Em novembro já faleceram quase 25 mil pessoas por doenças cardíacas pelo País. O médico aponta o estresse e as drogas como causa de morte entre os jovens

Uma forte sensação no peito, como se rasgasse e sufocasse com a dor extrema descendo pelo pescoço e chegando aos braços, essa pode ser a sensação do infarto. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardíacas é uma das principais causas de morte no Brasil, sendo responsável por mais de 30% dos casos registrados, e mais de mil mortes por dia e cerca de 43 por hora. Conforme o médico cardiologista Sandro Franco, esse tipo de morte também tem aumentado nos jovens.

Recentemente foi noticiada a morte de um rapaz de 18 anos que sofreu uma parada cardíaca durante uma prova do Detran e nos últimos dias o jovem jornalistas sofreu um infarto fulminante após um mal súbito.

“O infarto e o AVC (acidente vascular cerebral) são os que mais matam no Brasil, as duas matam no mundo todo, principalmente o infarto. E são vários fatores que desencadeiam isso, como a hipertensão, diabete, colesterol, tabagismo, sedentarismo, obesidade o fator familiar também contribui para o infarto. Quanto mais fatores você tiver associado maiores são as chances de se ter um infarto”, informou o cardiologista.

Ele conta que as doenças cardiovasculares se desenvolvem ao longo da vida, se o paciente já tem fatores de risco e não mantém uma vida saudável. Sandro contou que um estudo realizado pelo Datasus apontou que de 2010 a 2016 houve um aumento de mais de 10% da incidência de infartos nos jovens.

“No jovem é diferente, existem outros fatores. Eles têm uma vida desregrada, não fazem exercícios, são obesos, muito fast food e isso aumenta o colesterol, que causa infarto, mas eu acho que um dos grandes problemas são as drogas como um todo, mas a maconha e principalmente a cocaína são grandes responsáveis”.

O médico explicou que na primeira hora de consumo da cocaína uma pessoa aumenta em 24 vezes o risco de ter um infarto, em relação a uma pessoa que não consumiu. “Tem um estudo recente que foi publicado em um jornal de cardiologia e ele estudou dois mil casos de infarto abaixo de 40 anos, o resultado mostrou que 10% dos casos eram por drogas”.

Ele narrou a história em que no início do ano, dentro da escola, um rapaz teve uma parada cardíaca por carbonização, ou seja, ele aspirou o spray do desodorante. Ele ficou meses internado no hospital e teve sequelas, hoje vive sob cuidados.

Sandro Franco explicou também que arritmias cardíacas também causam a morte súbita e pode ser alguma doença estrutural que o paciente não sabia que tinha. Nos casos dos atletas, ele aponta que o coração aumenta a espessura do músculo, aumentando as chances de arritmias que levam a morte súbita.

“Era uma coisa que acontecia após os 40 anos de idade, a idade do infarto, mas começamos a ter jovens com placas de gordura nas artérias com 20 e 30 poucos anos”. O cardiologista sintetiza que o uso de drogas e doenças genéticas são os grandes fatores, mas o estresse também é uma causa de infarto.

“Ele está entre um dos maiores fatores das doenças cardíacas. É o infarto sem doença nas coronárias, sem obstrução nas artérias, chama síndrome do coração partido ou cardiomiopatia de takotsubo. Ela é associada a estresse extremo, até mesmo desilusão amorosa”.

Além disso, o médico aponta para a vida muito rápida que o cidadão tem no mundo atual. “É estresse no trânsito, na faculdade, muita internet, pouco exercícios que acabam contribuindo para os riscos de infarto”.

Outro fator de risco é a obesidade. “Ela vem aumentando pelo mundo inteiro e está relacionada a diabete, colesterol alto e sedentarismo que podem causar doenças cardíacas. Hoje em dia a obesidade não é uma questão de estética, mas sim de saúde”.

O médico recomenda que um paciente que está sentido dores no peito um remédio “salvador” é o AS infantil. “Dois ou três comprimidos para mastigar pode salvar vidas”. Para quem presencia o outro tendo um mal súbito, é recomendado acionar o SAMU através do 192, deitar o paciente em uma superfície dura e massagear o peito e se possível realizar uma respiração boca a boca. Tais procedimentos podem ajudar a salvar a vida da pessoa.

Sandro recomenda que as pessoas tentem levar uma vida mais controlada com as bebidas alcoólicas, obesidade, realização de atividades físicas, dietas, controlar o sal na alimentação e o estresse diário. “Os problemas sempre existiram, mas se deve buscar uma vida saudável”.

As mortes por doenças cardiovasculares vêm crescendo nos últimos anos. Conforme a Sociedade Brasileira de Cardiologia, é estimado que cerca de 400 mil brasileiros morrerão por doença do coração e da circulação em 2018, sendo que o índice já aponta a morte de quase 355 até o momento. No mês de novembro já faleceram de doenças cardíacas quase 25 mil pessoas por todo o país.

 

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