Atacante foi condenado por conduta antiética e também terá de pagar multa; defesa do jogador já anunciou que irá recorrer da decisão
Bruno Henrique comemora gol em Flamengo x Vitória — Foto: Alexandre Durão
O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, foi condenado a uma suspensão de 12 jogos e a uma multa de R$ 60 mil pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) após um longo julgamento que se estendeu por mais de oito horas. A decisão, tomada nesta quinta-feira (5), considerou que o jogador agiu de forma “contrária à ética desportiva”, em um caso que envolveu a suspeita de manipulação de resultado e apostas esportivas.
O jogador era acusado de forçar um cartão amarelo em uma partida do Campeonato Brasileiro de 2023, contra o Santos, com o objetivo de beneficiar apostadores. Embora tenha sido absolvido do artigo que trata de manipular e prejudicar uma equipe, a maioria dos auditores (quatro votos a um) entendeu que sua conduta se enquadrava no artigo 243-A do Código de Justiça Desportiva, que penaliza ações antiéticas no esporte.
O julgamento ocorreu na sede do STJD, mas Bruno Henrique participou da audiência por videoconferência, acompanhando a maior parte do processo e se declarando inocente. Ele foi representado pelo advogado Alexandre Vitorino, enquanto o Flamengo contou com a presença de Michel Assef Filho e Flavio Willeman, vice-presidente do clube.
Flamengo vai recorrer e pedirá efeito suspensivo
Após a divulgação da sentença, a defesa de Bruno Henrique anunciou que irá recorrer da decisão para que o caso seja reavaliado pelo pleno do STJD. Além disso, o Flamengo vai solicitar o efeito suspensivo da pena, uma medida prevista em lei para suspensões a partir de dois jogos. A expectativa do clube é que o pedido seja aceito para que o atleta possa continuar atuando até o novo julgamento.
Em nota oficial, a defesa do jogador manifestou confiança na reversão da pena, destacando que “os votos de parte dos auditores pela absolvição de Bruno Henrique mostram que há séria dúvida no Tribunal contra a acusação”.
Entenda a investigação

Julgamento do Bruno Henrique, do Flamengo — Foto: Emanuelle Ribeiro / ge
A investigação do caso teve início em agosto de 2024, conduzida pela Polícia Federal. O atacante foi indiciado por fraude esportiva, e a denúncia do Ministério Público do DF foi aceita pela Justiça Comum, o que o tornou réu. A acusação se baseia em uma operação de busca e apreensão realizada em novembro, na qual conversas extraídas do celular de Wander Nunes Pinto Junior, irmão do jogador, teriam revelado o esquema.
Segundo as investigações, Bruno Henrique teria informado ao irmão que receberia um cartão amarelo em uma partida contra o Santos. O alto volume de apostas no evento, realizadas por Wander, sua esposa, uma prima e amigos, levantou suspeitas das empresas de apostas, que reportaram a situação às autoridades. Além do jogador, outras pessoas, incluindo seu irmão, estão sendo investigadas pela Polícia Federal por envolvimento no caso.
No âmbito esportivo, a Procuradoria do STJD denunciou, além de Bruno Henrique, outros quatro atletas amadores ligados a Wander, por participação no esquema. Três deles compareceram à audiência virtualmente, enquanto o irmão do jogador foi representado por um advogado. A Procuradoria denunciou o atleta em diversos artigos do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD) e do regulamento da CBF.
A situação de Bruno Henrique é delicada, pois ele agora enfrenta processos tanto na esfera desportiva quanto na justiça comum, o que pode resultar em graves consequências para sua carreira e vida pessoal, dependendo dos resultados dos julgamentos futuros.
O que a defesa do atleta diz:
“Os votos de parte dos auditores pela absolvição de Bruno Henrique mostram que há séria dúvida no Tribunal contra a acusação, em favor da defesa.”
“A defesa do atleta pedirá efeito suspensivo e entrará com recurso para que o pleno do STJD possa definitivamente julgar o tema, confiando que a justiça será reestabelecida com a absolvição do atleta”.


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