Seropédica, RJ — A proposta do Governo do Estado do Rio de Janeiro de instalar um presídio no município de Seropédica foi duramente criticada durante a última sessão da Câmara de Vereadores, realizada no dia 7 de agosto. Vereadores e o prefeito se posicionaram firmemente contra a medida, alegando que a cidade já sofre com inúmeros problemas sociais e ambientais impostos por decisões governamentais anteriores.
O vice-presidente da Câmara, vereador Max Goulart, foi enfático em seu pronunciamento:
“Nós estamos sendo castigados. Tudo que é ruim enviam para nossa cidade. Instalaram o lixão que infesta o município de moscas, ratos e mau cheiro. Temos 21 areais que causam sérios danos ao meio ambiente. Somos penalizados por três pedágios que prejudicam o ir e vir das pessoas e ainda encarecem os produtos da cesta básica. E agora querem instalar um presídio? Isso trará ainda mais insegurança para os munícipes”, afirmou Max Goulart.
A reação contrária ao projeto foi unânime entre os representantes do Legislativo municipal. O presidente da Câmara, vereador Bruno do Depósito, reforçou o compromisso de buscar apoio junto a parlamentares estaduais e federais, além de dialogar com o próprio Governo do Estado para impedir a instalação do presídio.
“Seropédica precisa de indústrias, de desenvolvimento, de emprego e renda — não de mais um problema. Existem muitos outros locais mais adequados para receber um presídio, por que escolher logo Seropédica?”, questionou o Presidente da Câmara Bruno do Depósito
Histórico de problemas acumulados
Seropédica tem sido, ao longo dos anos, alvo de diversas decisões administrativas que impactam negativamente o cotidiano da população. A instalação do lixão metropolitano, que recebe resíduos de diversos municípios, gerou forte impacto ambiental e sanitário. As 21 areais em funcionamento também preocupam ambientalistas e moradores devido à degradação do solo e dos recursos hídricos.
Além disso, a presença de três praças de pedágio no entorno da cidade encarece o transporte, dificulta a mobilidade e impacta diretamente o custo de vida da população local — que em grande parte depende de transporte rodoviário para trabalhar ou estudar em outros municípios.
Insegurança e estigma
A proposta de construção de um presídio acende outro alerta: o aumento da insegurança e o estigma social que pode recair sobre a cidade. Moradores temem que a instalação da unidade prisional possa atrair problemas como fugas, aumento do policiamento ostensivo, desvalorização imobiliária e uma piora da imagem da cidade.
Prefeito também se manifesta
O prefeito Professor Lucas também se posicionou contra a proposta e afirmou que lutará ao lado da Câmara Municipal para barrar o projeto. Para ele, Seropédica tem potencial para se tornar um polo de desenvolvimento econômico, mas precisa de investimentos em infraestrutura, educação, saúde e geração de empregos — não de mais um equipamento que reforce a associação da cidade com problemas estruturais e de segurança.
População se mobiliza
Moradores e lideranças comunitárias começam a se mobilizar nas redes sociais e grupos locais para pressionar as autoridades e evitar a instalação do presídio. A expectativa é de que nos próximos dias sejam realizados protestos pacíficos e audiências públicas para discutir o tema com mais profundidade.
Conclusão:
A tentativa de impor mais um fardo a Seropédica sem diálogo com a população reforça uma política pública desequilibrada, onde municípios de menor poder político acabam servindo de depósito para os problemas estruturais do Estado. A luta contra o presídio não é apenas contra um equipamento, mas por dignidade, planejamento e respeito aos cidadãos seropedicenses.
Texto: Luiz Calderini



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