Cientistas chineses criaram sistema que coleta e purifica o fluido lacrimal, permitindo separar exossomos, vesículas que transportam biomarcadores de enfermidades

Pesquisadores da Unversidade de Medicina Wenzhou, na China, desenvolveram uma tecnologia que coleta e purifica lágrimas humanas, permitindo identificar biomarcadores de doenças, como câncer e diabetes. O sistema faz parte de um estudo publicado no último dia 20 de julho no jornal  ACS Nano.

A tecnologia, apelidada de iTEARS, purifica e separa pequenas “bolhas” presentes nas lágrimas, chamadas exossomos, ao identificar os genes dessas vesículas que transportam lipídios, ácidos nucleicos e até proteínas. O sistema então identifica as estruturas, que servem de indícios de doenças e melhoram a precisão dos diagnósticos.

O método é menos invasivo e não depende de uma avaliação de sintomas do paciente, que podem passar despercebidos nos estágios iniciais de certas doenças. Outras técnicas para isolar exossomos requerem um processamento bem mais longo e complicado, além de grandes volumes de amostra.

Os cientistas se perguntaram se um sistema de nanomembranas, que eles criaram para isolar exossomos da urina e do plasma, poderia também ajudá-los a obter as vesículas nas lágrimas. Então eles modificaram sua ideia original e tiveram sucesso.

“As lágrimas podem ser coletadas de forma não invasiva e auto-colhidas dos pacientes para análise de exossomos”, eles escreveram na pesquisa. A equipe foi capaz de separar as vesículas em apenas 5 minutos, filtrando lágrimas sobre as membranas nanoporosas com um fluxo de pressão oscilante.

Um total de 400 tipos diferentes de proteínas foram encontradas nos exossomos. Essas moléculas podem ser marcadas com sondas fluorescentes e depois transferidas para uma análise posterior em outros instrumentos. Os ácidos nucleicos, presentes nas vesículas, foram extraídos e também estudados.

Com isso, os pesquisadores distinguiram vários pacientes doentes, ao comparar amostras deles com as de pessoas saudáveis. Entre as enfermidades identificadas, estavam diversos tipos de doença do olho seco, retinopatia diabética, além de anomalias sintemáticas e inúmeros distúrbios neurodegenerativos. Segundo concluíram os experts, “os exossomos são uma fonte promissora para detecção precoce de doenças”.

Fonte: Revista Galileu