Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mortes diárias por Covid-19 em território europeu aumentaram quase 40% na última semana, ante a semana anterior

Depois de superar o período mais crítico da pandemia em março e abril, e experimentar uma espécie de normalidade nos meses seguintes, países do Hemisfério Norte estão vendo o filme se repetir. E os números cada vez mais preocupantes da doença na Europa e dos Estados Unidos alarmam novamente o mundo e despertam a dúvida: o Brasil pode viver uma segunda onda de coronavírus?

Após a nova explosão de casos, os governos da Alemanha e da França anunciaram, na última quarta-feira (28), um lockdown parcial para conter a segunda onda da Covid.

Na Alemanha, o novo bloqueio, que começa no dia 2 de novembro, foi anunciado depois que o país registrou quase 15 mil novos casos em 24 horas, o maior número de diagnósticos diários desde o início da pandemia.

Logo em seguida, o governo francês também anunciou seu lockdown, que começa nesta sexta-feira (30). As novas medidas foram adotadas após a França registrar 52.010 infecções no domingo, batendo seu recorde diário de casos, além de 523 mortes na terça-feira (27), o número mais alto de óbitos desde abril.

Já o Reino Unido registrou mais 367 vítimas também na última terça-feira, um recorde de óbitos desde o fim de maio. A Itália, que também viveu uma primeira onda devastadora na pandemia, relatou 221 mortes na última terça-feira, recorde diário de mortes desde meados de maio.

A Rússia, que só fica atrás de Estados Unidos, Índia e Brasil em número de infecções, também registrou seu recorde diário de óbitos nesta semana, com 346 vítimas na última quarta-feira.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as mortes diárias por Covid-19 em território europeu aumentaram quase 40% na última semana, ante a semana anterior.

Para entender melhor o que essa segunda sinaliza sobre o estágio da epidemia em âmbito global e tentar traçar um paralelo com possíveis implicações para o Brasil, o InfoMoney conversou com especialistas da área da saúde para entender se o Brasil também vai enfrentar uma segunda onda de Covid.

Confira a seguir os depoimentos deles.

Margareth Dalcolmo

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Margareth Dalcolmo é pneumologista, criadora e coordenadora do ambulatório do Centro de Referência Professor Hélio Fraga, da Fiocruz. É membro do Comitê Assessor em Tuberculose do Ministério da Saúde e das Comissões Científicas da Sociedade Brasileira de Pneumologia. É também docente da pós-graduação da PUC-RJ e tem experiência na área de doenças respiratórias, com ênfase em pesquisa clínica em tuberculose e outras micobacterioses. (Crédito: Divulgação)

Vamos ter uma segunda onda no Brasil?

Resposta: Provavelmente, sim

“A segunda onda vai, seguramente se abater de maneira muito forte na Europa, mesmo em países com grande eficiência no sistema de saúde, tendo em vista a crescente ocupação de leitos hospitalares com casos mais graves. Sem dúvida, isso pode gerar medidas mais drásticas de todos os governos europeus.

Da mesma forma que os países europeus nos antecederam na primeira onda, essa segunda onda europeia pode significar muito para o Brasil.

Eu cheguei a usar uma metáfora da Tsunami: nós não soubemos aproveitar o recuo do mar, que é o que ocorre nas Tsunamis e nesta analogia representa os países europeus, que nos antecederam nessa epidemia. A situação da Europa pode ser um bom prenúncio sobre as medidas que o Brasil precisa adotar para evitarmos uma segunda onda tão severa.

Porém, nós não soubemos aproveitar essas primeiras lições da Europa, de modo que a epidemia bateu no Brasil de uma maneira muito rápida, muito intensa, com um resultado bastante dramático logo de início nas primeiras semanas.

Portanto, a segunda onda de infecção já era razoavelmente esperada na Europa depois das grandes reaberturas durante o verão europeu. Ao subestimar o poder da infecção, nós abrimos margem para os casos voltarem a subir. Uma segunda onda nunca está descartada, principalmente no Brasil.

Não é muito surpreendente que esteja havendo essa segunda onda, considerando que estamos falando de viroses respiratórias de transmissão não pessoa a pessoa, mas com o R, que é aquela taxa de transmissão comunitária, bastante alta, que chega até em níveis de um para três em determinadas situações.

    Fonte: Infomoney