Condição que já afetou a saúde de 52% das mulheres brasileiras pode indicar a presença de outras doenças, como o HPV

Coceira, sensação de ardência ao urinar, corrimento vaginal espesso e vermelhidão na região íntima são alguns dos sintomas da candidíase, uma doença que acomete parte das mulheres. De acordo com o levantamento feito pelo Ibope para a Bayer em julho de 2020, cerca de 52% das brasileiras já sofreram com essa condição ao menos uma vez na vida.  

A candidíase vulvovaginal foi descrita pela primeira vez em 1949, por Wilkinson, ao estabelecer uma relação entre a existência de fungos na vagina e o aparecimento de vaginite — uma inflamação na região íntima da mulher. A partir dessa descoberta, os conhecimentos sobre o assunto foram evoluindo e, aos poucos, fazendo parte do senso comum.  

Embora seja um problema frequente, muitas mulheres ainda apresentam receio em falar sobre o assunto. Um dos principais motivos para a timidez é que, mesmo após as orientações dos profissionais da área de ginecologia e a indicação de um tratamento adequado, o desconforto pode voltar a aparecer, tornando-se um caso de candidíase recorrente ou de repetição.  

O que é candidíase recorrente 

Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a candidíase é um processo inflamatório vaginal causado pela proliferação de fungos tendo a Candida albicans como a agente mais frequente em 85% a 95% dos casos. A condição recebe o nome de recorrente ou de repetição quando ocorre o aparecimento de quatro ou mais episódios confirmados clinicamente em um período de 12 meses.  

Além dos sintomas já citados, a dor durante as relações sexuais e o inchaço na vulva ou na vagina também são indicativos de candidíase. Em infecções mais intensas, fissuras na parede vaginal também podem aparecer e causar ainda mais incômodo. 

Apesar de apresentar sintomas que causam apenas desconforto, a presença dessa condição de forma recorrente diminui de forma direta a qualidade de vida das mulheres. Com isso, a infecção causa impactos diretos não somente na saúde física, como também na emocional, incluindo sintomas de depressão, ansiedade e baixa autoestima.  

O que pode causar candidíase recorrente 

Os fungos que causam a doença vivem em harmonia com outras bactérias na flora vaginal, mas por conta de alguns desequilíbrios podem se multiplicar e causar a condição, ou seja, a candidíase é uma resposta natural do organismo a diversos fatores.  

De acordo com a Diretoria de Vigilância Epidemiológica do governo de Santa Catarina (Dive-SC), a doença está associada à queda da imunidade, ao uso de antibióticos, anticoncepcionais, imunossupressores e corticoides, à gravidez, diabetes e alergias. 

Já segundo o Manual de Orientação em Trato Genital Inferior e Colposcopia, elaborado pela Febrasgo, outros fatores de risco que alteram a reposta imunológica são hábitos alimentares e uso de roupas apertadas que favorecem o crescimento contínuo dos organismos. 

Apesar de não ser considerada uma enfermidade sexualmente transmissível, a candidíase também pode ser transmitida por meio de relações sexuais.  

Candidíase como alerta de HPV 

A infecção recorrente na região vaginal pode ser um sinal da presença de outros problemas mais severos à saúde. O HPV, segundo a Dive-SC, é um dos fatores que predispõem a presença da candidíase vulvovaginal. O papiloma vírus humano provoca o aumento na produção do fungo Candida e favorece o início da doença.  

De acordo com o Ministério da Saúde, o HPV é uma doença sexualmente transmissível que pode provocar verrugas anogenitais (região genital e no ânus) e câncer, dependendo do tipo de vírus. 

Tratamento da candidíase 

Em casos de suspeita de candidíase a Febrasgo recomenda a realização de exames clínicos laboratoriais, pois existem outras afecções que podem causar os mesmos sintomas. A certificação sobre o quadro da paciente minimiza o mal-estar causado pela doença e ainda pode auxiliar na descoberta de HPV. 

Segundo a federação, dependendo do quadro, o tratamento indicado pode ser feito via tópica, aplicando os medicamentos diretamente na região afetada, ou oral, por meio de comprimidos. Em casos de infecções mistas e severas, pode-se prescrever o uso por duas vias. 

A Febrasgo ressalta ainda que, em 50% dos casos, as mulheres possuem boa resposta ao procedimento indicado e não voltam a apresentar os sintomas. Pacientes com candidíase de repetição devem analisar os fatores de risco para auxiliar o tratamento e minimizar as chances de uma nova infecção.

Luiz Affonso Mehl