A Secretaria de Ambiente e Agronegócios de Seropédica orienta de como fazer u uso correto dos agrotóxicos tanto para evitar danos ao meio ambiente como também ao manuseador. O Subsecretario de Ambiente e Agronegócios Júlio Cicarino disse: “Toda vez que se pretende iniciar uma lavoura, logo se pensa nos cuidados necessários para que ela seja de boa qualidade. Esses cuidados são muitos: a escolha do lugar, a seleção das sementes ou mudas, os equipamentos, os insumos, as pessoas que vão trabalhar e muitos outros. É preciso plantar com consciência para colher bons resultados, produzir alimentos saudáveis e de forma econômica. Os produtos fitossanitários são produtos importantes para proteger as plantas do ataque de pragas, doenças e plantas daninhas, mas podem ser perigosas se forem usados de forma errada. Para ajudar a evitar acidentes causados pelo uso incorreto veja estas explicações abaixo”

Normas gerais para o uso de agrotóxicos

Agrotóxicos são os produtos e os agentes de processos físicos, químicos ou biológicos, destinados ao uso nos setores de produção, no armazenamento e beneficiamento dos produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas, nativas ou implantadas, e de outros ecossistemas e também de ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora ou da fauna, a fim de preservá-las da ação danosa de seres vivos considerados nocivos (Lei Federal 7.802 de 11.07.89).

Os agrotóxicos são importantes para a bananicultura, todavia, exigem precaução no seu uso, visando a proteção dos operários que os manipulam e aplicam, dos consumidores de banana, dos animais de criação, de abelhas, peixes, de organismos predadores e parasitas, enfim, do meio ambiente.

Toxicidade dos defensivos agrícolas   

A toxicidade da maioria dos defensivos é expressa em termos do valor da Dose Média Letal (DL50), por via oral, representada por miligramas do produto tóxico por quilo de peso vivo, necessários para matar 50% de ratos e outros animais testes.

Assim, para fins de prescrição das medidas de segurança contra riscos para a saúde humana, os produtos são enquadrados em função do DL50, inerente a cada um deles, conforme mostra a tabela 6.

Classificação toxicológica dos agrotóxicos em função do DL50.

Classe toxicológica I – Vermelho vivo

Extremamente tóxicos (DL50 < 50 mg/kg de peso vivo)

Classe toxicológica II – Amarelo Intenso

Muito tóxicos (DL50 – 50 a 500 mg/kg de peso vivo)

Classe toxicológica III – Azul  intenso

Moderadamente tóxicos (DL50 – 500 a 5000 mg/kg de peso vivo)

Classe toxicológica IV – Verde intenso

Pouco tóxicos (DL50 > 5000 mg/kg de peso vivo)

Equipamentos de proteção individual – EPIs

Os EPIs mais comumente utilizados são: máscaras protetoras, óculos, luvas impermeáveis, chapéu impermeável de abas largas, botas impermeáveis, macacão  com mangas compridas e avental impermeável. Os EPIs a serem utilizados são indicados via receituário agronômico e nos rótulos dos produtos.

Recomendações relativas aos EPIs (Equipamentos de proteção individual)

Devem ser utilizados em boas condições, de acordo com a recomendação do fabricante e do produto a ser utilizado;

Devem possuir Certificado de Aprovação do Ministério do Trabalho;

Os filtros das máscaras e respiradores são específicos para defensivos e têm data de validade;

As luvas recomendadas devem ser resistentes aos solventes dos produtos;

O trabalhador deve seguir as instruções de uso de respiradores;

A lavagem deve ser feita usando luvas e separada das roupas da família;

Devem ser mantidos em locais limpos, secos, seguros e longe de produtos químicos

Transporte dos agrotóxicos     

O transporte de defensivos pode ser perigoso, principalmente, quando as embalagens são frágeis, devendo-se tomar as seguintes precauções

Nunca transportar defensivos agrícolas junto com alimentos, rações, remédios etc.;

 

Nunca carregar embalagens que apresentem vazamentos;

Embalagens contendo defensivos e que sejam suscetíveis a ruptura deverão ser protegidas durante seu transporte usando materiais adequados;

Verificar se as tampas estão bem ajustadas;

Impedir a deterioração das embalagens e das etiquetas;

Evitar que o veículo    de transporte tenha pregos ou parafusos sobressalentes dentro do espaço onde devem ser colocadas as embalagens;

Não levar produtos perigosos dentro da cabine ou mesmo na carroceria se nela viajarem pessoas ou animais;

Não estacionar o veículo junto às casas ou locais de aglomeração de pessoas ou de animais;

Em dias de chuva sempre cobrir as embalagens com lona impermeável se a carroceria for aberta.

