Para um tratamento eficiente e com mais chances de controle, os médicos defendem a importância do diagnóstico precoce. A detecção precoce de qualquer enfermidade pode ser determinante para salvar uma vida

A eficácia no tratamento médico de muitas doenças depende várias vezes da agilidade com que ele se inicia. Para isso, o diagnóstico precoce e preciso é fundamental. Se há bem pouco tempo os procedimentos para a detecção de certas doenças eram complexos e demorados, hoje a realidade é bem diferente. Os testes rápidos estão ganhando espaço no mercado e são capazes de confirmar, com um tempo médio de dez a quinze minutos, se um paciente é portador de determinada doença.

Oito novos testes de diagnóstico rápido acabam de chegar ao mercado brasileiro, todos trazidos pela MedLevensohn, distribuidora há 15 anos de produtos voltados para a saúde e bem-estar. São eles: teste de PSA (indicativo de câncer de próstata); Troponina/cardíaca (propensão a infarto de miocárdio); H. Pylori (bactéria localizada no estômago); Sangue oculto nas fezes ( possibilidade de câncer colorretal), Influenza A+B (H1N1), Dengue (NS1), HCV (Hepatite C) e HBsAg (Hepatite B). Eles se juntam, portanto, a outros dois já presentes na realidade clínica há alguns anos: os de HIV (Tipo 1, Tipo 2 e Subtipo O) e Dengue (Anticorpos IgG e IgM).

Praticidade e precisão nos testes

A praticidade dos testes rápidos para diagnóstico precoce é inegável. Facilita bastante a vida do paciente, sobretudo por otimizar seu tempo. Ele não precisa voltar ao local do exame no dia seguinte, ou no prazo que for, uma vez que já consegue obter o resultado em poucos instantes.

Para Alexandre Chieppe, médico especialista em saúde pública, o impacto desses exames no universo da saúde já é considerável:

― Os testes são uma grande revolução do diagnóstico laboratorial, pois permitem que os profissionais de saúde tomem decisões precisas de tratamento e em pouco espaço de tempo.

Segundo Chieppe, os testes rápidos podem ser especialmente oportunos em casos epidêmicos e quando uma situação emergencial pressiona o profissional de saúde para que indique a melhor alternativa terapêutica. Ele menciona a importância da detecção rápida do vírus Influenza, por exemplo, cujos sintomas muitas vezes se confundem com os da gripe comum, o que faz com que o diagnóstico diferencial possa não ser conclusivo pelas vias tradicionais.

― A aplicação do teste rápido numa fase inicial permite que você entre com um medicamento antiviral de forma imediata em uma pessoa com maior risco de complicação ― diz o médico, lembrando que, para certos grupos de risco, o influenza pode levar à morte.

Os MedTests já são muito utilizados no mercado hospitalar Foto: Divulgação
Os MedTests já são muito utilizados no mercado hospitalar Foto: Divulgação

Anna Luiza Szuster, diretora de relações internacionais da MedLevensohn, acrescenta que aplicar de forma equivocada um tratamento de influenza num quadro de gripe comum é prejudicial a todos.

― Muitas vezes a pessoa vai passar por um tratamento mais forte do que o necessário. E é ruim também para o hospital – ou outra entidade médica –, que acaba gastando mais ― explica.

A administração dos testes é relativamente simples. É utilizada uma gota de sangue absorvida pela tira que indicará o resultado. Cabe a ressalva, no entanto, de que a consolidação gradual desses testes no âmbito clínico não exime necessariamente o paciente de outros exames convencionais.

Se a existência da bactéria H. Pylori, por exemplo, é confirmada pelo exame rápido, isso evita que a pessoa precise passar pela endoscopia digestiva, procedimento bem mais agressivo. Porém, com o teste rápido para diagnóstico de PSA, por exemplo, o mesmo não acontece. O exame de toque quando o paciente tem a suspeita de um câncer de próstata continua sendo totalmente necessário.

― É a primeira coisa que os homens perguntam e a resposta é que uma coisa não exclui a outra nesse caso. O ideal é que os dois exames sejam realizados ― afirma Anna Luiza.

Futuro: testes efetuados pelo próprio paciente

Hoje os testes são ferramentas essenciais aos profissionais de saúde, mesmo que sua utilização ainda esteja aquém do potencial dessa nova tecnologia. Já está sendo estudado, por exemplo, que esse uso seja extrapolado dos consultórios e clínicas médicas e passe a ser utilizado pelo próprio paciente.

Existe a perspectiva de que, em um futuro próximo, o teste específico de HIV venha a ser comercializado em farmácias, de modo que permita à pessoa fazer o teste sem a necessidade de estar respaldada por um profissional.

Segundo Anna Luiza, as empresas do setor ainda estão se ajustando às exigências da Anvisa para que isso seja viabilizado:

― Este será um caso isolado, em função da carga de preconceito que ainda cerca o HIV, pois muitas vezes a pessoa deixa de fazer o teste por medo do resultado, ou por não desejar se expor ― justifica.

Fonte: G1

 

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