Com o fracasso das negociações, Washington impõe tarifas de 50% sobre mercadorias canadenses, enquanto Ottawa prepara retaliação na mesma proporção para setembro

O governo do presidente Donald Trump declarou que o Canadá enfrentará consequências “devastadoras” caso mantenha o embate comercial contra os Estados Unidos. A manifestação ocorre após o impasse nas negociações bilaterais e a entrada em vigor de tarifas americanas de 50% sobre aproximadamente US$ 20 bilhões (28 bilhões de dólares canadenses) em produtos importados do país vizinho — montante que representa 5,5% do total de exportações canadenses para o mercado americano.
Dependência econômica e pressão da Casa Branca Os Estados Unidos absorvem cerca de 70% das exportações do Canadá, fator que amplia a vulnerabilidade de Ottawa diante das barreiras impostas por Washington. Contudo, devido à forte integração entre as duas economias, especialistas pontuam que empresas e consumidores americanos também devem sentir os impactos, principalmente em cadeias produtivas integradas como as dos setores automotivo, siderúrgico, energético e agrícola.
O presidente Donald Trump voltou a pressionar o país vizinho em publicação na rede Truth Social, acusando o governo canadense de impor tarifas elevadas sobre agricultores americanos e reiterando declarações provocativas sobre a possibilidade de integração do Canadá como o 51º estado americano.
Motivações das tarifas americanas A Casa Branca fundamentou a cobrança na Lei Tarifária de 1930, acusando o Canadá de aplicar práticas discriminatórias contra produtos americanos nos setores de:
-
Bebidas alcoólicas
-
Laticínios
-
Automóveis e autopeças
As taxas entraram em vigor no sábado (22), após uma tentativa frustrada de acordo. Segundo o representante comercial americano, Jamieson Greer, Washington ofereceu reduzir tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, além de retirar cobranças sobre a madeira canadense, mas a proposta não avançou.
Resposta do Canadá e retaliação “dólar por dólar” O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, interrompeu as conversas classificando as exigências americanas como injustas e inviáveis. Segundo o governo do Canadá, os termos dos EUA visavam limitar a autonomia do país em fechar acordos com outras nações, além de ameaçar a proteção da língua francesa e da cultura de Quebec.
Em resposta, o Canadá anunciou uma retaliação “dólar por dólar” agendada para iniciar em 8 de setembro, que atingirá os seguintes setores americanos:
-
Aço e alumínio
-
Laticínios
-
Eletrodomésticos e eletrônicos
-
Equipamentos agrícolas
-
Papel
O governo canadense informou que prevê medidas de apoio aos trabalhadores atingidos, somando-se aos cerca de 25 bilhões de dólares canadenses já destinados a conter os impactos da disputa. No momento, o representante comercial dos EUA informou não haver previsão de novas reuniões entre as duas nações.