Armazenamento dos agrotóxicos  

Um fator importante na armazenagem é a temperatura no interior do depósito. As temperaturas mais altas podem provocar o aumento da pressão interna nos frascos, contribuindo para a ruptura da embalagem, ou mesmo, propiciando o risco de contaminação de pessoas durante a abertura da mesma. Pode ocorrer ainda a liberação de gases tóxicos, principalmente daquelas embalagens que não foram totalmente esvaziadas, ou que foram contaminadas externamente por escorrimentos durante o uso. Estes vapores ou gases podem colocar em risco a vida de pessoas ou animais da redondeza.

Recomendações gerais

Armazenar em local coberto de maneira a proteger os produtos contra as intempéries;

 

A construção do depósito deve ser de alvenaria, não inflamável;

O piso deve ser revestido de material impermeável, liso e fácil de limpar;

Não deve haver infiltração de umidade pelas paredes, nem goteiras no telhado;

Funcionários que trabalham nos depósitos devem ser adequadamente treinados, devem receber equipamento individual de proteção e ser periodicamente submetidos a exames médicos;

Junto a cada depósito deve haver chuveiros e torneira, para higiene dos trabalhadores;

Um “chuveirinho” voltado para cima, para a lavagem de olhos, é recomendável.

As pilhas dos produtos não devem ficar em contato direto com o chão, nem encostadas na parede;

Deve haver amplo espaço para movimentação, bem como arejamento entre as pilhas;

Estar situado o mais longe possível de habitações ou locais onde se conservem ou consuma alimentos, bebidas, drogas ou outros materiais, que possam entrar em contato com pessoas ou animais;

Manter separados e independentes os diversos produtos agrícolas;

Efetuar o controle permanente das datas de validade dos produtos;

As embalagens para líquido devem ser armazenadas com o fecho para cima;

Os tambores ou embalagens de forma semelhante não devem ser colocados verticalmente sobre os outros que se encontram horizontalmente ou vice-versa; Deve haver sempre disponibilidade de embalagens vazias, como tambores, para o recolhimento de produtos vazados;

 

Deve haver sempre um adsorvente como areia, terra, pó de serragem ou calcário   para adsorsão de líquidos vazados;

Deve haver um estoque de sacos plásticos   , para envolver adequadamente embalagens rompidas;

Nos grandes depósitos é interessante haver um aspirador de pó industrial, com elemento filtrante descartável para se aspirar partículas sólidas ou frações de pós vazados;

Se ocorrer um acidente que provoque vazamentos, tomar medidas para que os produtos vazados não alcancem fontes de água , não atinjam culturas, e que sejam contidos no menor espaço possível. Recolher os produtos vazados em recipientes adequados. Se a contaminação ambiental for significativa, avisar as autoridades, bem como alertar moradores vizinhos ao local.

Pequenos depósitos

Não guardar defensivos agrícolas ou remédios veterinários dentro de residências ou de alojamento de pessoal;

Não armazenar defensivos nos mesmos ambientes onde são guardados alimentos, rações ou produtos colhidos;

Se defensivos forem guardados num galpão de máquinas, a área deve ser isolada com tela ou parede, e mantida sob chave;

Não fazer estoque de produtos além das quantidades previstas para uso a curto prazo, como uma safra agrícola;

Todos os produtos devem ser mantidos nas embalagens originais. Após remoção parcial dos conteúdos, as embalagens devem ser novamente fechadas;

No caso de rompimento de embalagens, estas devem receber uma sobrecapa, preferivelmente de plástico transparente para evitar a contaminação do ambiente. Deve permanecer visível o rótulo do produto;

 

Na impossibilidade de manutenção na embalagem original, por estar muito danificada, os produtos devem ser transferidos para outras embalagens que não possam ser confundidas com recipientes para alimentos    ou rações. Devem ser aplicadas etiquetas que identifiquem o produto, a classe toxicológica e as doses a serem usadas para as culturas em vista. Essas embalagens de emergência não devem ser mais usadas para outra finalidade.

