São enormes as possibilidades de que apagões voltem a acontecer no restante do verão. Nos últimos três anos, os recordes de demanda foram em fevereiro, perto de 4% acima dos do ano anterior. Neste ano, o sistema não conseguiu suportar a demanda já em janeiro e é razoável supor que o recorde de 2015 também seja em fevereiro.

Como até lá não entrará nenhuma usina nova em operação, há um grande risco de o sistema não conseguir atender a demanda novamente.

Além disso, é preciso garantir a demanda por todo o ano. O período chuvoso acaba em abril. Particularmente neste ano, com os reservatórios baixos, será muito difícil passar pelo período seco até novembro sem alguns solavancos.

REDUÇÃO DE CONSUMO

Qualquer tragédia dessas [o corte de energia do dia 19] causa um efeito como a redução do consumo. Paga-se, porém, o preço mais alto para promover essa educação. O governo vai cobrar uma conta dos consumidores que eles não poderão pagar e desligará a luz quando eles quiserem acendê-la.

CAUSAS

No apagão da última segunda, não caiu nenhuma torre nem explodiu nenhum transformador em subestação. Se a restrição é inerente ao sistema, não importa se a energia é gerada no Sudeste ou no Nordeste. O importante é que não houve capacidade disponível no momento necessário.

A operação do sistema elétrico só é confortável quando há uma reserva de 5% de potência, a chamada reserva girante. Mas, por causa do baixo nível dos reservatórios e do alto consumo, não existe qualquer reserva.

A importação de energia, como a que está sendo feita da Argentina, não resolve o problema, é um paliativo.

O governo busca em todos os cantos um pouquinho de energia. O setor está tendo que passar o pires para amealhar capacidade adicional. Estamos muito longe da reserva girante que deveríamos ter, de 6.000 MW (megawatts). Seria um sonho se houvesse 3.000 MW disponíveis.

RISCOS ECONÔMICOS

Existe uma insegurança absoluta. A primeira questão a ser estudada por empresas estrangeiras que pensam em investir no Brasil é a energia.

Em 2023, que no planejamento de um investimento de longo prazo é um pulo, o Paraguai terá metade da energia de Itaipu disponível. Além de afugentar investimentos, um racionamento traz efeitos negativos imediatos sobre o setor produtivo, que precisa diminuir a produção.

A seca é o único fator que o governo não controla. Todos os outros fatores poderiam ser controlados para evitar uma situação como essa:

Os demorados e inseguros licenciamentos ambientais, os leilões organizados às pressas e com preços não realistas, os sinais de preços equivocados dados aos consumidores, indicando que podem consumir o quanto desejarem de energia.

O racionamento é uma medida de exceção, que tem custos. O custo do racionamento só não é maior do que o custo de ficar sem energia, como aconteceu na segunda (19).

É uma escolha difícil. Após o fim do racionamento de 2001, a demanda voltou abaixo do que antes e levou quase cinco anos para se recuperar. Se um novo racionamento for definido neste ano, é possível que as receitas das empresas de geração e distribuição de energia demorem a se reerguer.

Então tudo indica que teremos dias difíceis…

Apagão energia

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