Com a proximidade do carnaval, maior festa de rua do Brasil, muitos foliões estão se perguntando sobre os riscos de serem infectados pelo coronavírus no meio da multidão. O médico infectologista Demétrius Montenegro esclarece que, assim como todos os anos, as pessoas precisam se preocupar com a saúde de uma forma geral, tomando cuidado com o contágio por Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs) e Aids, diarreias e qualquer tipo de gripe. “ A gente está vivendo um verão bem intenso. Então, a orientação é cuidar da saúde de uma maneira geral porque isso evita todas as doenças, as de transmissão de contato e aérea”, explicou.
De acordo com o especialista, o Ministério da Saúde também não fez nenhuma recomendação específica para o período de carnaval. “Até porque a Anvisa está fazendo bloqueio de portos e aeroportos para turistas e pessoas que estão vindo brincar carnaval na região.”
A dica é adquirir hábitos saudáveis desde já, assim como na época do H1N1. A orientação é lavar as mãos, evitar passar as mãos nos olhos, boca e nariz e andar sempre com álcool em gel. “Se a população já cria esse hábito, se acontecer uma epidemia na região, já haverá esse hábito saudável. Isso vai dificultar a circulação do vírus”, destacou o infectologista.
Montenegro explicou que o coronavírus já existe em animais e protagonizou outras epidemias. “A característica desse vírus atual é que ele sofreu uma mutação. Por isso é chamado de novo coronavírus. Vem se comportando de forma diferente. Essa transmissão entre humanos está se dando de maneira mais eficaz que as epidemias anteriores. No entanto, ainda é preciso estudar muito a relação desse vírus com o humano”, esclareceu.
Outro ponto importante destacado pelo infectologista é que, inicialmente, a letalidade registrada foi muito elevada, ou seja, a quantidade de óbitos diante do número de casos confirmados da doença. A boa notícia é que a curva está mudando. “O que se observa ao longo da epidemia é que essa letalidade vem diminuindo. Hoje essa letalidade fica um pouco maior que o influenza. Lógico que as pessoas precisam se precaver, mas não precisa o pânico generalizado. Até porque não tem caso suspeito em Pernambuco.”
A China, explicou Montenegro, também tem uma condição epidemiológica favorável neste momento. “A China é um dos países com maior população do mundo. Seus habitantes estão passando pelo inverno, que é uma estação que propicia a transmissão de vírus. Felizmente, estamos em um verão muito quente, as pessoas não ficam confinadas em casa, em escolas e creches, o que facilita essa transmissão.”
A qualquer sinal de tosse, falta de ar e febre, é preciso manter a calma e pensar sobre as possibilidades de contágio. Se a pessoa não esteve na China, não há porque se preocupar. “O contato com alguém que foi para a China também não oferta risco se essa pessoa não tiver sintomas”, esclareceu Montenegro.
Outra notícia que tranquiliza é que a grande maioria dos casos nos relatos epidemiológicos são considerados leves, disse Montenegro. “Tanto que essas pessoas são acompanhadas no isolamento domiciliar. Uma proporção menor de pessoas é que vai ter estado mais grave e, menor ainda, é a questão do óbito.”
Pessoas com sintomas suspeitos podem ir para qualquer unidade de saúde. No atendimento, a equipe médica atesta se realmente o caso é suspeito e o encaminha para Hospitais de referencia para o assunto.
O infectologista destacou, ainda, que grupos considerados mais vulneráveis (pessoas com diabetes, cardiopatas ou com doenças pulmonares prévias) precisam ter os mesmos cuidados de sempre relacionados a doenças respiratórias e não somente para o coronavírus. “Quantas pessoas já morreram de gripe? A gente acha que porque colocou nome novo em quadro respiratório a tendência é a gente achar que essa doença vai matar mais. Não é isso. A gripe mata também. Agora, como a gripe já é uma coisa do nosso dia a dia, o H1N1 meio que banalizou, por exemplo. A gente perde o medo. Mas chega uma nova entidade, aumenta o medo.”
Produtos chineses – Diante do questionamento de algumas pessoas sobre os riscos de se contaminar com o coronavírus a partir do contato com produtos ou mesmo correspondências vindas da China, o infectologista afirmou que isso não faz o menor sentido. “Lógico que o vírus não vem no produto. O vírus vive muito pouco no ambiente externo. A gente vive no calor e esse produto, para vir da China para cá, passou por um período longo no ambiente externo. Não precisa ter medo de comprar produtos chineses”, atestou.
Diário de Pernambuco

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