A fábrica da Coca-Cola em Porto Real encerrou a produção da bebida e demitiu 238 funcionários. Na manhã desta quinta-feira (13), a empresa divulgou uma nota informando que encerrou as atividades da linha de produção e vai manter apenas o setor comercial e de distribuição.A nota informa ainda que serão priorizadas a produção nas unidades de Itabirito, em Minas Gerais, e em Jundiaí, em São Paulo, que são mais modernas.

Os empregados ficaram sabendo da notícia quando chegavam para trabalhar hoje cedo.

A Companhia Fluminense de Refrigerantes foi fundada em 1949. Em 2013, ela foi comprada pela Femsa, um grupo mexicano, que é o maior engarrafador do mundo da marca de bebidas Coca-Cola. O negócio teria sido da ordem de U$ 448 milhões.

EMPRESAS ESTÃO DEMITINDO EM TODO PAÍS

Com o agravamento da crise econômica, companhias de diferentes setores já adotam medidas que vão desde enxugamento de pessoal até extinção de funções, corte de departamentos e ampliação da terceirização em todo Brasil.

Parte espera que, à medida que a economia se recupere, seja possível retomar a produção e reverter o quadro de redução da mão de obra.

É o caso da fabricante de pneus Pirelli, que negocia um “layoff” (suspensão do contrato de trabalho) de 1.500 entre seus 12 mil funcionários pela primeira vez nos mais de 80 anos em que atua no país.

“Ninguém na empresa se lembra de ter enfrentado uma situação como a atual”, diz Paolo Dal Pino, presidente da Pirelli na América do Sul.

Assim como grandes montadoras, a Whirlpool (dona das marcas Brastemp e Consul) concedeu férias coletivas para duas fábricas (Santa Catarina e São Paulo) para baixar os estoques.

Outras empresas buscam soluções mais definitivas para enfrentar a crise e, ao mesmo tempo, se adaptar a mudanças em seus mercados.

A Delphi, de autopeças, fechou recentemente a fábrica de Itabirito (MG) e demitiu cerca de 800. A Electrolux cortou vagas em Manaus (AM), segundo representantes dos trabalhadores.

O Hotel Transamérica São Paulo terceirizou 165 funcionários das áreas de serviço de quarto e restaurante após entrar em acordo, na Justiça, com o sindicato da categoria.

Cresce o número de empresas que procuram reestruturar departamentos internos e cortar níveis gerenciais, diz Marcelo Ferrari, diretor da Mercer, consultoria de RH.

“Até a geração Y começou a ser dispensada. Recebo um currículo por dia, mesmo não atuando diretamente com a recolocação profissional.”

Rafael Beran Bruno, diretor do Instituto Pieron, que prepara executivos para o alto escalão, diz que a consultoria tem sido cada vez mais procurada por empresas que querem rever suas estruturas. “Muitas têm níveis hierárquicos demais. Além do custo com salários, existe o custo de adiar decisões por causa da falta de agilidade.”

A reestruturação na Natura, por exemplo, atingiu diferentes níveis hierárquicos. Em nota, a empresa diz que cortou menos de 1% do seu quadro e procurou obter “menos camadas e maior proximidade da liderança com nossas consultoras e clientes”.

 

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