Como a saúde emocional interfere na queda de cabelo?

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Saiba como condições como estresse, ansiedade e depressão podem levar à queda de cabelo e como o problema capilar afeta a saúde mental.

Apesar de, por vezes, receber menos atenção do que merece, estudos científicos já comprovaram a relação entre saúde emocional e queda de cabelo.

Verifica-se tanto que alterações fisiológicas associadas à saúde mental podem resultar em alterações capilares como que pacientes com queda de cabelo têm maior tendência a diferentes distúrbios e transtornos. Entenda mais a seguir.

Anatomia e fisiologia do cabelo

A anatomia do fio de cabelo permite dividi-lo entre a parte visível e a parte interna, além de subdivisões. São elas:

● haste capilar, que é a parte visível e constituída de medula, córtex e cutícula;

● folículo piloso, que fica na derme, e inclui o bulbo capilar, a papila dérmica e o bulge de células-tronco.

Essas estruturas são as responsáveis pelo ciclo capilar, que consiste nas etapas de crescimento (fase anágena), repouso (fase catágena) e queda (fase telógena).

A fase anágena pode durar de 2 a 8 anos, sendo que de 80 a 90% dos fios estão nela, enquanto a catágena representa de 1 a 2% e a telógena de 10 a 15%.

Fatores que afetam o crescimento e queda do cabelo

O ciclo de crescimento do cabelo inclui uma fase natural de queda, de forma que a perda de até 100 fios por dia não é preocupante ou fora do normal.

Para que o ciclo capilar esteja dentro do esperado, ele demanda que diferentes fatores estejam em equilíbrio, como níveis hormonais, reservas de nutrientes e vitaminas, saúde do couro cabeludo e outros.

Assim, a queda de cabelo pode ser influenciada por elementos como a alimentação, estresse, exposição a agentes nocivos, alterações no contraceptivo e, até mesmo, tendências genéticas, como é o caso da alopecia androgenética que causa a calvície.

Saúde emocional e queda de cabelo

A relação entre saúde mental e queda de cabelo nos casos de estresse e ansiedade se dá especialmente pelo aumento dos níveis do hormônio cortisol.

Esse hormônio é responsável por disparar uma resposta fisiológica chamada de “luta ou fuga”, na qual sistemas não vitais passam a receber menos oxigênio e nutrientes, além de aumentar a tendência à inflamação no corpo.

No médio e longo prazo, os níveis elevados de cortisol associados aos quadros de Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) e estresse crônico, podem levar à queda de cabelo do tipo eflúvio telógeno.

Nesse caso, mais fios de cabelo entram em repouso e caem, o que ocorre em cerca de um a três meses após o evento crítico.

Em geral, o quadro de queda por eflúvio telógeno melhora espontaneamente entre 4 a 6 meses.

A ansiedade também pode levar ao quadro de tricotilomania, que consiste na obsessão por arrancar fios de cabelo ou cílios.

Na tricotilomania, o cuidado com a saúde mental, incluindo psicólogo e psiquiatra, deve ser associado ao tratamento dermatológico.

Outro problema de pacientes com ansiedade é a maior tendência a problemas de inflamação no couro cabeludo, como dermatite seborreica, o que pode levar à queda de cabelo.

Os pacientes com depressão também podem apresentar queda de cabelo. Nessas circunstâncias, a perda capilar costuma estar associada a:

● distúrbios alimentares associados ao quadro depressivo, seja com a compulsão ou a falta de alimentos, resultando no déficit nutricional que leva à queda de cabelo;

● hábitos de higiene, uma vez que o paciente depressivo, muitas vezes, não sente disposição para realizar tarefas básicas, como tomar banho;

● problemas na qualidade do sono dada à frequência de quadros de insônia entre pacientes com depressão;

● vícios associados ao quadro depressivo, como tabagismo, alcoolismo e outros;

● uso de alguns tipos de antidepressivos, como a fluoxetina.

A relação entre saúde emocional e queda de cabelo, portanto, é complexa e envolve diferentes fatores da vida do indivíduo, o que demanda uma atenção especializada multidisciplinar.

Alopecia areata

Outro exemplo de relação entre saúde mental e queda de cabelo são os quadros de alopecia areata.

Trata-se de uma doença autoimune na qual o sistema imunológico ataca os folículos pilosos resultando, inicialmente, em falhas arredondadas no couro cabeludo, mas a queda pode se estender por todo o cabelo e até para o corpo inteiro.

Na maior parte dos casos, há uma regressão espontânea do quadro, mas a evolução da alopecia areata, bem como seu desenvolvimento, é imprevisível.

Apesar disso, é sabido que eventos traumáticos associados ao estresse agudo, ansiedade e depressão podem estar relacionados à manifestação ou ao agravamento do quadro.

Queda de cabelo também afeta a saúde emocional

Além de os transtornos mentais poderem resultar em queda de cabelo o caminho inverso é comum.

Os pacientes com quadros mais severos de queda de cabelo tem maior tendência, em relação à população geral, a desenvolver problemas como:

● ansiedade;

● depressão;

● transtorno de personalidade;

● fobia social;

● transtorno paranoico.

Um estudo realizado na Itália, por exemplo, constatou que 75% das mulheres participantes que tinham quadros de alopecia ou queda de cabelo apresentavam transtorno de personalidade, enquanto a média na população geral é de 10%.

Outra pesquisa realizada no Reino Unido revelou que, entre as pacientes com problemas capilares, 40% relatavam prejuízos conjugais e 63% profissionais.

Portanto, a relação entre queda de cabelo e saúde mental é evidente, sendo que as condições podem se retroalimentar, demandando assistência médica especializada e multidisciplinar.

Danillo Cássio

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