Mais de 70 mil brasileiros morreram entre 2000 a 2017 de causas associadas à hepatite, sendo 76% dos óbitos relacionados ao tipo C. Os dados são do último boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde e alertam para a importância do Dia Mundial da Luta contra as Hepatites Virais. O Ministério da Saúde também estima que 500 mil habitantes estejam infectados atualmente pelo vírus do tipo C sem saber.

E afinal, o que são as hepatites? Segundo a Dra. Carolina Lázari,, hepatites são, por definição, doenças caracterizadas por um processo inflamatório no fígado. “Podem ter origem infecciosa ou não. Dentre elas, destacam-se as hepatites infecciosas causadas por vírus que acometem preferencialmente o fígado, classificadas em hepatites A, B, C, D e E”, explica.

Transmissão e Sintomas

A transmissão das hepatites A e E é fecal-oral, quando a infecção é adquirida por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados com vírus que são eliminados nas fezes das pessoas doentes. “Já as Hepatites B, C e D são adquiridas por via parenteral, ou seja, por meio de relação sexual, transfusão de sangue e compartilhamento de instrumentos pérfuro-cortantes contaminados, como agulhas e seringas, instrumentos cirúrgicos, entre outros”, explica a médica.

Na fase aguda da doença, que ocorre logo após a aquisição da infecção, podem ocorrer febre, mal-estar, dor no corpo, náuseas, vômitos e coloração amarela da pele e dos olhos (icterícia). “Complicações podem ocorrer na fase crônica das hepatites B, C e D, decorrentes da insuficiência da função do fígado, como acúmulo de líquido no abdômen (ascite) e sangramentos. Vale ressaltar que boa parte das hepatites B e C são assintomáticas na fase aguda, podendo apresentar manifestações somente na fase crônica”, alerta a especialista.

Diagnóstico e Tratamento

O diagnóstico é basicamente sorológico por meio de técnicas que pesquisam anticorpos contra os vírus (IgG e IgM) no sangue do paciente. Em algumas situações podem ser necessários testes moleculares (PCR) que pesquisam no sangue o material genético do vírus.

“O tratamento é variável, conforme o tipo de hepatite. A hepatite A habitualmente não requer medicamentos específicos, apenas medidas para amenizar os sintomas. Já as hepatites B e C geralmente são tratadas quando se tornam crônicas, com medicamentos antivirais específicos a cada um dos vírus”, explica Dra. Carolina.

Prevenção e risco

As hepatites de transmissão fecal-oral podem ser prevenidas com medidas de higiene e com políticas públicas de tratamentos de água e esgoto. As de transmissão parenteral são prevenidas com uso de preservativos nas relações sexuais, o controle de qualidade nos bancos de sangue, esterilização de instrumental hospitalar e o não compartilhamento de objeto perfuro-cortantes. Para as hepatites A e B existem vacinas bastante eficazes, disponíveis na rede pública de saúde.

“Para as hepatites de transmissão fecal-oral estão expostas, principalmente, as pessoas com menor acesso à água tratada e saneamento básico. Para aquelas de transmissão parenteral, está sujeita qualquer pessoa que tenha relações sexuais desprotegidas ou aquelas que compartilham agulhas, equipamentos de tatuagem, material de manicure ou outros objetos contaminados” informa a especialista.

Fonte: Diário do Rio