Cerca de 120 pessoas, em cinco comboios, estão no Espírito Santo. Os participantes estão percorrendo os estados do Sudeste para conhecer projetos agroecológicos. Também estão conhecendo e vivenciando o desastre ecológico produzido pelos eucaliptais, entre outras monoculturas, pela mineração e os conflitos dos fazendeiros com os trabalhadores rurais.

Os cinco comboios formam a Caravana Agroecológica e Cultural rumo a Alegre, Espírito Santo. Os participantes focam nas visitas às experiências de agroecologia em todos os estados do Sudeste. No Estado, a caravana promove o seminário “O Espírito Santo abençoa a Agroecologia, Amém!”.

 

O seminário será realizado nesta sexta-feira (10), das 14 às 18 horas, no auditório do campus do Instituto Federal do Estado (Ifes) de Alegre. No sábado (11), ainda nesta cidade, será realizado ato público na praça Sebastião Monteiro, com concentração no pátio da Igreja Matriz Nossa Senhora da Penha. Os participantes estão no Espírito Santo desde a última terça-feira.

 

Os comboios visitam experiências que contribuem, ou desafiam, a construção da agroecologia.  Chegaram ao Espírito Santo após percorrer cinco rotas diferentes. Saíram de Campinas, de São Paulo, de Seropédica, Rio de Janeiro e, de Minas Gerais (Uberlândia/Belo Horizonte, Norte de Minas e Viçosa). Todas as rotas convergem para o sul do Espírito Santo.

 

Visitaram experiências construídas por agricultores de vários cantos do Espírito Santo, no campo e na cidade. Entre estes, sistemas agroflorestais, assentamentos da reforma agrária, de “plantadores de água”, agroturismo, comunidades quilombolas e indígenas, e grupos culturais.

 

Conheceram tanto no Espírito Santo quando nos outros estados, os problemas criados pelas plantações de eucalipto. No território capixaba, principalmente pela Aracruz Celulose (Fibria), que tomou terras de pequenos agricultores, índios e quilombolas. Não devolveu nada dos cerca de 50 mil hectares que tomou dos quilombolas, por exemplo.

 

Verificaram o que chamaram de expansão desenfreada na monocultura de eucalipto, os estragos pela mineração e impasses fundiários. Revelam que a agroecologia é ameaçada por um modelo de desenvolvimento que destrói os bens naturais e explora trabalhadoras e trabalhadores. No Espírito Santo, já foi constatado trabalho escravo no campo e são frequentes as mortes e doenças produzidas pelos agrotóxicos.

Projetos 

Entre outros projetos, no Espírito Santo as caravanas estiveram em Iconha. Conheceram o trabalho da Associação Vero Sapore, que produz e vende quitutes, doces, frutas e hortaliças. A associação foi criada há 15 anos e a primeira feira começou em 2004, com produtos feitos pelas famílias nas suas próprias casas. Hoje, a associação participa de quatro feiras e conta com uma agroindústria que alavanca e qualifica seus produtos.

 

Nas quintas-feiras, os produtores participam de uma feita no próprio município. De Iconha, aos sábados, vão para quatro feiras na Região Metropolitana da Grande Vitória (em Vila Velha, embaixo da Terceira Ponte; no Bairro Vermelho (atrás da Emescam) e Camburi (rua Isaac Lopes Rubim, ao lado da Praça Ize Mendes, perto da Faculdade Estácio de Sá).

 

De Iconha, os caravaneiros foram para Cachoeiro de Itapemirim. Conheceram a comunidade Quilombola de Monte Alegre e receberam o “Guia de Aves Corredor Ecológico Burarama-Pacotuba-Cafundó”, produzido pela comunidade.  A comunidade Quilombola de Monte Alegre tem cerca de 150 famílias, em apenas 40 hectares de terra.  Os quilombolas produzem angu de banana verde, e dançam o Caxambu.

 

O trabalho agroecológico no local começou em 2002, com um pequeno plantio de horta. Em 2012, metade dos sítios certificados como orgânicos no município de Cachoeiro estão no Quilombo. Em Alegre os membros dos comboios visitam o sítio da Jaqueira. Os caravaneiros conheceram ainda comunidades quilombolas no norte do Estado e indígenas, em Aracruz.

Núcleos agroecológicos 

Os organizadores informaram que a Caravana Agroecológica e Cultural rumo a Alegre, Espírito Santo, é uma realização da Rede de Núcleos de Agroecologia da Região Sudeste, pelo Projeto Comboio Agroecológico do Sudeste.

 

O projeto é financiando pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e por vários ministérios. Nesta edição recebeu apoio da Articulação Capixaba de Agroecologia (ACA) e do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

 

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