O número de incidentes com escorpiões aumentou 139%, em apenas seis anos, no Estado do Rio de Janeiro, como revela uma pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) realizada em parceria com o Instituto Vital Brazil (IVB) e a secretaria estadual de Saúde. O maior número de ocorrências estaria acontecendo na Região Serrana: 88% dos registros. No entanto, segundo o biólogo do IVB Cláudio Maurício de Souza, praticamente todos os municípios do estado têm possibilidade de ter população de escorpiões amarelos – os que causam os acidentes mais graves -, devido à ocupação desordenada e à falta de saneamento. Veja o que fazer se for picado por bicho penconhento (https://www.minhavida.com.br/saude/materias/17463-animais-peconhentos-reconheca-os-sintomas-da-picada-e-aprenda-o-tratamento)

– Temos verificado isso em varias áreas do Rio, mas algumas merecem especial atenção, como Três Rios, Valença, Rio das Flores, Paraty, Angra, Itaperuna, Campos, Nova Iguaçu, Belford Roxo, Duque de Caxias e Itaguaí. É praticamente um problema disseminado pelo estado inteiro – explica.

– Meu pai sentiu uma picada, quando estava colocando o sapato, há cerca de três anos, em Maria da Graça. Quando tirou, viu que tinha um escorpião dentro do sapato. Ele tinha 78 anos na época. Teve febre, mas graças a Deus, nada mais sério aconteceu – conta Eliane Freitas, acrescentando que o pai colocou o animal dentro de um vidro. 

– Conheço um senhor que foi picado por um escorpião em Duque de Caxias. Ele foi para o pronto socorro e ficou internado para observação. Hoje está bem, mas ainda há escorpião, lacraias, baratas, ratos no centro – relata o leitor Edison Antonio de Almeida.

A estatística Rosany Bochner, coordenadora do projeto da Fiocruz “Escorpionismo no Estado do Rio de Janeiro: aspectos epidemiológicos, ambientais e sócio econômicos”, explica que, no ano passado, sua equipe visitou 13 municípios, selecionados pela alta incidência de escorpiões ou de acidentes com o animal. Foram eles: Nova Friburgo, Petrópolis, Três Rios, Valença, Porciúncula, Pinheiral, Sapucaia, Paraíba do Sul, Carmo, Cantagalo, São Fidelis, Natividade, Rio das Flores. Segundo Bochner, embora os acidentes com serpentes ainda sejam os mais freqüentes envolvendo animais peçonhentos no Rio, os com escorpiões foram os que mais cresceram, ao lado dos com aranhas, no período de 2000 a 2006.

– Acidente com escorpião está crescendo mais do que serpente e deve inverter. Acredito que num curto prazo.

– Já vi esse bicho em Cachoeiras de Macacu, onde meu pai tem uma casa. Uma vez dentro de casa. O vizinho já achou no banheiro da casa dele – escreve o leitor Wagner de Castro Pinna.

Riscos de óbitos quando as picadas são em crianças e idosos

Segundo o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), em 2000 foram 113 acidentes com escorpião no estado e, em 2006, subiram para 238 registros. Em 2005 ocorreram quatro óbitos.

Doutora em Saúde Pública, Rosany explica que a picada do escorpião causa uma dor intensa e, dependendo da gravidade, pode evoluir para quadros de vômito, sudorese, convulsão e edema pulmonar. Há soro, mas incidentes envolvendo crianças e idosos podem ser fatais, por isso a necessidade de se levar a um médico com urgência.

Os casos se agravam rapidamente, quando envolvem crianças

– Os casos se agravam rapidamente, quando envolvem crianças. Não se pode perder um minuto sequer – afirma Rosany.

– Qualquer picada por animal peçonhento tem que ser avaliado por um médico – diz Souza.

Barata doméstica é alimento para escorpiões

O biólogo do Vital Brazil explica que qualquer micro-ambiente que seja úmido, escuro e que tenha insetos pode favorecer a proliferação do animal. E dá como exemplo tumbas de cemitérios, galerias de água de chuva, esgotamento sanitário, caixas de gordura, pilhas de material de construção, entulho, depósitos de lenha e de madeira, forros de prédio e encanamento.

– Nessas ambientes, há a proliferação de vários animais que servem de alimento para o escorpião, entre eles a barata doméstica. E não temos os predadores, como pássaros, lagartos, alguns roedores e alguns primatas que comem os escorpiões. Eles ficam com alimentos em abundância. Sem pressão de seleção, começam a aumentar – afirma o biólogo.

Basta um único exemplar da espécie ser introduzido em uma área que tenha condições ambientais favoráveis para criar uma nova população

Souza explica ainda que o escorpião amarelo se reproduz por um processo que não precisa do macho:

– Basta um único exemplar da espécie ser introduzido em uma área que tenha condições ambientais favoráveis para criar uma nova população. E isso faz com que o animal vá crescendo junto com o crescimento urbano.

– A pessoa pode levar um escorpião para casa sem perceber. Ele pode vir até em uma caixa de fruta – diz a estatística.

Para não correr o risco de ser picado, não se deve tentar pegar um escorpião. Quem encontrar em sua casa ou em outro local deve entrar em contato com a secretaria de saúde do município ou com o Instituto Vital Brazil, que faz a captura das espécies em algumas regiões. Os telefones do instituto são (21) 2725-1555 e 2711-0012.

aranha no pote - Getty Images
Aranha marrom muito perigosa Fontes: Extra e Minha Vida