Dois dos dez presos são ou possuem negócios na região do Médio Paraíba

Mais um desdobramento da Operação Lava Jato foi iniciado na noite de domingo e seguiu até ontem pela Polícia Federal (PF) e Ministério Público Federal (MPF). Trata-se da Operação Ponto Final, que aponta que entre 2010 e 2016, o ex-governador Sérgio Cabral, que está preso, recebeu R$ 122,8 milhões de propina da cúpula dos transportes no Rio de Janeiro.

No total, R$260 milhões em propinas foram pagas a políticos do estado. Foram cumpridos nove mandados de prisão preventiva, três de prisão temporária e 30 mandados de busca expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Criminal. Da região, foram presos Rogério Onofre de Oliveira, ex-presidente do Departamento de Transportes Rodoviários do Rio (Detro) e ex-prefeito de Paraíba do Sul, e o empresário que tem negócios em Resende, Marcelo Traça Gonçalves, presidente do Sindicato das Empresas de Transportes Rodoviários do Estado do Rio de Janeiro (Seterj) e vice-presidente do conselho de administração da Fetranspor.

Foram dez pessoas presas. Um dos alvos da operação foi preso na manhã de ontem, na Rodovia Presidente Dutra, em Barra Mansa. O empresário Marcelo Traça Gonçalves foi localizado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), através de um trabalho conjunto com a Polícia Federal. Segundo os agentes, eles receberam informações da PF de que o procurado na Operação Lava Jato estaria na região Sul Fluminense e se deslocaria para o Rio de Janeiro. “Foi montado cerco na Dutra com busca em diversos pontos, e equipes da PRF lograram êxito em abordar o veículo Mini Cooper, com placa de Resende, por um dos agentes”, disse um dos agentes.

No momento da abordagem, Marcelo Traça Gonçalves, que possuía um mandado de prisão, estava acompanhado do filho e, de acordo com a PRF, ele teria dito aos agentes que estava indo se apresentar à polícia. A ocorrência foi encaminhada à Polícia Federal (Praça Mauá, Rio). Marcelo é sócio de cerca de dez empresas de ônibus somente no estado do Rio. Uma delas é a Lev Transporte Rodoviário, situada no bairro Jardim Jalisco, em Resende, que faz o transporte de funcionários de empresas.

Já o outro da região, preso, foi Rogério Onofre. A prisão aconteceu em Florianópolis – Santa Catarina. De Paraíba do Sul, foi prefeito por dois mandatos de 1997 a 2000 e de 2001 a 2004. As investigações apontam que passaram pelas mãos de Onofre cerca de R$ 40 milhões em propina. Ele, que também é advogado, foi indicado em 2007 pelo então governador Sérgio Cabral, para a presidência do Detro – órgão que fiscaliza o transporte intermunicipal no Rio. 

DEMAIS PRESOS 

A operação foi iniciada na madrugada de domingo com a prisão do empresário Jacob Barata Filho, conhecido como “Rei dos Ônibus”, um dos maiores empresários do ramo. Ele estava na sala de embarque do Aeroporto Tom Jobim, onde se preparava para embarcar para Portugal.

O presidente da Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro (Fetranspor), Lélis Teixeira, foi outro preso. José Augusto Morais Monteiro é sócio de Jacob Barata e presidente do conselho da Rio Ônibus. Ele é suspeito de receber R$ 23 milhões. Também foi preso, assim como Cláudio Sá Garcia de Freitas e David Augusto da Câmara Sampaio. José Carlos Reis Lavouras, conselheiro da Fetranspor e sócio-administrativo da Viação Flores, está em Portugal.

A PF já acionou a Interpol. Ele é suspeito de receber R$ 40 milhões. Quem também está foragido é Márcio Marques Pereira Miranda. Foram ainda presos temporariamente Carlos Roberto Alves, Enéas da Silva Bueno e Octacílio de Almeida Monteiro. O ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Jonas Lopes, e o doleiro Álvaro José Galliez Novis prestaram delação premiada e as investigações foram embasadas nos depoimentos prestados por eles.

As investigações detalham como o dinheiro de propina em espécie era conduzido por transportadoras de valores para depois ser feita a distribuição para políticos e agentes públicos. Foram identificadas pelos investigadores toda a estrutura montada pelas empresas de ônibus e Fetranspor para obter vantagens indevidas com tarifas e nos contratos públicos firmados através de documentos e planilhas. Além dos presos, a Polícia Federal apreendeu grande quantia em dinheiro, entre reais, dólares e até libras esterlinas, joias, relógios e muitos documentos.

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