Causa da morte foi traumatismo craniano na nuca; vítima apresentava pelo menos 30 lesões pelo corpo, inclusive na região anal. Bastão foi apreendido e pode ter sido usado

O cônsul alemão Uwe Herbert Hahnn foi preso, por volta das 19h deste sábado, acusado pelo homicídio do seu marido, o belga Walter Henri Maimilien Biot. O diplomata, que estava casado com a vítima havia 20 anos,  nega a acusação e diz que o marido sofreu um mal súbito, morrendo após desmaiar de frente, batendo com o rosto no chão. A perícia, no entanto, apontou pelo menos 30 lesões no corpo do Belga e a causa da morte traumatismo craniano na nuca.
 
A reportagem teve acesso ao documento que aponta escoriações e hematomas na região anal, face, braços e joelhos. Uma grande lesão, entre a barriga e o tórax também indicaria que houve um pisão, indicando que a vítima poderia ter sido imobilizada. 
 
A polícia apreendeu um bastão, que pode ter sido a arma usada para ocasionar as lesões, o que o exame pericial final poderá apontar. “Nós o autuamos em flagrante pela prática de homicídio, as minhas conclusões foram baseadas na perícia de necrópsia e de local. O corpo fala as circunstâncias de sua morte. Há diversas evidências de que houve uma morte violenta. Há marcas de pisadura  no tórax, golpes de instrumento cilíndrico no tórax, ele foi golpeado, foi agredido. A versão de que ele teria caído de rosto para o chão não se sustenta”, afirmou a delegada Camila Lourenço, assistente da 14ªDP (Leblon), responsável pelo caso.
 
A prisão do cônsul foi feita no Instituto Médico Legal (IML), onde ele passava por exame de corpo de delito. Bastante agitado, ele se recusou inicialmente a colaborar, assinando o papel que autorizava o exame.
 
Noite do crime
 
A polícia foi acionada na noite de sexta-feira, dia 5, para o apartamento do cônsul, uma cobertura em Ipanema, Zona Sul do Rio. O médico do Samu, identificado como Pedro Henrique, foi acionado por volta das 20h e se recusou a atestar o óbito por mal súbito. A polícia acredita que o cônsul tenha demorado a chamar o socorro e confessou que pediu para que uma limpeza fosse feita no apartamento, o que dificultou a perícia. No entanto, luminol foi usado no imóvel e marcas de sangue foram encontradas em móveis. 
 
Ao ser encontrado, o belga estava de cueca boxer branca, caído no chão da sala, e com gotas de sangue ao lado do corpo e na cueca. 
Ainda de acordo com a delegada, a vítima já vinha sofrendo algum tipo de agressão, já que algumas lesões apontam que foram feitas há dois dias. 
 
Imunidade
Segundo Caio Padilha, advogado criminalista,  a imunidade diplomática não se aplica no caso. “O Supremo tribunal federal (STF) ao analisar casos com esse tema aponta que o artigo 41 da Convenção de Viena só se aplica se o crime tiver relação com o exercício da função. Então, não há óbice que impeça a prisão preventiva ou em flagrante de um cônsul, principalmente em crimes graves”, disse. 
 
A prisão do cônsul realizada pela Polícia Civil foi em flagrante. A reportagem não encontrou sua defesa; o consulado alemão ainda não se manifestou.
 
Fonte: Meia Hora