Iniciativas da UFRRJ mostram como o conhecimento pode transformar práticas e proteger o meio ambiente da região
A Mata Atlântica se estende por 17 estados brasileiros e é o lar de mais de 70% da população, que produz cerca de 80% do PIB nacional. Ela é, também, uma das áreas de maior diversidade de espécies do mundo, mas segue como o bioma mais ameaçado do Brasil. Por conta do intenso desmatamento nos últimos séculos, apenas 8,5% desse território se encontra coberto por trechos significativos da floresta.
No entanto, em meio aos grandes desafios ambientais, a Baixada Fluminense do Estado do Rio de Janeiro surge como protagonista na busca de soluções sustentáveis na região através de estudos da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro.
Diversos focos de incêndio têm sido detectados no município de Seropédica, devido à alta presença da planta conhecida como ‘Capim-Colonião’, que é altamente inflamável. Segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio, de janeiro a junho de 2024, Seropédica teve 708 focos, ficando entre os municípios mais afetados do estado, atrás apenas da capital e de alguns outros grandes centros.
A queimada usada como forma de “limpeza”, também chamada de queima controlada, é a prática mais realizada em Seropédica, porém, o ato apresenta diversos problemas, especialmente quando não é feita com critérios técnicos rigorosos. A queimada pode interferir na qualidade do ar da região, na biodiversidade e há até mesmo risco de perda do controle da queimada.
Com o objetivo de minimizar esse impacto, o professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro Paulo Sérgio dos Santos Leles, especializado em técnicas silviculturais para restauração florestal disponibilizou um estudo na Universidade sobre uma “planta que não pega fogo”, que pode ser usada a fim de evitar as queimadas na região de Seropédica.
– A planta conhecida como “Feijão de porco”, Canavalia Ensiformis, é uma leguminosa herbácea fixadora de nitrogênio, então, ela tem capacidade de fixar o nitrogênio do ar, com o objetivo de recuperar solos e melhorar a sua qualidade. Entre os nossos trabalhos, nós começamos a cultivar essa planta e percebemos que ela conseguiu segurar o fogo – explicou o professor.
Foram realizados alguns testes que comprovaram a eficiência da planta. Segundo o estudo realizado pelo aluno de Engenharia Florestal da UFRRJ Gustavo de Oliveira, junto com o professor Paulo Leles, os experimentos indicaram que a Canavalia Ensiformis não sofre combustão, devido provavelmente ao teor de água em torno de 75%. Assim, sua velocidade de propagação do fogo foi significativamente inferior em comparação a outras plantas. Dessa forma, ela pode ser usada como um “aceiro verde” (faixa de vegetação estrategicamente plantada, geralmente com espécies menos inflamáveis, com o objetivo de prevenir a propagação de incêndios florestais).
Em desenvolvimento de estudo, o pesquisador revela os próximos passos da pesquisa.
– Agora, nós vamos estudar quantas fileiras são necessárias para realizar o aceiro verde, se são três fileiras, distanciadas 70 centímetros uma da outra, ou quatro ou até cinco, e comparar com o método tradicional, que é capinar a área e deixar sem material combustível – esclareceu o professor.
Essas ações unem ciência, educação e o compromisso social como agentes de transformação.
Texto: José Davi da Silva (estudante de Jornalismo sob a supervisão da professora Cristiane Venancio)



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