Campanha “Na Direção da Vida – Depressão Sem Tabu”, que é parte do movimento mundial Setembro Amarelo, fecha o mês com a adesão de grandes clubes como Flamengo, Corinthians, Santos, além de Fluminense e Grêmio que protagonizaram um grande momento ao entrarem em campo acompanhados por 88 crianças segurando girassóis.

Domingo, 29 de setembro

Antes do jogo, Fluminense e Grêmio se uniram por uma causa. Os jogadores dos dois times entraram em campo acompanhados por 88 crianças segurando girassóis, flor símbolo da campanha “Na Direção Da Vida #DepressãoSemTabu”. A iniciativa, que faz parte do movimento mundial Setembro Amarelo, buscou conscientizar o público presente de que depressão é uma doença, não é fraqueza, nem motivo de vergonha. Os jovens e homens são os mais resistentes a aceitar o diagnóstico e os que lideram as estatísticas de suicídio.

Após a reprodução do Hino Nacional, as flores foram entregues aos torcedores pelas crianças, que também vestiram camisetas com o nome da campanha e sua hashtag, #DepressaoSemTabu. Além disso, um vídeo com depoimentos reais de jovens que vivenciaram a doença também foi exibido em todos os telões do Maracanã, como forma de sensibilizar o público para essa causa e convidá-lo a conhecer os canais digitais da iniciativa, como o www.depressaosemtabu.com.br, que reúne informações educativas sobre o tema e dicas de como ajudar alguém que apresente comportamentos de risco.

Ao longo do mês de setembro, a campanha “Na Direção da Vida – Depressão Sem Tabu” contou com a adesão de grandes clubes, como Flamengo, Corinthians e Santos.

Depressão, suicídio e homens

O aumento de casos de suicídio entre os jovens e a prevalência do problema no sexo masculino são pontos de atenção. Trata-se, hoje, da quarta maior causa de morte em jovens no País, segundo o Ministério da Saúde¹, e os homens representam as principais vítimas. Por isso, o engajamento do futebol, um universo que recebe forte atenção do universo masculino no Brasil, é de extrema importância para a conscientização desse grande problema. Hoje, a cada 46 minutos¹, alguém põe fim à própria vida no Brasil.

Vale lembrar que mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e os transtornos de humor, entre os quais a depressão se destaca, representam o diagnóstico mais frequente nesses casos². Estamos falando, portanto, de doenças que podem ser tratadas. Ou seja: o suicídio é evitável em grande parte dos casos. Mas, para isso, o primeiro passo é romper com o preconceito em torno da depressão, que muitas vezes é subestimada ou confundida com falta de força, preguiça ou ausência de fé.

Atualmente, o Brasil apresenta a maior prevalência de depressão da América Latina, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS): o problema afeta 5,8% da população², uma taxa superior à média global, que é de 4,4%. Isso significa que quase 12 milhões de brasileiros enfrentam a doença, o que equivale à população inteira de uma metrópole como São Paulo, por exemplo.

Os números elevados da depressão no País também acompanham a escalada do suicídio no território nacional. Enquanto o número de pessoas que tiram a própria vida diminui mundo afora³, o Brasil vai na contramão do cenário global. Por aqui, a taxa de suicídio entre os adolescentes de 10 a 19 anos, por exemplo, aumentou 24% entre os anos de 2006 e 2015, considerando os moradores das maiores cidades brasileiras4.

A campanha

Com apoio de músicos, esportistas e celebridades, a campanha Na Direção da Vida propõe um diálogo franco sobre o assunto com toda a sociedade. Conduzida pela Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (ABRATA), pela Upjohn (divisão focada em doenças crônicas não-transmissíveis), pela área de Medicina Interna da Pfizer e com a participação do Centro de Valorização da Vida (CVV), a iniciativa traz ações presenciais e digitais para combater os estigmas associados à depressão.

Ao dialogar com o paciente e também com seu entorno, a campanha tem o propósito de contribuir para a construção de um ambiente social com mais informações sobre o tema e menos tabus. Assim, a partir de uma atmosfera de confiança e acolhimento, espera-se que o paciente se sinta à vontade para falar sobre a doença, seja estimulado a buscar ajuda e acredite que é possível vencer o problema.

Ao longo do mês de setembro, o girassol tem norteado as várias atividades da campanha. Pelas redes sociais, os internautas foram desafiados a postar o ícone do girassol em suas páginas para sinalizar aos seus amigos que estão dispostos a falar de #DepressãoSemTabu. Além disso, personalidades gravaram depoimentos pessoais para contar como lidaram com o problema, como forma de encorajar a buscar ajuda.

Em Fortaleza, os girassóis tomaram conta dos semáforos, preenchendo a parte amarela dos aparelhos para pedir a atenção da população para essa causa. Em São Paulo, um imenso labirinto de girassóis foi montado no Largo da Batata para convidar o público a conhecer esse universo de perto e a desmistificar a questão. Afinal, empatia e informação são sempre a melhor saída.

Referências:

1. SIM, 2017. Disponível em: portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/setembro/20/Coletiva-suic–dio.pdf

2. Bertolote, J.M.; Fleischmann, A. Suicide and psychiatric diagnosis: a worldwide perspective. World Psychiatry, 2002.

3. Depression and Other Common Mental Disorders: Global Health Estimates. Geneva: WHO; 2017.

4. Suicide falls by a third globally. BMJ 2019; 364.

5. Jaen-Varas D, Mari JJ, Asevedo E, Borschmann R, Diniz E, Ziebold C, et al. The association between adolescent suicide rates and socioeconomic indicators in Brazil: a 10-year retrospective ecological study. Braz J Psychiatry. 2019

Renata Valeiras

 

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