Receituário agronômico

Somente os engenheiros agrônomos e florestais, nas respectivas áreas de competência, estão autorizados a emitir a receita. Os técnicos agrícolas podem assumir a responsabilidade técnica de aplicação, desde que o façam sob a supervisão de um engenheiro agrônomo ou florestal (Resolução CONFEA No 344 de 27-07-90).

Para a elaboração de uma receita é imprescindível que o técnico vá ao local com problema para ver, avaliar, medir os fatores ambientais, bem como suas implicações na ocorrência do problema fitossanitário e na adoção    de prescrições técnicas.

As receitas só podem ser emitidas para os defensivos registrados na Secretaria de Defesa Agropecuária – DAS do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que poderá dirimir qualquer dúvida que surja em relação ao registro ou à recomendação oficial de algum produto.

Aquisição dos defensivos agrícolas

Procurar orientação técnica com o engenheiro agrônomo ou florestal;

Solicitar o receituário agronômico, seguindo-o atentamente;

Adquirir o produto em lojas cadastradas e de confiança;

Verificar se é o produto recomendado (nome comercial, ingrediente ativo e concentração);

Observar a qualidade da embalagem, lacre, rótulo e bula;

 

O prazo de validade, o número de lote e a data de fabricação devem estar especificados;

Exigir a nota fiscal de consumidor;

Cuidados no manuseio dos defensivos

O preparo da calda é uma das operações mais perigosas para o homem e o meio ambiente, pois o produto é manuseado em altas concentrações. Normalmente esta operação é feita próximo a fontes de captação de água, como poços, rios, lagos, açudes etc. Geralmente ocorrem escorrimentos e respingos que atingem o operador, a máquina, o solo e o sistema hídrico, promovendo desta forma a contaminação de organismos não alvos, principalmente daqueles que usarão a água para sua sobrevivência.

Cuidados antes das aplicações

Siga sempre orientação de um técnico para programar os tratamentos fitossanitários;

Leia atentamente as instruções constantes do rótulo do produto e siga-as corretamente. O rótulo das embalagens deve conter as seguintes informações:

–       A dosagem a ser aplicada;

–       Número e intervalo entre aplicações;

–       Período de carência;

–       Culturas, pragas, patógenos etc. indicados;

–       DL50;

–       Classe toxicológica;

–       Efeitos colaterais no homem, animal, planta e meio ambiente;

–       Recomendações gerais em caso de envenenamento;

 

–       Persistência (tempo envolvido na degradação do produto);

–       Modo de ação do produto;

–       Formulação;

–       Compatibilidade com outros produtos químicos e nutrientes ;      Precauções.

Inspecione sempre o plantio;

Abra as embalagens com cuidado, para evitar respingo, derramamento do produto ou levantamento de pó;

Mantenha o rosto afastado e evite respirar o defensivo, manipulando o produto de preferência ao ar livre ou em ambiente ventilado;

Evitar o acesso de crianças, pessoas desprevenidas e animais aos locais de manipulação dos defensivos;

Não permita que pessoas fracas, idosas, gestantes, menores de idade e doentes, apliquem defensivos. As pessoas em condições de aplicarem defensivos devem ter boa saúde, serem ajuizadas e competentes;

Estar sempre acompanhado quando estiver usando defensivos muito fortes;

Verifique se o equipamento está em boas condições;

Use aparelhos sem vazamento e bem calibrados, com bicos desentupidos e filtros limpos;

Use vestuários EPIs durante a manipulação e aplicação de defensivos. Após a operação, todo e qualquer equipamento de proteção deverá ser recolhido, descontaminado, cuidadosamente limpo e guardado.

