Manifestações em diversas cidades reforçam a pressão sobre o Congresso e o STF em meio ao julgamento do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar

Apoiadores de Jair Bolsonaro levaram cartazes e bandeiras com críticas ao STF na Avenida Paulista, em São Paulo.
Após uma série de manifestações que levaram milhares de pessoas às ruas no feriado de 7 de setembro, a oposição ao governo federal se sente fortalecida para intensificar a pressão em Brasília. O principal objetivo da mobilização é a aprovação de um projeto de anistia no Congresso Nacional, que beneficiaria o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros investigados em inquéritos do Supremo Tribunal Federal (STF).
O movimento nas ruas ocorreu em um momento crucial, em meio ao julgamento de Bolsonaro pela Suprema Corte, acusado de suposta tentativa de golpe de Estado. Além de clamar pela anistia, os manifestantes pediram o impeachment do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo contra o ex-presidente. O julgamento deve ser retomado nesta terça-feira (9), com expectativa de conclusão até o final da semana.

Manifestações em diversas cidades reforçam a pressão sobre o Congresso e o STF em meio ao julgamento do ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar
Líderes políticos se manifestam nos atos
Na Avenida Paulista, em São Paulo, o deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, discursou em defesa da anistia e da liberdade de expressão. Ele criticou o ministro Alexandre de Moraes, acusando-o de “violador de direitos humanos” e cobrou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), paute o pedido de impeachment do magistrado, que, segundo a oposição, já conta com 41 assinaturas de senadores.
A articulação para a anistia ganhou o apoio do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que cobrou publicamente o presidente da Câmara, Hugo Motta, para colocar a proposta em votação. “Não podemos nos afastar do Império da Lei”, declarou Tarcísio, defendendo que a Câmara deve ter a autonomia para decidir sobre o assunto. Ele e outros líderes de oposição esperam que a mobilização popular amplie o apoio à proposta, que busca perdoar todos os condenados ou investigados desde março de 2019, data de início do inquérito das fake news.

Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Michelle Bolsonaro e a prisão domiciliar do ex-presidente

Ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro
Presente no ato da Avenida Paulista, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro representou o marido e criticou a situação de prisão domiciliar e monitoramento policial imposta a ele. “Quem era para estar aqui era o meu marido, que hoje está amordaçado dentro de casa, com uma tornozeleira, não foi julgado e está preso”, desabafou. Ela questionou a alegação de risco de fuga de um homem de 70 anos, com sequelas de uma cirurgia recente, e classificou o processo como uma “injustiça” e “perseguição”.
O pastor Silas Malafaia, que foi alvo de uma operação de busca e apreensão, também discursou no evento, reclamando da apreensão de seus cadernos e passaporte. Malafaia alegou sofrer “perseguição religiosa” e acusou a divulgação de suas conversas com o ex-presidente de ser uma tentativa de denegrir sua imagem.

Pastor Silas Malafaia
Divergências políticas e o contraste nas ruas
Enquanto a direita comemorou o sucesso dos atos em diversas capitais, a esquerda, representada por partidos como o PT, registrou público abaixo do esperado em suas manifestações. Em Brasília, o ato pró-governo atraiu poucas dezenas de pessoas e não contou com a presença de ministros ou parlamentares. A mobilização da oposição preocupou o governo federal, que agora se articula para frear o avanço da anistia no Congresso.
A ministra Gleisi Hoffmann, da Secretaria de Relações Institucionais, agendou um encontro com ministros e representantes de partidos da base aliada para discutir estratégias contra a proposta. Hoffmann criticou a manifestação, destacando o uso de bandeiras de outros países, e afirmou que “a nossa luta é pelo Brasil, do lado do povo brasileiro”.


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