A Guerra Civil Síria é um conflito que teve início após uma sucessão de grandes protestos da população a partir do mês de janeiro de 2011. Um mês depois, o tom das manifestações ficou mais agressivo e elas se tornaram rebeliões armadas influenciadas pelas diversas revoltas que ocorriam ao mesmo tempo no Oriente Médio: a Primavera Árabe.

Os grupos de oposição, ao se manifestarem de forma incisiva, têm o objetivo de derrubar Bashar al-Assad, presidente do país, para iniciar um processo de renovação política e criar uma nova configuração à democracia da Síria. Porém, a situação acredita que as ações do Exército Sírio Oficial, que pratica ações violentas contra os manifestantes, são formas de combate aos terroristas que pretendem desestabilizar a nação. Devido a isso, teve início uma mobilização envolvendo os veículos de comunicação e a sociedade, que exigiram mais transparência dos políticos, liberdade de expressão e promulgação de um novo conjunto de leis.

Voltando ao ano de 1962, pode-se fazer uma análise da situação da Síria e descobrir o porquê do tom emergencial dos protestos. Naquele ano, foram suspendidas as medidas de proteção para os cidadãos do país que estavam previstas na constituição anterior. Considerado um ditador, Hafez al-Assad manteve-se no poder da nação durante três décadas, passando o posto para o seu filho Bashar al-Assad, que se mantém no poder com mão-de-ferro desde 2000.

Devido a estes fatores, as manifestações da população síria foram iniciadas em frente as embaixadas estrangeiras de Damasco (capital) e ao parlamento sírio. Para conter os protestos, o governo mandou as forças militares do país contra os motins. Então começaram os conflitos entre as população e os soldados sírios, que, ao longo dos protestos, já resultaram em centenas de mortes, sendo que a grande parte refere-se aos civis.

Porém, diversos militares demonstraram-se contrários às ações do exército para conter a população. Há relatos de soldados sendo expulsos das forças militares após se recusarem a atirar na população. Depois de diversas represálias governamentais contra os guerrilheiros rebeldes, um grupo de civis e desertores formaram uma ação conjunta e criaram o Exército Livre da Síria para lutar contra as ações violentas do governo. No segundo semestre do ano de 2011, os opositores reuniram-se em uma organização única que foi batizada pelo nome de Conselho Nacional da Síria.

A partir deste momento, a guerra civil tornou-se ainda mais brutal e teve início um processo de incursão das forças oficiais do governo em territórios controlados pela oposição. Em 2012, os inúmeros conflitos foram categorizados como Guerra Civil pela Cruz Vermelha. Desta forma, foi aberto um atalho para o emprego de investigações referentes a crimes de guerra e a aplicação de medidas do Direito Humanitário Internacional e das decisões acertadas nas convenções de Genebra.

De acordo com dados de ativistas, a quantidade de mortes causada pelo conflito é de mais de 100.000 pessoas, sendo que 130.000 teriam sido detidas pelo governo sírio através das forças armadas. Fora isso, cerca de 2 milhões de cidadãos buscaram refúgio em outros países. Grande parte dos refugiados encontra abrigo no Líbano, nação vizinha da Síria.

Forças militares que apoiam Assad receberam acusações de serem responsáveis por assassinatos e ações violentas contra civis. Entretanto, no período em que ocorreram as manifestações, os grupos de oposição, incluindo o Exército Livre da Síria, também foram acusados por grupos de direitos humanos por atrocidades e homicídios.

Porque é que os EUA atacaram a Síria?

Os Estados Unidos atacaram a base aérea de al-Shayrat, perto da cidade síria de Homs, porque acreditam que foi dali que partiram os aviões do regime de Bashar al-Assad que terão lançado um ataque com armas químicas sob a cidade de Khan Shaykhun na terça-feira, matando pelo menos 86 civis.

A acusação foi feita por Donald Trump (e não só) ao longo desta semana. Já na quinta-feira, o Presidente norte-americano colocara a hipótese de agir militarmente, de forma pontual e isolada, na Síria. Ao final do dia, momentos antes de jantar com o Presidente da China, Xi Jinping, anunciou o ataque à base aérea de al-Shayrat.

Nesse anúncio, que não passou dos três minutos, Donald Trump acusou “o ditador sírio” de lançar “um horrível ataque com armas químicas contra civis inocentes”. “Foi uma morte lenta e brutal para várias pessoas, até lindos bebés que foram cruelmente assassinados nestes ataques bárbaros”, disse o Presidente dos EUA.

Donald Trump defende que “não há dúvida de que a Síria usou armas químicas proibidas” e acredita que “é essencial para o interesse da segurança nacional dos EUA prevenir e dissuadir o uso de armas químicas letais”.

Numa outra conferência de imprensa, o secretário de Estado e chefe de diplomacia dos EUA, Rex Tillerson, disse que os EUA tiveram de agir porque “claramente a Rússia falhou na sua responsabilidade” de garantir a destruição e controlo sobre o arsenal químico sírio, que foi acordada em 2013, num compromisso onde esteve envolvido Barack Obama.

“Claramente a Rússia falhou na sua responsabilidade de cumprir o que foi acordado”, disse Rex Tillerson horas depois do ataque. O secretário de Estado dos EUA foi claro a apontar o dedo à Síria, onde até há pouco tempo, quando era empresário petrolífero, era recebido de braços abertos. “Ou a Rússia é cúmplice ou é simplesmente incompetente no cumprimento desse acordo.” Ainda assim, o chefe da diplomacia dos EUA disse que “não se deve, de qualquer modo, extrapolar que [os ataques] mudaram a nossa política ou postura em relação à Síria”.

No entanto, por mais que Rex Tillerson insista, parece evidente que os EUA acabaram de mudar de rumo ao atacarem, pela primeira vez desde que a guerra da Síria começou, posições leais ao regime de Bashar al-Assad.

Até por outra coisa que Rex Tillerson disse numa outra conferência de imprensa, horas antes: “O papel de Assad no futuro é incerto e com as ações que ele tem tomado, parece que não há espaço para ele governar o povo sírio”. Ora, por mais que Rex Tillerson diga uma e outra coisa no mesmo dia, uma coisa é certa: os EUA nunca tinham atacado o regime de Bashar al-Assad e isso terá repercussões.

CRIANÇAS MORTAS NO ATAQUE QUÍMICO

Fontes: http://www.infoescola.com/historia/guerra-civil-siria/

http://www.slideshare.net/Iarahist/guerra-civil-sria-armas-qumicas
http://www.campoformosonoticias.com/v4/2013/09/guerra-civil-siria-ja-tem-2-milhoes-de-refugiados/
http://noticias.r7.com/internacional/guerra-civil-na-siria
http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Civil_Síria

Edição de matérias sobre Seropédica e atualidades.

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