General Eduardo Villas Bôas afirmou que falta de medidas para modificar os baixos índices de desenvolvimento humano ajudam no aumento da violência no estado. Número de presos em megaoperação das forças armadas chega a 86

Em mensagem lida nesta sexta-feira, na cerimônia em comemoração ao Dia do Soldado, no Palácio do Planalto, em Brasília, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, disse que, após meses da intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro, os setores do governo se empenharam pouco em tomar medidas para modificar os baixos índices de desenvolvimento humano que propiciam a proliferação da violência. 

“Passados seis meses, apesar do trabalho intenso de seus responsáveis, da aprovação do povo e de estatística que demonstram a diminuição dos níveis de criminalidade, o componente militar é, aparentemente, o único a engajar-se na missão”, disse.

O comandante do Exército ressaltou que “exigem-se soluções de curto prazo, contudo, nenhum outro setor dos governos locais empenhou-se com base em medidas socioeconômicas para modificar os baixos índices de desenvolvimento humano, o que mantém o ambiente propício à proliferação da violência”.

Na mensagem, o general Villas Bôas disse que vivemos no país uma era de conflitos e incertezas, em que “se perdeu a disciplina social, a noção de autoridade e o respeito às tradições e aos valores”. Disse ainda que o Brasil é “um grande país que não consegue vislumbrar um projeto para seu futuro, nem, tampouco, identificar qual o papel a exercer no concerto das nações”.
 

Na mensagem presidencial, Michel Temer também citou a atuação dos militares no Rio de Janeiro e disse que será cumprida a “tarefa imperiosa” de devolver a ordem pública ao estado.

Temer e Villas Bôas homenagearam os três militares mortos nesta semana durante operações no Rio de Janeiro: o cabo Fabiano de Oliveira Santos, o soldado Marcus Vinícius Viana e o soldado João Viktor da Silva.

“Hoje uma nação agradecida honra a memória dos militares que pereceram ao desempenho de sua missão. Nesta ocasião voltamos nosso pensamento muito especialmente ao cabo Fabiano de Oliveira Santos, ao soldado João Viktor da Silva, ao Marcos Vinicius Viana Ribeiro, mortos há poucos dias. Seu sacrifício não será em vão. Cumpriremos a tarefa imperiosa de recompor a ordem pública no Rio de Janeiro”, disse o presidente Temer em sua mensagem.

Número de presos em megaoperação chega a 86

Chegou a 86 o número de presos na megaoperação militar nos complexos da Penha, Alemão e Maré. Três militares e cinco suspeitos morreram na operação que começou segunda-feira e não tem prazo para terminar. O número inclui os quatro presos que deixaram a cadeia de Benfica, ontem à tarde.

Até o momento, também foram apreendidos 15 fuzis, 27 pistolas, 11 granadas, 4.742 munições, 85 carregadores, aproximadamente 1,5 tonelada de drogas diversas, 8 veículos, 27 cadernos de anotações do tráfico, 8 celulares, 8 uniformes camuflados, 3 coletes a prova de bala, 13 radiocomunicadores. Cinco reféns foram libertados, 17.552 pessoas revistadas e 41 barricadas retiradas.

O Comando Conjunto da Intervenção no Rio divulgou também que houve “reajustes e reposicionamentos de efetivos e de instalações logísticas de apoio”. Sem especificar, no entanto, se isto significa uma diminuição ou aumento do efetivo militar na região. Também foram apreendidos dois menores.

 

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