Conheça a História de São Francisco do Conde na Bahia (Fotos e Vídeos)

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Em 1618, por ordem do Conde de Linhares, foi construído no alto de um monte, no Recôncavo Baiano, um convento e uma igreja, onde, mais tarde, surgiria a cidade de São Francisco do Conde, em 1698. O nome homenageia o padroeiro da cidade e o conde Fernão Rodrigues, que herdou o terreno do 3° governador-geral do Brasil, Mem de Sá. A região onde fica a cidade foi conquistada pelo império português através de guerras travadas contra os índios que viviam nas margens dos rios Paraguaçu e Jaguaribe.

São Francisco do Conde, terceiro município do Recôncavo, guarda um grande patrimônio do Brasil Colonial. A cidade é rica em sobrados, igrejas e engenhos, construídos durante a administração portuguesa no país. A arquitetura imponente é um convite para um passeio ao século XVI, relembrando e mantendo viva uma parte importante da história do Brasil. O município se localiza em uma área na qual ainda se preserva reservas de Mata Atlântica e riquíssimos manguezais, contribuindo para a biodiversidade da região.

No passado, a riqueza da cidade se baseava nas plantações de cana de açúcar que deram início ao desenvolvimento econômico da área. Hoje, a extração, o refino e o processamento de petróleo são as principais atividades econômicas da região. São Francisco do Conde mantém o clima de cidade do interior, com sua arquitetura barroca, com a tranqüilidade e com seu porto de canoas para os pescadores. A cidade também está se desenvolvendo e possui uma orla marítima bela, urbanizada e moderna, trazendo um apaixonante contraste visual.

A diversidade de etnias que ajudou a construir São Francisco do Conde culturalmente está presente no cotidiano da cidade. As palmeiras imperiais, símbolo da administração portuguesa, estão por toda parte, as construções coloniais são majestosas e conservam a memória da região. Os Tupinambás e os Caetés Negros deixaram de legado, entre outras coisas, uma rica gastronomia. O mingau de farinha de milho, a tapioca e o preparo do peixe assado na folha de bananeira são exemplos dessa herança. A habilidade com a pesca e a técnica das mulheres marisqueiras também surgiram com os primeiros habitantes da região. São Francisco do Conde possui uma história riquíssima e que se confunde com a história do Brasil. A cidade é única e consegue reunir história, cultura e a tranquilidade típica do Recôncavo Baiano em um só lugar.

Turismo

O Convento de Santo Antônio, parte do conjunto arquitetônico que conta ainda com Igreja e Ordem Terceira, é a construção que mais se destaca no centro histórico da cidade, nascida em torno do convento. Imagens sacras em marfim, mobiliário em jacarandá, documentos raros, telas e painéis de azulejos fazem parte do acervo desse monumento do século XVII, na praça Artur Sales.

A Igreja Matriz de São Gonçalo é um exemplar do estilo barroco no Recôncavo, com destaque para peças em rococó no interior da nave. Na praça da Independência, em frente ao píer de atracação, a Casa de Câmara e Cadeia, construída entre 1693 e 1750, é um marco da arquitetura civil.

Como chegar: a parte histórica da cidade está no centro, limitando-se entre a orla marítimo-fluvial e as encostas com suas igrejas.

Ilha de Cajaíba
Com oito quilômetros de extensão, fica exatamente em frente à sede do município, na foz do rio Sergi, separada do continente por um canal. Além do passeio de barco – única forma de acesso ao local – é possível fazer caminhadas por toda a ilha, que dispõe de uma pequena praia particular na contracosta. O conjunto arquitetônico, em bom estado de conservação, remonta ao período áureo da nobreza açucareira.

Como chegar: para atravessar, dez minutos de barco.

Ilha das Fontes
Abriga as ruínas de um engenho e seus antigos moradores contam inúmeras histórias. Conhecida com este nome desde o século XVI, devido a inúmeras fontes existentes e consideradas as maiores e de melhor água das redondezas, a Ilha das Fontes é de propriedade de vários lavradores.

Como chegar: está situada a sudeste da sede, a aproximadamente 5 km da distância. É possível fretar barcos de pescadores para a visita.

Imperial Instituto Baiano de Agricultura
A pé, de bicicleta ou de automóvel chega-se às ruínas do Imperial Instituto Baiano de Agricultura, primeiro da América Latina, na localidade de São Bento das Lages, nas terras do engenho de propriedade dos padres beneditinos, às margens dos rios Subaé e Sergimirim. Foi criado em 1859, pelo Imperador D. Pedro II, inaugurado em 1877 e funcionou até 1930. Distante três quilômetros do centro da cidade, em estrada de terra, o local oferece uma bela paisagem do alto do imponente prédio de 365 janelas, por onde se avistam pescadores e marisqueiras nos bancos de areia e no manguezal.

Dicas: leve máquina fotográfica ou filmadora e desfrute o visual das ruínas e do verde ao redor do rio Sergimirim.
Como chegar: a partir do centro da cidade, toma-se o rumo de São Bento das Lages, a cerca de 3 km de distância, metade percorrida em estrada de barro.

Monte Recôncavo
Mirante natural da Baía de Todos os Santos, de onde se avistam diversas ilhas e até a cidade de Salvador, quase na linha do horizonte. Aí está a Igreja de Nossa Senhora do Monte, construída entre os séculos XVII e XVIII, no ponto mais elevado do município, a 180 metros de altitude.

Dica: deste ponto se consegue uma das mais belas vistas do conjunto Recôncavo – Baía de Todos os Santos.
Como chegar: saindo da sede de São Francisco do Conde, a leste, percorre-se a BA-522 por aproximadamente 2 km de via asfaltada, em direção a Candeias.

Casa e Capela do Engenho D´água
Conjunto arquitetônico do início do século XIX com casa-grande, capela, casa de trabalhadores, depósitos e barcaças de cacau. Em meados do século XX foi introduzida, com sucesso, a primeira plantação de cacau, que se espalhou na região. A casa é distante da capela cerca de 250 metros, por uma trilha íngreme. A capela, de formato octogonal, foi construída em louvor ao Senhor Bom Jesus de Bouças, cuja imagem foi trazida de Roma, em 1763.

Dicas: cuidado com os formigueiros na trilha.
Como chegar: saindo da sede de São Francisco do Conde, a leste, percorre-se a BA-522 por aproximadamente 8 km de via asfaltada, entrando-se à direita da BA-522, que liga São Francisco do Conde a Candeias.

Igreja de Nossa Senhora do Vencimento
Outro conjunto arquitetônico da época áurea do ciclo da cana-de-açúcar, pertencente ao antigo engenho Paramirim. Da casa grande só restam as ruínas e, da igreja, pouco mais que isso. Misturando o estilo neoclássico com torres bizantinas, a igreja está em um belo cenário fotográfico, onde as ruínas servem de moldura para o verde vale.

Dicas: leve água e um guia local
Como chegar: saindo da sede de São Francisco do Conde, a leste, percorrer a BA-522 por aproximadamente 15 km em direção a Candeias; antes do povoado de Paramirim, entrar à direita para o povoado de Vencimento.

Fotos e Vídeos: Iony Calderini