A Argentina autorizou na sexta-feira, 24, o início da fase de ensaios clínicos em humanos de uma solução hiperimune contra a covid-19 na próxima semana. O potencial medicamento é feito a partir de um soro com anticorpos de cavalos.

O tratamento fornece anticorpos aos pacientes para que consigam frear e neutralizar a ação do novo coronavírus no organismo, impedindo que penetre nas células e se replique. Nas fases anteriores do estudo, os ensaios in vitro indicaram que esse potencial de neutralização pode aumentar em cerca de 50 vezes com o uso do soro, resultado que foi publicado na revista argentina Medicina.

O medicamento é desenvolvido em conjunto pela empresa de biotecnologia Inmunova, a Universidad Nacional de San Martín (UnSam) e o Instituto Biológico Argentino, com a colaboração de outras instituições. O estudo começará em quatro hospitais da província de Buenos Aires, mas será expandido para outros dez centros de saúde da área metropolitana da capital. Ao todo, participarão 242 pacientes voluntários com quadro moderado da doença, sintomas há cerca de 10 dias e hospitalizados.

O soro contém anticorpos policlonais de equinos, obtidos a partir da injeção de uma proteína recombinante do novo coronavírus em cavalos, método semelhante ao utilizado na produção de outros tipos de medicamentos. Após serem extraídos do plasma dos cavalos, os anticorpos são purificados e processados.

“O equino é uma biofábrica. Com muitos poucos cavalos, pode-se obter muito soro”, disse Fernando Goldbaum, diretor científico da Inmunova e diretor do Centro de Redesign e Engenharia de Proteínas da UnSam. “Nosso soro é isento de doadores, pode ser produzido em grandes quantidades e pode ser fornecido a cada paciente em uma concentração conhecida de anticorpos”, afirmou.

A Argentina chegou a 2.807 mortes e 153,5 mil casos confirmados do novo coronavírus na sexta-feira. O epicentro da doença é a província de Buenos Aires, com mais da metade dos casos registrados no País.

Estudo no Rio também utiliza anticorpos de cavalos para neutralizar a covid-19
Um soro com processo semelhante é desenvolvido pela UFRJ e o Instituto Vital Brazil desde maio. O processo inclui a aplicação de fragmentos do vírus isolado e inativo em cavalos para a posterior extração de anticorpos.

Esse tipo de soro hiperimune já é utilizado no tratamento da raiva e contra venenos de animais peçonhentos. O material passa por diversas etapas de produção e testes até se tornar um soro.

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