Devotos Lotam Santuário de Nossa Senhora de Fátima no Centro do Rio
13 de maio de 2025
Morando em Portugal, Thiago da Silva Bastos volta ao Rio todos os anos para o dia de Nossa Senhora de FátimaPedro Teixeira/Agência O Dia

Morando em Portugal, Thiago da Silva Bastos volta ao Rio todos os anos para o dia de Nossa Senhora de Fátima
Pedro Teixeira/Agência O Dia

Na terça-feira (13), milhares de fiéis se reuniram no Santuário de Nossa Senhora de Fátima, localizado na Rua Riachuelo, no Centro do Rio de Janeiro, para homenagear a santa no dia que marca sua primeira aparição aos três pastorinhos, em 1917, em Fátima, Portugal. Além das celebrações católicas, a data também foi marcada pela reverência aos Pretos Velhos nas religiões de matriz africana, em um dia repleto de espiritualidade e tradição.

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Programação Intensa no Santuário

As celebrações no Santuário começaram às 5h com a tradicional alvorada, seguidas por missas realizadas de hora em hora ao longo do dia. Entre os destaques, a missa solene das aparições foi celebrada às 12h, seguida pelo Santo Terço às 13h30. Às 16h30, os fiéis participaram da adoração ao Santíssimo Sacramento, enquanto às 18h30 houve a missa pelas crianças e a Coroação de Nossa Senhora. O dia foi encerrado com uma emocionante procissão luminosa, às 20h, com a imagem da santa percorrendo as ruas próximas à igreja.

No Santuário de Nossa Senhora de Fátima do Recreio, na Zona Oeste, a programação incluiu missas às 13h, 15h, 16h, 18h e 19h. Às 10h, uma missa solene com bênção dos enfermos e a procissão do adeus reuniu devotos. Terços foram rezados às 7h, 9h, com sessões previstas também às 14h e 17h.

Histórias de Fé e Devoção

Para Maria Clara, de 26 anos, o dia de Nossa Senhora de Fátima é mais do que uma data religiosa: é uma tradição familiar. “Desde que nasci, estou ligada a este santuário. Minha mãe era coordenadora do grupo jovem, e nossa família sempre foi devota. Todos os anos, venho ajudar e me dedicar à Virgem, com muita gratidão”, compartilhou.

Adriane Cristine da Silva, de 21 anos, também cresceu no santuário, onde foi batizada, fez a primeira comunhão e foi crismada. Sua devoção começou por influência da avó. “Nossa Senhora de Fátima entrou na minha vida pela minha avó, e até hoje sou apaixonada por ela. Este lugar é parte de quem eu sou”, declarou.

Maria de Fátima Benincaza, de 67 anos, carrega o nome da santa devido a um milagre durante seu nascimento. Sua mãe enfrentou complicações por eclampsia durante um parto em casa, e a família precisou chamar uma ambulância. Um tio encontrou uma medalhinha de Nossa Senhora de Fátima, e a avó de Maria fez orações fervorosas. “Minha avó orava enquanto meu tio buscava um cordão de São Jorge, mas encontrou a medalha de Fátima. Foi quando ela disse: ‘É Fátima’. Por isso, meu nome é Fátima”, relatou.

Thiago da Silva Bastos, de 40 anos, mora em Portugal e visita a cidade de Fátima regularmente, mas retorna ao Rio todos os anos para cumprir uma promessa feita por sua mãe. Nascido com icterícia no Hospital da Cruz Vermelha, no Centro, Thiago quase não sobreviveu. Sua mãe, vendo uma imagem da santa da janela do hospital, prometeu levá-lo ao santuário. “Minha mãe jurou que me apresentaria à igreja se eu sobrevivesse. Mesmo após a morte dela, nunca deixei de vir. Quando falhei, aos 15 anos, sofri um acidente. Desde então, venho todos os anos”, contou.

A Mensagem de Nossa Senhora de Fátima

O pároco do santuário, padre José Martins, há oito anos à frente da paróquia, destacou o simbolismo da santa. “Nossa Senhora de Fátima representa cuidado, amor e carinho, como o que dedicou a Jesus. Ela nos convida a seguir seu filho e a acolher seu exemplo de vida”, afirmou.

As aparições de Nossa Senhora de Fátima ocorreram há mais de um século, em 1917, na cidade de Fátima, a cerca de 130 km de Lisboa, Portugal. A santa apareceu pela primeira vez a três crianças pastoras — Lúcia de Jesus, de 10 anos, Francisco, de 9, e Jacinta, de 7 — enquanto rezavam o terço. Envolta em luz, ela pediu orações, sacrifícios e reparação pelas ofensas a Deus e ao seu Imaculado Coração. Nos seis meses seguintes, a santa retornou no dia 13 de cada mês, atraindo multidões. Em 13 de outubro de 1917, cerca de 70 mil pessoas testemunharam a última aparição, consolidando a devoção que se espalhou globalmente.

Os “três Pastorinhos” receberam segredos da santa, revelados por Lúcia em 1941. O primeiro descrevia uma visão do inferno; o segundo pedia devoção ao Imaculado Coração de Maria e a conversão da Rússia; o terceiro abordava a perseguição à Igreja Católica.

Celebração dos Pretos Velhos

O 13 de maio também é uma data significativa para as religiões de matriz africana, que celebram os Pretos Velhos, entidades que representam escravizados que alcançaram idades avançadas, apesar das adversidades. Símbolos de generosidade, humildade e sabedoria, eles oferecem conselhos e proteção. A data coincide com a assinatura da Lei Áurea, que aboliu a escravidão no Brasil, e é marcada por cânticos e rituais que reforçam a presença espiritual dessas entidades.

Um Dia de Fé e Memória

Seja no fervor católico ou na espiritualidade das religiões afro-brasileiras, o 13 de maio no Rio de Janeiro foi um momento de reflexão, gratidão e conexão com tradições que atravessam gerações, unindo fiéis em celebrações de amor e esperança.

*Reportagem de Nayra Freitas, com colaboração de Rachel Siston.

Fonte: O Dia

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