Em meio à preocupação mundial com a preservação da Amazônia, alvo de queimadas e desmatamentos, a empresa brasileira Mahogany Roraima mostra como tem aliado recuperação de áreas degradadas e desenvolvimento econômico sustentável.

Enquanto imprensa e governos de todo o mundo voltam suas atenções e preocupações para queimadas e desmatamentos indiscriminados na Amazônia, florescem no Estado de Roraima os exemplos mais concretos de como é possível aliar recuperação acelerada de áreas degradadas e desenvolvimento econômico.

Quarta maior empresa de produção de mogno africano no mundo, a Mahogany Roraima, com filial em Boa Vista, desenvolveu estrutura própria e tecnologia de ponta para plantar 200 hectares ao dia (4 mil ha/ano), com apenas 39 pessoas, em uma área total de 90 mil ha – a meta é chegar a 2021 com 13 mil hectares de mudas plantadas e, em dez anos, a 40 mil ha, criando a maior empresa de produção de mogno do mundo.

Em outra frente, a empresa investe em um projeto de reflorestamento sustentável que vai reconstituir um passivo de 172 mil hectares devastados de mata nativa, produzindo madeira que poderá gerar lucro futuro aos donos das terras – eles poderão extrair 20% de árvores nas áreas reflorestadas para manejo.

Enquanto não chega o tempo de exploração da madeira, o projeto Agrofloresta Solidária, financiado pela empresa, capacita pequenos agricultores para o cultivo e comercialização de frutas e hortifrutis dentro das áreas de florestas.

Gerando lucro com o reflorestamento e condições para os trabalhadores sobreviverem preservando o máximo possível o meio ambiente, a Mahogany Roraima atende às principais metas da cartilha internacional de desenvolvimento econômico sustentável. Mostra, assim, que existem alternativas em meio ao caos em que vivemos na questão ambiental. “Inclusive alternativas regionais. Uma esperança a projetos de reflorestamento em larga escala”, pontua o empresário Marcello Guimarães, presidente do Conselho Administrativo da Mahogany Roraima.

Operacionalização

A Mahogany Roraima desenvolveu tecnologia de ponta para o plantio de suas mudas: uma máquina 100% automática de “plantar florestas”, criada por Marcello, que simplifica e acelera o processo. Ainda permite uma distribuição planejada de espécies nativas, contribuindo para o desenvolvimento e preservação da biodiversidade nas áreas reflorestadas.

O plantio já está sendo feito pela empresa, no Estado de Roraima, em duas frentes:

· Reflorestamento em áreas devastadas, com parceria agrícola: a empresa planta em área de terceiros, arcando com os custos e, em troca, fica com os créditos de carbono (*) e o manejo da madeira no futuro. O proprietário parceiro fica com 20% do valor produzido;

· Plantio em áreas próprias: com investimentos vindos de fundos específicos para reflorestamento, como os existentes na Noruega e no próprio governo de Roraima.

O investimento total da Mahogany Roraima, somente no projeto de plantio de mogno, deve somar R$ 487 milhões em dez anos. A previsão de retorno financeiro é de R$ 14 bilhões em 40 anos, considerando valores pagos hoje pelo mogno africano: R$ 5.000 o metro cúbico serrado (cada hectare plantado resulta em 150 m3 de madeira).

Suporte a refugiados

Mais uma prova da consciência cidadã a mover os dirigentes da Mahogany Roraima é sua participação na Operação Acolhida – ação humanitária interagências, conduzida no Brasil por Forças Armadas, Governo e Polícias Federais – que consiste em intermediar a contratação de refugiados venezuelanos por empresas comprovadamente idôneas.

Segundo estimativas oficiais, vivem hoje, em Roraima, mais de 32 mil venezuelanos, que têm imigrado em massa para o Brasil, via fronteira de Boa Vista, desde 2015, fugindo do caos econômico e político de seu país.

A Mahogany Roraima emprega, atualmente, 15 venezuelanos diretamente e outros 40 de forma indireta, em funções como serviços gerais, cozinheiro (a), viveirista, tratorista, projetista agrícola, entre outras ligadas ao plantio das florestas de mogno.

Por meio da produção nas Agroflorestas, a empresa ainda fornecerá ao Exército, a cada três meses, alimentos suficientes para alimentar 6 mil famílias de refugiados – 2 mil ao mês.

Promovendo cidadania

E como parte de seu esforço em prol do desenvolvimento econômico sustentável, a empresa fechou parceria com a Prefeitura de Boa Vista e com o Governo do Estado de Roraima para criação de um projeto de educação ambiental. Por meio do acordo, serão proferidas aulas dentro da empresa, visitas ao viveiro de mudas, às florestas e agroflorestas, além de exibição de um filme educativo e lúdico. “Precisamos ensinar para todos porque é tão importante preservar as florestas e plantar árvores”, conclui Marcello Guimarães.

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(*) REFLORESTAR É BOM NEGÓCIO

O mercado de créditos de carbono surgiu a partir do Protocolo de Quioto, acordo internacional que estabeleceu metas de redução – de 5,2% em média, em relação aos níveis medidos em 1990 – na emissão de gases do efeito estufa pelos países desenvolvidos.

Foi criado, então, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), que prevê a redução certificada das emissões. Uma vez conquistada essa certificação, quem promove a redução da emissão de gases poluentes tem direito a créditos de carbono que podem ser comercializados com os países com metas a cumprir.

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