
Desembargador Macário Júdice e o deputado estadual Rodrigo Bacellar — Foto: Reprodução e Lucas Tavares
Novos desdobramentos da investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) revelam o nível de proximidade entre o desembargador Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF2), e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União), ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O magistrado foi preso preventivamente nesta terça-feira (16) por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Indícios de Proximidade e Troca de Favores
A investigação baseia-se em interceptações telefônicas que demonstram uma relação de intimidade entre os suspeitos. Em uma das conversas, o desembargador solicita a Bacellar ingressos para uma partida entre Flamengo e Ceará, realizada em novembro.
Em resposta, o deputado assegura que conseguiria as entradas — destinadas a familiares do magistrado — afirmando: “Nem que eu arrebente o portão, darei um jeito. Tenho juízo, meu padrinho”. Para a Polícia Federal, as declarações de afeto e lealdade trocadas entre ambos reforçam a tese de uma aliança que compromete a integridade de processos judiciais.
Acusações de Obstrução e Vazamento de Sigilo
O cerne da investigação aponta que essa relação resultou na prática de obstrução de justiça. De acordo com a PF, o desembargador e o deputado teriam vazado informações sigilosas sobre uma operação contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos (TH Joias).
Os investigadores sustentam que:
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Na véspera da operação contra TH Joias, em setembro, o desembargador teria se reunido com Bacellar em uma churrascaria para repassar informações confidenciais.
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Bacellar, por sua vez, teria alertado TH Joias sobre a ação policial iminente.
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O desembargador era o relator do caso no TRF2 antes de o inquérito ser remetido ao STF.
Em sua decisão, o ministro Alexandre de Moraes destacou que a relação entre os investigados tem “impacto relevante” nas diligências contra organizações criminosas, configurando crime contra a administração da justiça.
Histórico e Defesa
Rodrigo Bacellar já havia sido preso na primeira fase da operação, no início de dezembro, sendo também afastado da presidência da Alerj. No entanto, ele recuperou a liberdade após a própria Assembleia Legislativa revogar o mandado de prisão.
Posicionamento da Defesa: O advogado Fernando Augusto Fernandes, representante de Macário Júdice Neto, contesta a prisão e afirma que o ministro Alexandre de Moraes foi “induzido a erro”. A defesa nega categoricamente o encontro na churrascaria mencionado pela PF, classificando a afirmação como mentirosa e sugerindo que imagens de segurança do estabelecimento podem provar a inocência do magistrado. Um pedido de soltura imediata será protocolado nos autos.
Informações via Jornal Extra


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