Cuidados durante as aplicações

Não pulverizar árvores estando embaixo delas;

Evitar a contaminação das lavouras vizinhas, pastagens, habitações etc;

 

Não aplique defensivos agrícolas em locais onde estiverem pessoas ou animais desprotegidos;

Não aplique defensivos nas proximidades de fontes de água;

Não fume, não beba e não coma durante a operação sem antes lavar as mãos e o rosto com água e sabão;

Não use a boca – nem tampouco arames, alfinetes ou objetos perfurantes  para desentupir bicos, válvulas e outras partes dos equipamentos;

Não aplique defensivos quando houver ventos fortes, aproveite as horas mais frescas do dia;

Não fazer aplicações contra o sentido do vento;

Não permitir que pessoas estranhas ao serviço fiquem no local de trabalho durante as aplicações;

Evitar que os operários durante a operação trabalhem próximo uns dos outros.

Cuidados após as aplicações

As sobras de produtos devem ser guardadas na embalagem original, bem fechadas;

Não utilize as embalagens vazias para guardar alimentos, rações e medicamentos; queime-as ou enterre-as;

Não enterre as embalagens ou restos de produto junto às fontes de água;

Queime somente quando o rótulo indicar e evite respirar a fumaça;

Respeite o intervalo recomendado entre as aplicações;

Respeite o período de carência;

Não lave equipamentos de aplicações em rios, riachos, lagos e outras fontes de água;

 

Evite o escoamento da água de lavagem do equipamento de aplicações ou das áreas aplicadas para locais que possam ser utilizados pelos homens e animais;

Ao terminar o trabalho, tome banho com bastante água fria e sabão. A roupa de serviço deve ser trocada e lavada diariamente

Descarte das embalagens vazias

O destino das embalagens vazias é atualmente regulamentado por lei e de responsabilidade do fabricante do produto, que periodicamente deve recolhê-las.

Causas de fracassos no controle fitossanitário

Aplicação de defensivos deteriorados. O defensivo pode deteriorar-se pelas condições de armazenagem e preparo;

Uso de máquinas e técnicas de aplicação inadequadas;

Não observância dos programas de tratamento, tanto no que diz respeito à época, intervalo, como em número de aplicações;

Escolha errônea dos defensivos;

Início do tratamento depois que grande parte da produção já está seriamente comprometida;

Confiança excessiva nos métodos de controle químico;

Manutenção e lavagem dos pulverizadores

A manutenção e limpeza dos aparelhos que aplicam defensivos, devem ser realizadas ao final de cada dia de trabalho ou a cada recarga com outro tipo de produto, tomando os seguintes cuidados:

Colocar os EPIs recomendados;

Após o uso, certificar de que toda a calda do produto foi aplicada no local recomendado;

 

Junto com a água de limpeza, colocar detergentes ou outros produtos recomendados pelos fabricantes;

Repetir o processo de lavagem com água e com o detergente por no mínimo, mais duas vezes;

Desmontar o pulverizador, removendo o gatilho, molas, agulhas, filtros e ponta, colocando-os em um balde com água;

Limpar também o tanque, as alças e a tampa, com esponjas, escovas e panos apropriados;

Certificar-se de que o pulverizador está totalmente vazio;

Verificar se a pressão dos pneus é a correta, se os parafusos de fixação apresentam apertos adequados, se a folga das correias é a conveniente etc.;

Verificar se há vazamento na bomba, nas conexões, nas mangueiras, registros e bicos, regulando a pressão de trabalho para o ponto desejado, utilizando-se somente a água para isso;

Destravar a válvula reguladora de pressão, quando o equipamento estiver com a bomba funcionando sem estar pulverizando. O mesmo procedimento deverá ser seguido nos períodos de inatividade da máquina;

No preparo da calda, utilizar somente água limpa, sem materiais em suspensão, especialmente areia;

Regular o equipamento, sempre que o gasto de calda variar de 15% em relação ao obtido com a calibração inicial;

Trocar os componentes do bico sempre que a sua vazão diferir de 5% da média dos bicos da mesma especificação.

Fonte: EMBRAPA– mandioca e fruticultura.

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