EUA mobilizam mais de 4 mil militares para águas ao redor da América Latina como parte de esforço para conter cartéis

A Marinha dos Estados Unidos começou a mobilizar mais de 4 mil fuzileiros navais e marinheiros para as águas da América Latina e do Caribe nesta sexta-feira como parte de um esforço intensificado para combater cartéis de drogas, informou a CNN, com base em informações de duas autoridades de defesa americanas. A movimentação ocorre no momento em que a presidente do México, Claudia Sheinbaum, está em viagem para a Guatemala. Segundo ela, porém, a operação ocorre em águas internacionais, não se configurando como intervencionismo.

O contingente é formado por militares do Grupo Anfíbio de Prontidão Iwo Jima (ARG, na sigla em inglês) e da 22ª Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais para o Comando Sul dos EUA. Sua movimentação faz parte de um reposicionamento mais amplo de ativos militares para a área de responsabilidade do Comando Sul dos EUA (Southcom), que vem sendo realizado nas últimas três semanas, disse uma das autoridades de defesa.

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Um submarino de ataque com propulsão nuclear, aeronaves de reconhecimento P8 Poseidon adicionais, vários contratorpedeiros e um cruzador de mísseis guiados também estão sendo alocados para o Comando Sul dos EUA como parte da missão, segundo as fontes da CNN.

Segundo a imprensa americana, o destacamento americano teria como objetivo combater o tráfico de drogas e pressionar o governo venezuelano. Uma terceira pessoa familiarizada com o assunto especificou à CNN que os recursos adicionais visam “enfrentar ameaças à segurança nacional dos EUA vindas de organizações narcoterroristas especialmente designadas na região”.

Um oficial da Marinha disse à CNN que a Unidade Expedicionária de Fuzileiros Navais “está pronta para executar ordens legais e apoiar os comandantes combatentes nas necessidades que lhes forem solicitadas”.

Na semana passada, o presidente Donald Trump assinou secretamente uma diretiva ao Pentágono para começar a usar força militar contra cartéis de drogas latino-americanos classificados por seu governo como organizações terroristas. A ordem fornece uma base oficial para a possibilidade de operações militares diretas no mar e em solo estrangeiro contra cartéis, levantando questões jurídicas.

A decisão de envolver as Forças Armadas na questão é a medida mais agressiva até agora na campanha crescente do governo contra os cartéis. Isso sinaliza a disposição contínua de Trump de usar as forças militares para cumprir o que tem sido considerado principalmente uma responsabilidade das autoridades policiais: coibir o fluxo de fentanil e outras drogas ilegais.

Não é a primeira vez, porém, que os EUA realizam mobilizações perto da fronteira marítima com o México. Em março, as forças americanas enviaram contratorpedeiros para áreas ao redor da fronteira entre os países para apoiar a missão de segurança de fronteiro do Comando Norte dos EUA e reforças a presença dos EUA no hemisfério ocidental.

— Nossa opinião sempre será a autodeterminação dos povos. Não somente no caso do México, mas no caso de todos os países da América e do Caribe — afirmou Sheinbaum durante sua coletiva de imprensa matinal. — Colaboramos, coordenamos, há instâncias internacionais para resolver conflitos, mas nunca o intervencionismo.

Questionada sobre as declarações do presidente americano, Donald Trump, no sentido de que México e Canadá fazem o que Washington pede, afirmou:

— O presidente Trump tem uma forma de falar, mas (…) o único que manda no México é o povo, tão simples e tão importante assim.

Fonte: O GLOBO

Por Seropédica Online

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