Introduzir de forma sistemática a educação ambiental e a sustentabilidade na grade curricular das escolas brasileiras pode ser um caminho ímpar de obter resultados em justiça social e qualidade de vida

Discute-se amiúde pelos diversos canais de comunicação do Brasil as variações do Produto Interno Bruto, os problemas da falta ou mal uso de recursos públicos, avanços e retrocessos deste ou daquele setor econômico, problemas de mobilidade, geração de empregos e tantos outros. Mas pouco se discute a essência de tudo que nos cerca: a finitude dos recursos naturais e seu uso indiscriminado.

Caso os 7 bilhões de seres humanos do planeta tenham o mesmo padrão de vida dos norte-americanos precisaríamos de 4 planetas para dar conta disso, e aqui está o maior desafio da humanidade. Em setembro de 2013 o IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), órgão da ONU e maior autoridade em mudanças climáticas do globo, divulgou seu quinto relatório sobre o tema, após cinco anos e milhares de pesquisa.

Composto por cerca de 2000 dos mais renomados cientistas do mundo, o IPCC constatou com 95% de certeza que o aquecimento global está em andamento e é causado por ações dos seres humanos. A temperatura do planeta poderá aumentar de 0,3 a 4,8 graus Celsius neste século, o que poderá resultar em uma elevação de até 82 centímetros no nível do mar e causar danos importantes na maior parte das regiões costeiras do globo.

No Brasil o aumento de temperatura até 2100 será entre 1 ºC e 6 ºC, em comparação à registrada no fim do século 20. O desperdício de recursos naturais, a queima alucinante de gases de efeito estufa, o crescimento econômico e de consumo desenfreados, o estouro demográfico, a pobreza, a injustiça e a violência que assola milhões de pessoas exigem monstruosas ações corretivas. Um sonho transformador pode se realizar na medida em que a realidade é uma construção histórica e dinâmica posta nas mãos dos humanos.

Busca-se uma nova ordem mundial de governança global, em que a protagonista é a sustentabilidade, qual seja, a criação de condições para que o hoje não exista às expensas do amanhã. A escolha do mundo que se quer formar e viver está nas mãos dos seres humanos.

Deve-se buscar uma perspectiva de ação holística, que propicie uma visão crítica sobre a ética e seus princípios, a construção de uma conscientização de cidadania e justiça, tendo como referência que grande parte do capital natural está se exaurindo e o principal responsável é o ser humano.

O escopo dessa nova ordem busca desenvolver a transformação do contexto social. Implica em novos métodos de ensino de ordem trans, inter e multidisciplinar, novos saberes, que sejam proficientes e compreendam a complexa relação das espécies e seu hábitat.

A concepção-mor do ensino de qualidade pressupõe a diversidade, o dinamismo a profundidade. Não basta aos aprendizes ter múltiplos e genéricos conhecimentos sem capacidade de julgamento. Governantes e planejadores podem ordenar mudanças e novas abordagens de desenvolvimento que gerem o bem-estar da coletividade, mas isto não se constituirá em soluções sustentáveis, caso a juventude não receba um novo tipo de educação.

Não há nada de custo tão acessível e retorno certo e elevado que o aprendizado e sua prática contínua. O maior desafio humano é usar sua inventividade inovadora para criar recursos, sistemas, tecnologia e ética que possam propiciar a construção de sociedades sustentáveis.

A educação sustentável, aquela que deixa legados de valor e ética com viés ambiental, é um dos caminhos a trilhar para conquistas perenes, pois uma vez aprendida e praticada, passa a ser parte da vida do aprendiz pelo resto de sua vida. A educação surge como protagonista nesse cenário de transformações.

A conscientização ambiental toma forma e a sociedade organizada, de olho no passado, deve evitar seus erros e tomar as lições positivas como alicerces de convívio futuro. Deve buscar a produção neutra ou positiva de impactos ao planeta, baseada em posturas de equilíbrio entre crescer e preservar.

A educação ambiental surge como resposta à preocupação da sociedade com o futuro sustentável da vida. Procura despertar em todos a consciência de que o ser humano é parte do meio ambiente. Tenta também superar a visão antropocêntrica, que fez com que o ser humano se sentisse sempre o centro de tudo e esquecesse a importância da natureza, da qual é parte integrante.

A história das civilizações é também a história da educação ambiental. Os primatas já buscavam entender e se adaptar aos processos ecossistêmicos. À medida dos riscos, tinham que criar formas de sobrevivência, conscientizar-se e educar-se quanto aos desafios. Dessa forma, após milhares de anos, acabaram por preservar a própria espécie, além de torna-la mais evoluída.

A maioria da população do planeta tem consciência dos problemas ambientais e da importância da preservação da natureza. Cabe então inserir nas escolas de ensino a educação ambiental. O processo é complexo devido à necessidade de uma adaptação na formação de docentes para juntar os módulos ora em separado de seus campos do saber, o que representaria uma importante quebra de paradigma.

O elemento ambiental é o primeiro grande elemento sobre o qual a escola pode se aprofundar ao implantar esta nova forma de estudar e compreender o mundo. A preocupação com a degradação ambiental mobiliza um número cada vez maior de organizações sociais em busca de novas soluções e mudanças de paradigmas.

A educação ambiental permite compreender o meio, as diferentes noções espaciais e temporais, juntamente com os fenômenos sociais, culturais e naturais característicos de cada paisagem.

Permite também construir conceitos, ao correlacionar a pluralidade e a singularidade do local com o regional e o global e suas constantes transformações ao longo da evolução histórica da relação do homem com a natureza.

Fazer da educação ambiental um eixo a permear todas as disciplinas, pode ser a chave para a transformação da escola desse modelo fechado e muito criticado, para um novo método pedagógico de estudar como funciona o mundo, com senso de realidade e visão holística.

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Rodnei Vecchia