Oficinas de breakdance, graffiti, ritmo e poesia, beatmaker e DJ são oferecidas aos estudantes do ensino médio de forma gratuita
Música, dança e poesia estão cada vez mais presentes em quatro escolas estaduais de Seropédica. Desde abril, o movimento Hip Hop ao Redor realiza atividades nas unidades escolares promovendo oficinas de breakdance, graffiti, ritmo e poesia, beatmaker, DJ, entre outras capacitações. O objetivo principal é facilitar o contato entre os jovens e os elementos da cultura urbana.
O projeto começou em abril, atendendo o CIEP 155 – Maria Joaquina de Oliveira, localizado no Km 49. Em seguida, no mês de maio, foi a vez do CIEP 156 Dr. Albert Sabin, no Km 40, receber a iniciativa. Em junho, projeto foi realizado no Colégio Estadual Presidente Dutra, no bairro Ecologia. Por onde passou, o Hip Hop ao Redor buscou integrar educação à arte urbana por meio de palestras e oficinas voltadas à difusão dos cinco elementos do Hip Hop: grafite, break dance, as batidas do DJ (beat), as rimas dos MCs e, principalmente, o conhecimento. O projeto tem apoio de inclusão com libras e audiodescrição.
As programações ocorreram semanalmente, durando de quatro a oito horas de aula, que são divididas em dois dias. Qualquer estudante matriculado nas instituições de ensino pôde participar das atividades.
Isabella Arruda é uma das produtoras do projeto e desempenha o ofício de educadora popular e arte-educadora em diversas iniciativas que englobam arte e educação. Isabella explicou que que é muito importante que haja integração entre as disciplinas escolares e os fundamentos do Hip Hop ao longo das atividades do programa.
– Apresentamos os elementos do Hip Hop de forma teórica e prática visando o associar as áreas do conhecimento (disciplinas da rede pública) ao conteúdo apresentado. Por exemplo: a matemática pode ser trabalhada na oficina de beatmaker, física com a oficina de DJ, literatura e português com rap, arte com graffiti, educação física com breaking e o conhecimento com história, sociologia e geografia. Nessa medida, a gente consegue conectar o cotidiano do aluno com a cultura hip hop de forma prática – ressaltou ela.
Estudante de Belas Artes da UFRRJ, Isabella descreve o início do seu contato com a cultura Hip Hop e não nega a influência positiva que a arte possui em sua vida. Por meio do Hip Hop ao Redor ela quer oferecer a mesma oportunidade aos jovens de Seropédica.
– Meu contato com a cultura Hip Hop começou ainda na adolescência, ouvindo rap com os amigos do ensino médio. Hoje, sou educadora popular e arte-educadora, e a partir das experiências em ações sociais, aprofundei meu contato com a rua e a cultura Hip Hop – contou ela. – Como estudante de Belas Artes da UFRRJ, busco trazer a linguagem da rua para dentro da sala de aula e contribuir para que a comunidade observe a rua de uma forma mais sensível.
Assim como Isabella, Diogo de Oliveira, artisticamente conhecido como Fybrikolage, é um dos autores do projeto e relata uma experiência parecida com a da colega.
– Quando tinha 10 anos, e morava em Itaguaí, costumava andar de skate pela cidade conhecendo outras pessoas envolvidas no movimento underground itaguaiense, a galera que fazia rap, tocava hardcore e fazia graffiti. A partir disso, me identifiquei imediatamente com a cultura de rua – comentou.
Diogo, que também coordena as oficinas de graffiti e beatmaker, faz uma avaliação do movimento dos jovens.
– Hoje, percebo o hip hop como a retomada do espaço e do protagonismo pelo jovem periférico, promovendo união e justiça social. De um modo direto ou indireto, o hip hop, desde cedo, esteve presente na minha vida – disse ele.
O Hip Hop ao Redor surgiu a partir do edital de fomento cultural “Hip Hop nas Escolas”, lançado pela Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro (SECEC), cujo objetivo consiste em incentivar propostas educativas voltadas para a cultura Hip Hop, através da perspectiva pedagógica. Contando com esse apoio, Isabella e Diogo idealizaram o projeto, que foi habilitado para ser executado no ano de 2025, a partir dos recursos do Estado e das Emendas Parlamentares da Deputada Dani Monteiro (Psol).
No mês de julho, o projeto acontece no CAIC Paulo Dacorso Filho, no bairro Ecologia, onde mais estudantes terão a oportunidade de conhecer a cultura do Hip Hop e espalhar sua filosofia.
– Nossa expectativa é que, através deste trabalho, possamos multiplicar a visão de uma sociedade mais disposta e absorver a arte e a cultura que saem das comunidades e são representadas por jovens periféricos, pretos e pardos – sonha Isabella.
Ficha técnica do projeto:
Produção executiva: Isabella Arruda
Produção: Diogo de Oliveira
Oficineiros: Fybrikolage, Natte Carvalho, João “PAC” Coutinho e Da velha
Filmagem e fotografia: Marcelo Albuquerque
Intérprete de Libras: Daniel Siqueira
Audiodescrição: Gilson Moreira
Artistas convidados: DJAugusto, Rubi, Jovem e Grower
Design: Isabella Arruda
Texto: João Pedro de Moraes (estudante de Jornalismo sob supervisão da professora Cristiane Venancio)
Fotos: Marcelo Albuquerque



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