Transtorno bipolar é uma das doenças que mais levam o paciente à internação psiquiátrica

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Em alusão ao Dia Mundial do Transtorno Bipolar, celebrado nesta quarta-feira (30), o especialista Helder Gomes, psiquiatra e diretor clínico do Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), esclarece aspectos relacionados aos sintomas, ao diagnóstico e ao tratamento da doença.

A condição afeta cerca de 1 a 2% da população mundial. Alguns casos apresentam maior gravidade, configurando uma das principais causas de internação hospitalar na área da Psiquiatria. Como em outras doenças afetivas, provoca uma mudança drástica no comportamento e nas relações sociais do indivíduo, afetando sua funcionalidade.

Como identificar o transtorno bipolar

Gomes explica que o transtorno bipolar não é o que a maior parte das pessoas costuma definir ao classificar o paciente como instável, irritado ou ríspido.

“As pessoas com transtorno bipolar apresentam episódios de humor de dois polos diferentes. Um dos polos, chamado de episódio de mania, é caracterizado por crise de euforia, grandiosidade, autoestima inflada, com uma alta energia para enfrentar o dia, mesmo sem ter dormido bem. A pessoa fala mais do que o normal, em tom alto, envolvendo-se também em atividades de risco, como compras excessivas, práticas sexuais indiscriminadas, ou seja, essa pessoa entra numa verdadeira crise psiquiátrica do polo superior”, diz.

Ainda de acordo com o especialista, em outros momentos, essa pessoa pode sucumbir a crises depressivas, com sentimento de tristeza, angústia, desânimo, falta de energia, vontade de chorar, insônia, falta de apetite e pensamentos pessimistas.

Causa da doença

A principal causa envolve fatores genéticos, ou seja, há uma hereditariedade importante no transtorno bipolar. Além disso, há outros fatores fisiopatológicos, como é o caso de algumas alterações de neurotransmissores, principalmente serotonina, noradrenalina e dopamina.

Tratamento

Quando a pessoa apresenta algum tipo de crise, é importante que procure um atendimento especializado para se restabelecer o mais rápido possível. “Até mesmo nos períodos de manutenção, quando aparentemente tudo está sob controle, é importante não abandonar o tratamento para reduzir a chance de ocorrência de novas crises”, orienta.

De acordo com o diretor clínico do HSM, o tratamento é realizado com medicamentos estabilizadores de humor. “Como o transtorno bipolar se caracteriza por crises, essa pessoa vai passar diversos momentos levando uma vida normal, daí a importância de instituir um tratamento adequado para que o paciente possa permanecer bem. O ideal é que não deixe de comparecer às consultas com psiquiatra e psicólogo e siga as recomendações dos especialistas”, ressalta.

Além disso, o tratamento é fundamental para evitar crises graves com necessidade de internamento. Uma terapia adequada diminui as chances de internação, pode melhorar a qualidade de vida do paciente e permitir que ele fique bem por um longo período de tempo.

No Hospital de Saúde Mental, o tratamento é realizado no Ambulatório de Transtorno de Humor. Para ter acesso, os pacientes precisam ser encaminhados pelos postos de saúde e atendidos, primeiramente, pelo Ambulatório Geral do HSM, que confirma o diagnóstico e encaminha os casos mais graves.

Os residentes atendem os pacientes com a supervisão do psiquiatra preceptor. O acompanhamento deve ser feito por tempo indeterminado para prevenir crises e internações.

Fonte: Governo do estado do Ceará