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Dilma (PT) e o PMDB, que estão se digladiando diariamente enquanto o país afunda em profundas crises, deveriam falar menos, fazer mais e darem exemplos. As massas já não aceitam discursos e atos embromatórios. Obnubilados no senso crítico, os representantes do povo não estão entendendo as mensagens candentes das ruas. Ninguém mais suporta a corrupção e a impunidade, sobretudo a das classes cleptocratas dominantes (que agora disputam espaço nas manchetes midiáticas com os criminosos violentos). As condutas reclamadoras do povo, reivindicadoras, as agitações e inquietudes populares são indícios da percepção crítica (embora iletrada, mas crítica, afirmava Álvaro Vieira Pinto, Consciência e realidade nacional: a consciência crítica: 17). Somente a julga ingênua a verdadeira consciência ingênua. Chega de soberba, negligência e petulância. As massas necessitam de exemplaridade. Somente as alterações da realidade entram nas suas percepções.

No lugar do deplorável e inócuo pacote anticorrupção (tão ineficaz quanto um monge virtuoso), Dilma deveria mandar abrir ou provocar dezenas de investigações (pelo CADE, pela CGU, pelo TCU etc.) contra todas as empresas e funcionários envolvidos com a corrupção em seu governo. E demitir de plano os ministros corruptos. É preciso romper, com atos concretos e dentro da legalidade, com as bandas pobres dos donos do poder (financeiro, econômico e político). Jogue fora os anéis, para preservar os dedos. Somente os atos concretos diante da análise objetiva dos fatos é que mudam a realidade. A transformação do mundo depende de práticas efetivas, não de discursos; de exemplos, não de falatórios. Proporcione todas as condições para que a PF investigue rapidamente os políticos corruptos. A profilaxia no Congresso fará bem para a nação.

O PMDB, que é o campeão do fisiologismo (toma lá, da ca), quer apenas 20 ministérios: mas não basta falar, faça. Comece entregando a carta de demissão de todos os seus ministros e apaniguados no governo. Isso é que gera efeitos na consciência popular. Atos! Cortem, de imediato, todas as mordomias e privilégios na Câmara e no Senado. Renan e Cunha (dupla oposicionista que supera em muito o PSDB e o DEM juntos): sejam exemplares. Iniciem a reforma política e aprovem, em 24 horas, o fim do financiamento empresarial das campanhas. Com isso farão o ministro Gilmar devolver o processo sobre o qual está sentado há um ano. Queremos ver esforços concretos no sentido de superar o subdesenvolvimento do Brasil. É uma vergonha que a sétima economia do mundo só “desenvolva o subdesenvolvimento” (Gunder Frank). Em plena era tecnológica é um absurdo contarmos ainda com 150 milhões de analfabetos funcionais, sem nenhuma consciência crítica.

E. T.: Senhor Procurador-Geral da República: em lugar de ficar propondo medidas legislativas aberrantes, escatológicas e populistas, faça a sua parte. Cuide da certeza do castigo e, dentro da lei, agilize as investigações contra a cleptocracia. Faça mais e fale menos. O populismo penal demagógico nunca diminuiu nenhum crime. O país está correndo sério risco de retrocesso democrático. O mito da farda redentora não morreu: 47,6% dos entrevistados pelo Barometro das Américas, LAPOP, justifica um golpe militar para frear a corrupção (Valor, 26/3/15). Dê o exemplo do império da lei e nos livre das cavernas. Assuma a consciência crítica, a partir da trágica realidade que estamos vivendo.