Agroecologia: o novo horizonte da agricultura familiar no estado do Rio de Janeiro
26 de julho de 2025

Em um momento em que o planeta clama por sustentabilidade e alternativas ao uso intensivo de químicos na produção de alimentos, a EMATER-Rio tem se destacado ao liderar um movimento transformador: a transição da agricultura tradicional e orgânica para a agricultura agroecológica, modelo que une eficiência, menor custo e respeito à natureza.

Durante o curso realizado em Magé, a reportagem de Alexandre da MN Mendanha Notícias, em parceria com o Seropédica Online (Divulgação), acompanhou de perto uma série de dias especiais de campo voltados à capacitação de agricultores familiares. O tema central foi o controle biológico de pragas e doenças, com foco em ferramentas sustentáveis para garantir a produtividade sem comprometer o meio ambiente.

Adapt Link Internet - Black Friday

O que é agroecologia?

Ao contrário da agricultura orgânica — que possui normas rígidas de certificação e pode se tornar cara e restritiva — a agroecologia permite um processo gradual de transição, reconhecendo os avanços ecológicos adotados pelo agricultor, mesmo que ele ainda não esteja 100% dentro dos padrões orgânicos.

Segundo técnicos da EMATER-Rio, o processo agroecológico permite que o produtor utilize práticas mais sustentáveis sem abandonar completamente suas rotinas produtivas. “É um sistema mais inclusivo, eficiente, e que traz resultados reais no campo, como maior diversidade de culturas, resiliência contra mudanças climáticas e até melhoria de renda para o agricultor”, explicou João, técnico da empresa.

O papel da EMATER-Rio na transição agroecológica

A EMATER-Rio é a única instituição credenciada no estado a emitir atestados de produção agroecológica — documentos que reconhecem oficialmente os agricultores em transição. Através da Resolução Conjunta nº 16, firmada por diversos órgãos estaduais (CEAPA, CEAS, INEA e EMATER-Rio), foram estabelecidos os mecanismos para esse reconhecimento, o que vem fortalecendo políticas públicas voltadas à agroecologia.

Em Magé e nas micro-regiões de Guapimirim e Cachoeiras de Macacu, esse trabalho já vem dando frutos. Agricultores que antes dependiam fortemente de insumos químicos agora utilizam bioinsumos, como fungos, bactérias e insetos benéficos, para manter o equilíbrio ecológico das lavouras.

Koppert: biotecnologia a serviço do campo

Presente no encontro, o engenheiro agrônomo Rodrigo, representante da Koppert América do Sul — empresa líder mundial em controle biológico com sede na Holanda — destacou a importância da parceria entre tecnologia e natureza.

“A Koppert é uma biofábrica. Nós produzimos organismos vivos como ácaros predadores, fungos e vespas para combater pragas e doenças nas lavouras. Esse método, chamado de controle biológico inundativo, vem complementar o controle biológico conservativo, que se baseia na preservação dos organismos benéficos já presentes no ecossistema agrícola”, explicou Rodrigo.

A história da Koppert começou com um simples produtor de pepino na Holanda que descobriu, por acaso, que um ácaro predador era a solução para salvar sua produção. Esse princípio deu origem a uma empresa que hoje atua em vários países, incluindo o Brasil, promovendo a sustentabilidade na produção de alimentos.

Joaninhas e a natureza como aliada

Um exemplo prático do controle biológico conservativo é a joaninha, pequena predadora natural de pulgões e grande aliada das lavouras. Embora ainda não existam empresas que produzam joaninhas em biofábricas, sua presença é incentivada através de práticas agrícolas que preservam o habitat desses e outros organismos benéficos.

“A joaninha é sempre do bem”, frisou Rodrigo. “Ela mostra que é possível produzir respeitando o ciclo natural, sem exterminar indiscriminadamente toda a biodiversidade do campo”.

Sustentabilidade com rentabilidade

A agricultura agroecológica tem se mostrado mais que viável: ela é lucrativa. O produtor Beto, citado como exemplo durante a capacitação, conseguiu melhorar sua renda ao diversificar sua produção e obter melhor valorização de seus produtos no mercado, justamente por adotar práticas mais saudáveis e sustentáveis.

“A agroecologia é uma luz no fim do túnel, como foi o plantio direto no passado. É uma filosofia de produção que une tecnologia, conhecimento ancestral e respeito ao ambiente”, reforçou Rodrigo.

Assistência técnica e expansão do programa

Embora o protocolo de transição ainda esteja em fase de implementação em algumas regiões, a EMATER-Rio já capacitou escritórios locais em pelo menos cinco grandes regiões do estado. Agricultores interessados podem procurar seu escritório regional. Caso a unidade não esteja ainda habilitada, os técnicos qualificados atuam como multiplicadores, levando o conhecimento até as propriedades.

A EMATER também mantém parceria com empresas como a Koppert para oferecer conhecimento técnico e apoio aos agricultores, com foco no fortalecimento da agricultura familiar sustentável.

 

 

Área de comentários

Deixe a sua opinião sobre o post

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Comentário:

Nome:
E-mail:
Site: