A comunidade global celebrou em 14 de abril o primeiro Dia Mundial da Doença de Chagas. A data visibiliza uma das doenças tropicais mais negligenciadas, priorizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois continua a afetar milhões de pessoas em todo o mundo. A doença de Chagas foi descoberta há mais de um século – pelo médico e pesquisador brasileiro Carlos Ribeiro Justiniano Chagas – mas permanece amplamente ignorada.

Em reconhecimento a esse crescente problema de saúde pública e à necessidade de conscientizar sobre formas de aumentar a detecção e impedir sua disseminação, a Assembleia Mundial da Saúde de 2019, órgão decisório da OMS, concordou em designar 14 de abril como Dia Mundial da Doença de Chagas.

Foto: OPAS

A comunidade global celebrou em 14 de abril o primeiro Dia Mundial da Doença de Chagas. A data visibiliza uma das doenças tropicais mais negligenciadas, priorizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), pois continua a afetar milhões de pessoas em todo o mundo. A doença de Chagas foi descoberta há mais de um século – pelo médico e pesquisador brasileiro Carlos Ribeiro Justiniano Chagas – mas permanece amplamente ignorada.

Em reconhecimento a esse crescente problema de saúde pública e à necessidade de conscientizar sobre formas de aumentar a detecção e impedir sua disseminação, a Assembleia Mundial da Saúde de 2019, órgão decisório da OMS, concordou em designar 14 de abril como Dia Mundial da Doença de Chagas.

O diretor do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, Mwelecele Ntuli Malecela, afirma que a doença de Chagas tem sido associada há muito tempo a populações rurais e vulneráveis e é caracterizada pela pobreza e exclusão. “É hora de acabar com essa negligência e o estigma social associado à infecção, que se apresenta como uma grande barreira para a triagem, diagnóstico, tratamento e controle eficazes”, explicou o diretor do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS.

As consequências sociais do estigma associado à doença de Chagas levam à rejeição social. As pessoas que sofrem da doença podem enfrentar restrições ao trabalho, porque muitas vezes estão associadas a problemas de saúde e possíveis dificuldades na execução do trabalho, e até a morte súbita, criando um medo de perdas financeiras por parte dos empregadores. É por esses e outros motivos que as pessoas relutam em procurar ajuda médica – levando a manifestações clínicas mais graves e complicações finais e uma maior disseminação
da doença.

Na América Latina, a doença de Chagas tem sido transmitida principalmente aos seres humanos pelo contato com as fezes ou a urina de espécies específicas de insetos triatomíneos infectados com o parasita Trypansosoma cruzi.

Esses insetos geralmente vivem em fendas nas paredes ou no telhado de casas em áreas rurais. Normalmente, se escondem durante o dia e são ativos à noite, quando se alimentam de sangue humano, picando uma área exposta da pele, como o rosto. Logo após se alimentar com sangue, o inseto defeca ou urina próximo à picada. Os parasitas entram no corpo quando a pessoa reage instintivamente à picada, pois as fezes ou a urina contaminam o local da picada ou qualquer outra rachadura na pele, nos olhos e na boca. A transmissão também pode ocorrer pela contaminação de alimentos durante sua preparação, armazenamento e consumo, frequentemente causando surtos de transmissão oral com maiores taxas de morbimortalidade.

Urbanização e expansão

No entanto, com a rápida urbanização e movimentação de populações entre a América Latina e outros países fora da região, a doença se espalhou para áreas urbanas e para outros países e continentes, incluindo a Europa e alguns países da África, Mediterrâneo Oriental e Pacífico Ocidental.

Segundo o diretor médico do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS, Pedro Albajar Viñas, nesses países, a doença de Chagas não é transmitida por insetos triatomíneos, como ocorre na América Latina, mas por outras formas não vetoriais. “Isso inclui sangue ou produtos sanguíneos para transfusão, de mãe para filho, transplante de órgãos e até acidentes de laboratório”, explicou o diretor médico do Departamento de Controle de Doenças Tropicais Negligenciadas da OMS.

Melhorar conscientização e promover comportamentos de busca à saúde

A doença é pouco compreendida pelos profissionais de saúde em áreas não endêmicas, com muitos que a consideram uma doença tropical restrita a alguns territórios da América Latina. Da mesma forma, pacientes infectados com T.cruzi em áreas não endêmicas podem não estar cientes de sua condição, o que pode levar a uma transmissão adicional por vias não vetoriais.

“Treinar o pessoal de saúde para facilitar o diagnóstico, usando todas as oportunidades possíveis de integração sistemática com outras doenças tropicais negligenciadas e outras doenças crônicas transmissíveis e não transmissíveis, juntamente com a prestação de cuidados médicos adequados, pode ajudar muito a mitigar a transmissão e melhorar o prognóstico. A falta de conscientização e conhecimento sobre a doença, junto a crenças desatualizadas e incorretas, são obstáculos claros à promoção do comportamento de busca de saúde”, ressaltou o diretor médico da OMS, Pedro Albajar Viñas.

Neste ano, a comunidade global tem a oportunidade de entender e tornar mais visíveis as dimensões de saúde, psicossociais e econômicas dessa doença há muito esquecida e ignorada.

Fonta:  Organização Mundial da Saúde (OMS)