Brasil teria uma outra postura no cenário mundial.

Fonte: Diário do Rio

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